A movimentação financeira prevista para o Carnaval de 2026 em Campo Grande alcança R$ 25,2 milhões, segundo estimativa elaborada pela Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Mato Grosso do Sul (FCDL-MS) e pela CDL Campo Grande, com suporte técnico do SPC Brasil. O montante representa aumento de 5 % em comparação ao mesmo período do ano anterior.
O levantamento, realizado de 21 a 24 de janeiro, baseou-se em 570 entrevistas telefônicas com consumidores da capital sul-mato-grossense e de diferentes municípios do interior. Os dados indicam que o feriado mantém Campo Grande como principal polo de consumo do Estado, impulsionado pelo deslocamento de moradores de cidades vizinhas.
Público do interior sustenta alta na circulação
Moradores de Dourados, Três Lagoas, Ponta Porã, Corumbá e Naviraí estão entre os que mais se deslocam para a capital durante a folia. O fluxo adicional eleva a procura por comércio, serviços e hospedagem, modificando o ritmo de vendas no varejo e na rede hoteleira.
Para o comércio local, essa permanência do público é considerada decisiva para o desempenho do período. A avaliação da CDL Campo Grande é de que estrutura adequada e organização dos eventos oficiais estimulam o consumidor a ficar na cidade, utilizar restaurantes, contratar transporte por aplicativo e aproveitar atrações de lazer.
Gasto médio projetado em R$ 550 por pessoa
Entre os moradores da capital, o estudo aponta despesa média de R$ 550 por pessoa ao longo do feriado. A maior parcela deve ser destinada a alimentação fora de casa, seguida por vestuário, calçados, deslocamentos e entretenimento. Esse padrão de consumo tem reflexo direto na arrecadação municipal, especialmente sobre o Imposto Sobre Serviços (ISS), que incide em atividades ligadas a bares, restaurantes, transporte e eventos.
No âmbito estadual, a pesquisa identificou incremento nas vendas de moda, calçados, papelarias e livrarias. O consumo do público visitante também influencia a receita de ICMS, tributo incidente sobre mercadorias.
Retorno multiplicado para a cadeia produtiva
A projeção das entidades aponta que cada real aplicado na realização do Carnaval pode gerar retorno de até sete vezes para a cadeia produtiva que envolve comércio, serviços e fornecedores. O cálculo considera gastos diretos dos foliões, compras de abastecimento e contratações temporárias.
De acordo com a FCDL-MS, os efeitos do feriado se estendem a diversos setores da economia estadual, com circulação de renda entre municípios, movimentação no transporte intermunicipal e acréscimo na atividade turística.
Compras de Carnaval e volta às aulas se sobrepõem
Além dos blocos e desfiles, parte significativa do público aproveita o recesso para compras em shoppings, polos gastronômicos e corredores comerciais. O período coincide com a reta final da temporada de volta às aulas, mantendo elevado o movimento em livrarias, papelarias e lojas de roupas e calçados infantis.
As entidades que representam o varejo avaliam que o comércio está preparado para a demanda projetada. Estoques foram reforçados e estabelecimentos ajustaram horários de funcionamento para atender consumidores de bairros e visitantes do interior.
Infraestrutura e segurança como fatores decisivos
Embora as perspectivas econômicas sejam positivas, a FCDL-MS e a CDL Campo Grande condicionam o resultado à qualidade da infraestrutura urbana. Investimentos em segurança, mobilidade, iluminação pública e apoio às escolas de samba e blocos de rua são apontados como determinantes para manter o público na cidade e assegurar estabilidade ao setor produtivo.
A expectativa é de que a organização dos desfiles, a oferta de banheiros químicos, a fiscalização de ambulantes e a disponibilidade de transporte coletivo reduzam transtornos e incentivem maiores gastos locais. A presença de patrulhamento ostensivo também é vista como elemento central para garantir a permanência de famílias e turistas nas áreas de festa.
Impacto regional ultrapassa a capital
O efeito multiplicador do Carnaval não se limita a Campo Grande. Cidades que enviam foliões à capital registram aumento nos serviços de transporte rodoviário, locação de veículos e venda de pacotes turísticos. Estabelecimentos de abastecimento, como distribuidoras de bebidas e atacadistas de alimentos, também reportam crescimento nas encomendas.
Ao mesmo tempo, municípios que promovem eventos regionais mantêm parte da receita localmente. No interior, prefeituras investem em shows, infraestrutura de segurança e apoio a blocos comunitários, ampliando o giro econômico interno.
Projeções para o calendário festivo de 2026
Com base no desempenho observado em 2025 e nas intenções de consumo mapeadas em janeiro, as entidades do varejo consideram o Carnaval de 2026 um dos eventos mais promissores do calendário sul-mato-grossense. A tendência de crescimento de 5 % no volume financeiro consolida a festa como pilar relevante da economia estadual e reforça a necessidade de planejamento antecipado entre setor público e iniciativa privada.
Se confirmadas as estimativas, Campo Grande deverá registrar uma das maiores movimentações financeiras dos últimos anos durante o período carnavalesco, beneficiando comércio, serviços, turismo e arrecadação tributária.









