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Capacitação em Campo Grande habilita enfermeiros a inserir implante contraceptivo subdérmico no SUS

Enfermeiros da rede pública de saúde participam, nesta quinta-feira (11) e sexta-feira (12), de um treinamento prático focado na inserção do implante subdérmico contraceptivo em Campo Grande. A atividade acontece na Unidade Básica de Saúde da Família (UBSF) Jardim Noroeste e integra uma estratégia nacional que pretende ampliar a oferta de métodos contraceptivos de longa duração no Sistema Único de Saúde (SUS).

O programa foi desenvolvido para qualificar profissionais de enfermagem a realizar o procedimento de forma autônoma, conforme as normas do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen). A qualificação começou com aulas teóricas e exercícios em simuladores, avançando agora para a fase de aplicação do método em pacientes atendidas na própria unidade. A expectativa das autoridades de saúde é que, após a habilitação, outras UBSs e serviços especializados passem a disponibilizar o implante, reduzindo a necessidade de encaminhamentos a centros de referência e ampliando o acesso das mulheres a opções de longa duração.

A capacitação é fruto de parceria entre o Ministério da Saúde, a Escola de Saúde Pública “Dr. Jorge David Nasser”, a Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande, o Conselho Regional de Enfermagem e a rede estadual. Cada instituição contribui com recursos técnicos, instrutores ou infraestrutura, permitindo que o treinamento ocorra em ambiente real de atendimento. Para os organizadores, a atuação multiprofissional fomenta a padronização de protocolos e integra diferentes níveis de atenção à saúde reprodutiva.

Durante as duas manhãs de treinamento, os enfermeiros realizam a inserção do implante subdérmico em mulheres previamente triadas pela equipe da UBSF. O método consiste em um pequeno bastão de material flexível, colocado sob a pele do braço, que libera hormônio de forma contínua por até três anos. Considerado de longa duração, o dispositivo possui alta eficácia contraceptiva e baixa necessidade de manutenção, características que podem favorecer a adesão e a continuidade do uso.

Entre as pacientes atendidas, a nutricionista Helena Chulli Vieira informou ter escolhido o implante pela combinação entre eficácia e menor incidência de efeitos colaterais relatada em comparação a outras alternativas. Segundo os profissionais envolvidos, casos como o de Helena exemplificam a procura crescente por métodos que dispensam lembrança diária ou visitas frequentes ao serviço de saúde, oferecendo maior comodidade às usuárias.

Além de ampliar a oferta, o treinamento busca reforçar a autonomia da enfermagem na atenção básica. Conforme o regulamento do Cofen, a inserção de implante subdérmico está dentro do escopo de atuação do enfermeiro, desde que haja formação específica para o procedimento. A habilitação desses profissionais pode acelerar o atendimento em locais onde o número de médicos é limitado, garantindo o início rápido do método contraceptivo após a decisão conjunta entre paciente e equipe de saúde.

Segundo a coordenação da atividade, a escolha da UBSF Jardim Noroeste para sediar a etapa prática se deve ao perfil demográfico da região e à infraestrutura disponível. O bairro abriga população jovem e em idade reprodutiva, o que permite observar a aplicação do método em diferentes faixas etárias e necessidades. Ao término da capacitação, cada enfermeiro deverá registrar os procedimentos realizados, complicações e orientações pós-inserção, gerando dados que serão encaminhados ao Ministério da Saúde para avaliação da estratégia.

Os próximos passos incluem a expansão do curso para outros municípios de Mato Grosso do Sul e a integração do tema nos programas de educação continuada das secretarias de saúde. A meta nacional é aumentar gradualmente a cobertura dos métodos de longa duração, equilibrando a carteira de contraceptivos oferecida pelo SUS e reduzindo taxas de gravidez não planejada. Com profissionais capacitados já atuando em Campo Grande, autoridades locais estimam que a disponibilização regular do implante subdérmico comece ainda neste semestre em unidades de referência, alcançando posteriormente toda a rede básica.

O treinamento encerra-se na sexta-feira com avaliação dos participantes, discussão de casos e entrega de certificados. Para as equipes gestoras, a iniciativa representa mais um passo na qualificação dos serviços de saúde reprodutiva e na ampliação de escolhas contraceptivas para a população feminina sob cobertura do SUS.