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Campo Grande registra maior volume de chuva em 24 horas, mas calor e ar seco persistem em MS

Campo Grande concentrou o maior acumulado de chuva em Mato Grosso do Sul nas últimas 24 horas, segundo levantamento do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec) com base em dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc). Entre a manhã de terça-feira e o início desta quarta-feira (7), a estação da Capital marcou 29,8 milímetros, cifra que coloca o município na liderança entre as cidades acompanhadas pelo sistema de monitoramento.

O ranking estadual aponta em seguida Jardim, com 20,8 milímetros, e Figueirão, que registrou 19,4 milímetros. Maracaju e Corumbá aparecem com valores próximos a 10 milímetros, quantidade considerada modesta diante das temperaturas elevadas que predominam desde o início de janeiro em boa parte do Estado.

Apesar do alívio momentâneo trazido pela precipitação, o calor segue intenso. As maiores temperaturas máximas foram verificadas em Aquidauana e Porto Murtinho, ambas com 36,4 °C. Corumbá apresentou várias medições acima de 35 °C, enquanto Campo Grande alcançou 32,9 °C, mantendo a sensação de abafamento mesmo após as pancadas da tarde de terça-feira.

A combinação de calor e baixa umidade tem ampliado o desconforto da população. Em Porto Murtinho, o índice mínimo de umidade relativa do ar desceu a 22 %, nível enquadrado pelas autoridades de saúde como estado de alerta. Jardim fechou o período com 29 %, e diversas localidades do Pantanal e do interior oscilaram entre 35 % e 38 %. Na Capital, a mínima foi de 37 %.

Meteorologistas explicam que o padrão atmosférico observado é típico do verão no Centro-Oeste: sol forte, aquecimento rápido nas primeiras horas do dia e chuvas localizadas no final da tarde, decorrentes da formação de nuvens de desenvolvimento vertical. Esse regime, no entanto, é insuficiente para modificar de forma duradoura a sensação térmica, já que os volumes pluviométricos são irregulares e não permanecem pela madrugada.

Com ar seco e altas temperaturas, os especialistas advertem para o aumento do risco de problemas respiratórios e de desidratação, em especial entre crianças e idosos. O cenário também favorece focos de incêndio em áreas de vegetação, preocupação constante no Pantanal e em regiões do Oeste sul-mato-grossense, onde o material orgânico acumulado na estação chuvosa anterior encontra-se suscetível à combustão.

Em Campo Grande, as precipitações de terça-feira começaram por volta das 15 horas, acompanhadas por rajadas de vento e rápida queda de temperatura. Mesmo assim, a sensação térmica voltou a subir poucas horas depois, à medida que as nuvens se dissiparam e a umidade relativa retornou a patamares inferiores a 40 %.

Para os próximos dias, o Cemtec mantém previsão de áreas de instabilidade capazes de provocar novas pancadas isoladas, porém sem indicativo de mudança abrangente no padrão de tempo. A influência de um sistema de alta pressão em níveis médios da atmosfera continua bloqueando a formação de frentes frias significativas, mantendo o calor sobre Mato Grosso do Sul.

Em meio a essa configuração, os órgãos de saúde recomendam que a população intensifique o consumo de água, evite exposição prolongada ao sol entre 10 e 16 horas e utilize umidificadores ou toalhas molhadas em ambientes fechados para atenuar o ressecamento do ar. Agricultores e proprietários rurais são orientados a redobrar a vigilância contra queimadas não autorizadas e a cumprir as normas de manejo do fogo.

O Cemtec reforça que, embora o mês de janeiro seja o mais chuvoso do ano no Estado, a distribuição das precipitações costuma ser desigual. Por isso, mesmo municípios que registram volumes expressivos em curtos intervalos, como ocorreu em Campo Grande, podem enfrentar dias subsequentes de forte calor e umidade abaixo do ideal, mantendo a população em estado de atenção.