Campo Grande liderou a geração de novos negócios em Mato Grosso do Sul no mês de fevereiro de 2026. De acordo com o Boletim Econômico elaborado pelo Observatório de Desenvolvimento Econômico da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável (Semades), foram constituídas 664 empresas na capital, o equivalente a 44,06% das 1.507 registradas em todo o estado. O total estadual representa o maior volume já apurado para um único mês.
O levantamento mostra que a predominância do setor de serviços continua a definir o perfil econômico de Campo Grande. Entre as empresas criadas, 78,1% atuam nessa área, porcentual que mantém o segmento como principal motor da economia local. O comércio aparece em segundo lugar, com 18,97% das aberturas, enquanto a indústria responde por 2,92% do total. A distribuição confirma a tendência de uma economia orientada para atividades de prestação de serviços e atendimento às demandas urbanas.
Dentro do setor de serviços, alguns ramos apresentaram ritmo de crescimento acima da média. Destacam-se serviços administrativos, atendimentos médicos ambulatoriais, holdings não financeiras e atividades ligadas à psicologia e à psicanálise. O avanço nesses segmentos está associado a uma procura crescente por soluções de gestão, saúde e bem-estar, refletindo mudanças no perfil de consumo e no comportamento corporativo.
Os números favoráveis também aparecem no mercado de trabalho local. Durante o mês de fevereiro, a Fundação Social do Trabalho (Funsat) manteve a oferta diária superior a 1.300 vagas, indicador que aponta dinamismo na absorção de mão de obra. No acumulado do ano, Mato Grosso do Sul iniciou 2026 com saldo positivo de 3.936 empregos formais, puxado principalmente pelos setores de serviços e construção civil.
No cenário nacional, a taxa de desemprego ficou em 5,4% no trimestre encerrado em janeiro, segundo os dados mais recentes disponíveis. O desempenho do estado, aliado à expansão empresarial observada em Campo Grande, sugere um ambiente mais favorável para quem busca oportunidade profissional na região, ainda que os números estaduais não tenham sido detalhados no boletim.
Outro fator que consolida o momento positivo é a inflação controlada. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de Campo Grande foi de 0,18% em fevereiro, bem abaixo da média nacional de 0,70% medida pelo mesmo indicador. O resultado local foi influenciado pela queda nos preços dos alimentos e pela retração de 5,42% na energia elétrica residencial, itens de peso significativo no orçamento das famílias.
Perspectivas de investimento de grande porte reforçam a tendência de expansão. Entre os principais projetos anunciados estão a modernização do Aeroporto Internacional de Campo Grande, estimada em R$ 300 milhões, e a construção do primeiro hotel da rede Hilton no Centro-Oeste, que demandará aporte de R$ 90 milhões. Também integram o pacote de obras R$ 243 milhões destinados a intervenções de drenagem e pavimentação em 28 bairros da capital.
No front de políticas públicas, a nova lei do Programa de Desenvolvimento Econômico e Social (Prodes), recentemente aprovada, deve estimular aproximadamente R$ 500 milhões em investimentos privados. O dispositivo cria incentivos fiscais e facilidades administrativas, com o objetivo de atrair empreendimentos e diversificar ainda mais a matriz produtiva local.
Os indicadores positivos de geração de empresas, emprego e investimento contribuem para o avanço de Campo Grande em avaliações nacionais de competitividade. A capital manteve a primeira colocação entre os municípios do Centro-Oeste e alcançou a 71ª posição no ranking geral, subindo 15 posições em relação ao resultado anterior. A evolução decorre de fatores como ambiente de negócios, infraestrutura, capital humano e eficiência fiscal.
Com recorde estadual de novas empresas, predomínio do setor de serviços, inflação abaixo da média do país e carteira robusta de projetos públicos e privados, Campo Grande reforça sua condição de principal polo econômico de Mato Grosso do Sul. Os dados de fevereiro indicam continuidade da trajetória de crescimento do empreendedorismo local e apontam para a consolidação de uma base econômica diversificada, sustentada por serviços, construção civil e investimentos estruturantes.









