A disputa eleitoral de 2026 já provoca reconfigurações nas bancadas de Mato Grosso do Sul. Pelo menos sete cadeiras — cinco na Assembleia Legislativa (ALEMS) e duas na Câmara dos Deputados — podem ficar disponíveis caso atuais parlamentares confirmem a intenção de concorrer a cargos majoritários ou a diferentes funções eletivas.
Vagas federais em aberto
No âmbito federal, dois deputados sinalizam saída da Câmara. Vander Loubet (PT) teve a pré-candidatura ao Senado avalizada pela direção petista e, se oficializado, disputará uma das duas vagas que o Estado renovará em 2026. Com isso, seu posto na Câmara ficará livre para outro nome da legenda ou de coligação aliada.
Marcos Pollon (PL) também avalia trocar a reeleição por uma candidatura ao governo estadual. Embora manifeste intenção pública de disputar o Executivo, sua estratégia pode esbarrar nas negociações internas do PL, influenciadas pelo governador Eduardo Riedel. A direção regional tende a priorizar a tentativa de reeleição de Riedel, o que pode alterar os planos de Pollon, mas, mantida a pretensão, o parlamentar abrirá a segunda vaga federal em questão.
Assembleia Legislativa pode perder cinco titulares
A presidência da ALEMS, ocupada por Gerson Claro (PP), é outro ponto de atenção. O deputado avalia concorrer ao Senado em 2026. Pesquisas locais o colocam com desempenho competitivo no cenário majoritário, fortalecendo a probabilidade de que deixe a Assembleia e libere uma cadeira.
João Henrique Catan (PL) também considera migrar para a corrida ao governo estadual. O parlamentar analisa cenários dentro e fora de seu partido em busca de espaço para liderar uma chapa. Caso confirme a migração, viabilizará mais uma vaga na Casa de Leis estadual.
Há ainda duas renúncias praticamente certas na ALEMS. Mara Caseiro (PSDB) e Neno Razuk (PL) anunciaram publicamente que pretendem disputar assentos na Câmara dos Deputados. A decisão, já admitida nos bastidores das siglas, cria outras duas oportunidades para novos deputados estaduais a partir de 2027.
Um quinto lugar pode surgir em razão da estratégia da família Hashioka, vinculada ao União Brasil. O deputado estadual Roberto Hashioka aguarda o desfecho da articulação que envolve sua esposa, Dione Hashioka. O plano em discussão prevê que Roberto concorra a deputado federal enquanto Dione disputaria uma cadeira estadual. A confirmação dessa manobra abriria espaço adicional na Assembleia.
Disputa por duas vagas no Senado
A Constituição determina que, a cada oito anos, dois terços do Senado sejam renovados. Em 2026, Mato Grosso do Sul elegerá dois senadores. A busca por essas posições movimenta quadros tanto da Câmara quanto da Assembleia, como demonstram as intenções de Vander Loubet e Gerson Claro. O cenário pode atrair ainda outros nomes até o fechamento das convenções partidárias, intensificando a reorganização interna das bancadas.
Expectativa de renovação legislativa
Levantamentos de institutos locais apontam que cerca de 40% dos atuais deputados, estaduais ou federais, podem não retornar em 2027. A projeção envolve tanto as desistências em busca de outros cargos quanto eventuais derrotas nas urnas. Esse percentual reforça a ideia de um Legislativo significativamente renovado, tendência que estimula partidos a formar chapas competitivas para ocupar os espaços em aberto.
Rearranjo partidário
O tabuleiro eleitoral sul-mato-grossense também passa por reorganização de siglas. União Brasil e PP estruturam nominatas para ampliar presença na Assembleia e na Câmara, aproveitando as possíveis saídas de quadros experientes. O PL, embora avalie a candidatura de Marcos Pollon ao governo, mantém conversas para alinhar seu projeto estadual à eventual tentativa de reeleição do governador Eduardo Riedel, filiado ao PSDB.
No PT, a confirmação de Vander Loubet para o Senado exige articulação a fim de manter ou ampliar o espaço na Câmara. Já o PSDB, que terá Mara Caseiro como aposta federal, busca nomes para preservar sua representatividade na ALEMS.
Próximos passos
A agenda partidária indica que as definições devem ganhar corpo a partir do segundo semestre de 2024, quando começam as filiações estratégicas. Em 2025, os diretórios intensificarão acordos de coligação e composição de chapas. As convenções oficiais, previstas para o meio de 2026, serão o momento de formalizar candidaturas e confirmar quantas vagas efetivamente ficarão abertas.
Enquanto isso, pré-candidatos intensificam agendas regionais, buscam apoios e monitoram pesquisas. A movimentação visa consolidar visibilidade antes do período eleitoral, quando a legislação restringe determinadas ações de campanha.
Cenário até 2027
Se todos os movimentos se confirmarem, o Estado terá, a partir de fevereiro de 2027, no mínimo cinco novos deputados estaduais e dois novos representantes na Câmara dos Deputados. A conta pode crescer caso outros parlamentares entrem na corrida majoritária ou enfrentem resultados negativos. Para os partidos, o desafio é preencher as lacunas sem perder musculatura eleitoral, garantindo governabilidade e acesso a recursos do fundo partidário.
Com as datas se aproximando, líderes, candidatos e eleitores acompanham as negociações que definirão quem permanecerá e quem dará lugar a novos nomes no Legislativo de Mato Grosso do Sul.









