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Casal é detido em Campo Grande por fabricar e vender bebidas alcoólicas adulteradas

Um homem e uma mulher foram presos em flagrante na manhã desta sexta-feira (20), em Campo Grande, suspeitos de manter um esquema de produção e comercialização de bebidas alcoólicas adulteradas. A ação foi conduzida pela Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Contra as Relações de Consumo (Decon), que cumpriu mandado de busca e apreensão no imóvel onde o casal residia e, de acordo com as investigações, manipulava o produto destinado à venda.

A apuração teve início em janeiro, após denúncia anônima que apontava a fabricação clandestina de bebidas no endereço investigado. Com base nas informações recebidas, policiais passaram a monitorar a movimentação no local e reuniram indícios de que a residência servia como ponto de envase irregular. O material coletado subsidiou o pedido de mandado judicial, expedido pelo Poder Judiciário e executado nesta sexta-feira.

No cumprimento da ordem de busca, os agentes localizaram garrafas, tampas, rótulos, funis, baldes e demais utensílios usados no processo de envase. Também foram apreendidos galões com líquidos diversos, identificados preliminarmente como conhaque e vodka de baixo custo, além de frascos de adoçante utilizados para alterar o sabor da mistura. Segundo o delegado responsável, após essa combinação, o líquido era engarrafado e rotulado como whisky de marcas mais caras, elevando artificialmente o valor de mercado do produto final.

Durante a vistoria, os policiais constataram que o ambiente não possuía piso adequado, instalação sanitária compatível nem ventilação suficiente para a atividade. As embalagens ficavam armazenadas no chão, próximas a lixo doméstico e a objetos pessoais, o que, segundo a autoridade policial, ampliava o risco de contaminação. O delegado observou ainda que, mesmo quando uma bebida original é simplesmente transferida de um recipiente para outro sem a devida esterilização, já há potencial de proliferação de agentes nocivos. No caso em análise, a situação era agravada pela mistura de componentes de origem desconhecida.

As investigações indicam que o casal vendia as bebidas em lojas de pequeno porte, por meio de entregas diretas a clientes e em grupos de aplicativos de mensagens. Para atrair compradores, os suspeitos ofereciam preços inferiores aos praticados no comércio regular, alegando promoções ou aquisição em lotes fechados. A rotulagem fraudulenta incluía a reprodução de marcas conhecidas, reforçando a ideia de autenticidade perante o consumidor.

Além da residência do casal, a polícia identificou um segundo endereço vinculado ao esquema, onde também seria cumprido mandado de busca. A existência de possível apoio logístico nesse outro ponto ainda é alvo de levantamentos. Conforme a Decon, novas diligências poderão ocorrer para verificar se outras pessoas participavam do processo de distribuição ou falsificação de documentos fiscais.

O casal foi encaminhado à sede da Decon, onde prestou depoimento e foi autuado em flagrante por crimes contra as relações de consumo e falsificação de produto destinado a fins de comércio. A situação processual dos detidos será analisada pelo Poder Judiciário, que decidirá sobre eventual conversão do flagrante em prisão preventiva ou aplicação de medidas cautelares alternativas.

Todo o material apreendido passará por perícia, que deverá determinar o grau de adulteração, a presença de substâncias tóxicas e a adequação — ou não — aos padrões fixados pela legislação sanitária. Os laudos periciais deverão compor o inquérito policial encaminhado ao Ministério Público, responsável por oferecer ou não denúncia criminal.

A Decon reforça a orientação para que consumidores verifiquem a procedência de bebidas alcoólicas, observando, entre outros itens, a integridade do lacre, a qualidade do rótulo, o número de lote e o local de compra. Denúncias sobre comércio irregular podem ser feitas de forma anônima à Polícia Civil ou aos órgãos de defesa do consumidor.

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