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Canalização do Córrego da Onça é condição para concluir sistema de drenagem no Jardim Alvorada, em Três Lagoas

O avanço das obras de macrodrenagem no Jardim Alvorada, em Três Lagoas, ainda não garante o fim definitivo dos alagamentos na região. A prefeitura informa que a etapa atualmente em execução resolve apenas parte do problema, pois a conclusão do sistema depende da canalização do Córrego da Onça, já assoreado, e também de intervenções no córrego que atravessa o Jardim Brasília.

De acordo com o prefeito Cassiano Maia, o município assegurou cerca de R$ 35 milhões em recursos federais, obtidos por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) com apoio da bancada federal. Esse montante cobre a execução dos canais, galerias e demais estruturas necessárias para conduzir a água pluvial até o leito final, evitando pontos de erosão e novos focos de enchente. Entretanto, a liberação efetiva dos valores está condicionada ao término de outras obras financiadas pelo mesmo programa.

A principal exigência é a conclusão do contorno rodoviário de Três Lagoas, projeto que também recebe verbas do PAC. Segundo as regras da iniciativa federal, novos contratos só podem ser assinados depois que empreendimentos em curso atinjam determinado percentual de execução ou sejam formalmente concluídos. Na prática, a drenagem do Córrego da Onça só terá início quando o contorno alcançar essas metas.

O cronograma, porém, sofreu novo revés. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) rescindiu o contrato com o consórcio responsável pelo contorno rodoviário, interrompendo os serviços. O órgão federal deverá convocar a empresa classificada em segundo lugar na licitação para assumir o empreendimento. Caso a companhia decline, uma nova concorrência será necessária, o que ampliará o intervalo sem atividades e, por consequência, postergará a liberação dos R$ 35 milhões destinados à canalização.

Enquanto aguarda a solução na esfera federal, o Executivo municipal avalia iniciar algumas etapas com recursos próprios. A ideia é antecipar intervenções consideradas críticas, diminuindo o impacto das chuvas mais intensas sobre moradores e comerciantes do Jardim Alvorada. Mesmo com essa possibilidade, a prefeitura reconhece que a totalidade das obras depende da verba federal, sobretudo para as intervenções de maior porte ao longo dos dois córregos.

O secretário de Infraestrutura, Osmar Dias, detalha que o sistema atual de drenagem inclui estruturas de retenção, conhecidas como piscinões, dimensionadas para armazenar volumes expressivos de água em dias de precipitação forte. Esses reservatórios amortecem o pico de vazão e reduzem a velocidade com que a água chega às áreas baixas do bairro. Segundo o gestor, os piscinões já proporcionam alívio parcial, mas não resolvem integralmente o problema porque a etapa de destinação final do excedente hídrico — a condução da água até um corpo receptor adequado — permanece pendente.

Pelos estudos técnicos, parte da rede construída no Jardim Alvorada avançará até as proximidades da BR-262. Esse trecho inicial, quando concluído, tende a diminuir a pressão sobre as ruas mais afetadas. A solução definitiva, contudo, requer a continuidade da tubulação até o ponto de deságue previsto no projeto, garantindo escoamento seguro e evitando que o fluxo retorne ou cause erosões ao longo do percurso.

No Córrego da Onça, o assoreamento visível dificulta o escoamento natural e reduz a capacidade de absorção durante temporais. A futura canalização prevê limpeza, desassoreamento, conformação das margens e possível construção de galerias de concreto, assegurando seção hidráulica suficiente para a vazão projetada. Intervenção semelhante está planejada para o córrego do Jardim Brasília, cuja contribuição ao sistema de drenagem também influencia a segurança hídrica da região.

Apesar das incertezas, a administração municipal afirma manter interlocução constante com o governo federal e com parlamentares que apoiam o projeto. A expectativa é que, uma vez retomado o contorno rodoviário e atingidos os marcos exigidos pelo PAC, a canalização dos córregos possa ser contratada sem novos entraves. Ainda não há previsão oficial de data para a retomada das obras do contorno nem para a assinatura dos contratos de drenagem, mas técnicos alertam que atrasos prolongados elevam custos e expõem moradores a riscos durante o período chuvoso.

Enquanto isso, equipes municipais seguem monitorando o comportamento do sistema provisório de piscinões e realizando manutenções de rotina nas bocas de lobo e nas pequenas galerias já implantadas. O objetivo é minimizar obstruções que possam agravar inundações antes que a solução estrutural definitiva seja executada.

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