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Candidato PSOL ao Senado aponta falta de verba para reforma agrária e propõe cinturões

Beto do Movimento nos estúdios da Massa FM Campo Grande - Foto: Ana Lorena Franco

Em entrevista ao programa Microfone Aberto da Massa FM Campo Grande, Beto do Movimento, candidato do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) ao Senado por Mato Grosso do Sul, defendeu a criação de cinturões verdes próximos aos centros urbanos, com produção da agricultura familiar, como forma de ampliar a oferta de alimentos e baixar os preços ao consumidor. O candidato apontou que a principal barreira para avançar na reforma agrária no Estado é a falta de orçamento.

Beto, nome de urna de Jonas Carlos da Conceição, tem 46 anos, nasceu em Dourados, é agricultor familiar e tem histórico nos movimentos sociais. Ele informou que cerca de 19 mil famílias vivem acampadas à beira de estradas no MS e que a produção próxima aos centros consumidores poderia reduzir custos de transporte.

O candidato propôs destinar 1% do orçamento público à reforma agrária, ressaltando que a medida dependerá de articulação com deputados federais e demais senadores. Segundo ele, a atuação parlamentar deve também priorizar infraestrutura e moradia nas comunidades rurais, com diálogo entre União e municípios.

Na área da saúde, Beto do Movimento pediu aumento do número de profissionais e mais recursos para a compra de medicamentos, além de fiscalização rigorosa e punição para casos de desvio de recursos públicos.

Ele manifestou preocupação com a expansão das plantações de eucalipto e da indústria de celulose no estado, defendendo que, embora seja a favor do agronegócio, é necessário atenção aos impactos ambientais, à preservação do Pantanal e dos recursos hídricos.

Sobre o governo federal, Beto afirmou manter um apoio crítico ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, destacando a falta de orçamento para a reforma agrária e a necessidade de avançar nas demarcações de terras indígenas.

O candidato se posicionou contra privatizações, citando a concessão da BR‑163 e a gestão da água e saneamento em Campo Grande como exemplos onde a transferência para a iniciativa privada não trouxe melhorias e aumentou as tarifas.

Quanto ao impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal, Beto declarou que seria favorável apenas se houver base jurídica e provas, ressaltando que o mecanismo não deve ser usado para beneficiar grupos políticos. Ao encerrar, reforçou o lema de campanha “com nós são outros quinhentos” e destacou sua trajetória nos movimentos sociais e na agricultura familiar como identidade da candidatura.