A Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania (SAS) de Campo Grande ampliou, neste mês dedicado à campanha Janeiro Branco, o conjunto de iniciativas voltadas à saúde mental dos 1.300 servidores da pasta. As atividades são conduzidas pelo programa Cuidando de Quem Cuida, que desde 2017 oferece suporte psicológico e medidas preventivas aos trabalhadores da rede socioassistencial da capital sul-mato-grossense.
Segundo a coordenação do programa, equipes de psicologia percorrem ao longo de janeiro as 46 unidades administradas pela SAS. Durante as visitas, são promovidas dinâmicas de conscientização, orientações sobre os sinais de sofrimento psíquico e divulgação dos serviços de apoio já existentes, como plantão psicológico, grupos reflexivos e oficinas temáticas. A proposta é facilitar o acesso ao cuidado e estimular a busca de ajuda logo nos primeiros indícios de ansiedade, depressão ou estresse ocupacional.
A intensificação das ações ocorre em um contexto nacional de atenção à saúde mental no serviço público. Dados do Ministério da Previdência Social apontam aumento dos afastamentos por transtornos mentais em todo o país. Diante desse cenário, a SAS estabeleceu como prioridade a prevenção de agravos, com foco na identificação precoce de riscos e na criação de estratégias que fortaleçam o ambiente de trabalho.
Um dos eixos do planejamento para 2026 é a conclusão de uma pesquisa institucional que mensura a qualidade de vida no trabalho em cada unidade da assistência social municipal. O levantamento, iniciado em 2025, já entrevistou 280 servidores e segue critérios científicos para mapear aspectos como sobrecarga, vínculos interpessoais e percepção de suporte organizacional. Os resultados servirão de base para ajustes de rotina, definição de protocolos e criação de projetos específicos de saúde ocupacional.
A secretária de Assistência Social e Cidadania, Camilla Nascimento, afirma que o diagnóstico permitirá direcionar recursos de forma mais precisa. Para ela, conhecer os fatores associados ao adoecimento mental é fundamental para desenhar intervenções capazes de reduzir ausências e melhorar o desempenho das equipes responsáveis pelo atendimento à população em situação de vulnerabilidade.
Na prática, o servidor abordado pelas equipes recebe informações detalhadas sobre o plantão psicológico — modalidade de atendimento breve individual direcionada a demandas pontuais —, além de convite para participar de grupos reflexivos ou oficinas temáticas realizadas periodicamente. Ainda neste semestre, a secretaria prevê a inauguração de uma sala exclusiva para atendimentos psicológicos na nova sede administrativa, o que deve ampliar a oferta e garantir maior privacidade.
O psicólogo Eliezer Grillo, técnico de referência do Cuidando de Quem Cuida, ressalta que o enfrentamento do estigma em torno dos transtornos mentais é parte central da campanha. Ele aponta que muitos profissionais evitam relatar sintomas por receio de julgamento ou prejuízos na carreira. Ao levar informação diretamente ao local de trabalho, o programa busca reduzir barreiras, facilitar o diálogo e promover a cultura do cuidado contínuo.
Desde sua criação, o programa registra mais de 4 mil atendimentos, entre acolhimentos individuais, visitas domiciliares e intervenções psicossociais. Somente em 2025 foram contabilizados 774 atendimentos, número que, segundo a coordenação, reflete tanto a demanda reprimida quanto a confiança dos servidores na proposta.
Para executar as ações, a SAS conta com equipe multidisciplinar formada por psicólogos, assistentes sociais e pedagogos. O trabalho é reforçado por parcerias com universidades e centros de pesquisa, que disponibilizam estagiários e profissionais em formação para atividades em grupo, produção de material educativo e análise de dados. A cooperação acadêmica, de acordo com a secretaria, contribui para atualizar métodos e incorporar evidências científicas às práticas diárias.
A mobilização no Janeiro Branco integra o calendário anual de ações de saúde do trabalhador da SAS. Ao longo do ano, o Cuidando de Quem Cuida mantém rodas de conversa, campanhas temáticas e capacitações sobre comunicação não-violenta, gerenciamento de conflitos e técnicas de relaxamento. Todo o cronograma é alinhado às diretrizes nacionais de atenção psicossocial e às metas do município de reduzir índices de afastamento por questões emocionais.
Responsável por serviços essenciais, como Centros de Referência de Assistência Social, unidades de acolhimento institucional e programas de transferência de renda, a secretaria destaca que o investimento na saúde mental dos servidores impacta diretamente a qualidade do atendimento prestado à população. A expectativa é que, com intervenções sistemáticas e monitoramento contínuo, seja possível minimizar episódios de esgotamento, elevar a satisfação profissional e, consequentemente, aprimorar a execução da política pública de assistência social em Campo Grande.
As ações do Janeiro Branco seguem até o fim do mês, com cronograma de visitas a todas as unidades. Ao término do ciclo, a SAS deve consolidar relatório parcial sobre adesão, principais demandas levantadas e recomendações para o próximo semestre. A pasta informa que quaisquer serverdores que necessitem de suporte fora do período de campanha podem acionar o programa a qualquer momento pelos canais internos de comunicação.









