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Cascalheira de Três Lagoas terá entrada única, vigilância ininterrupta e normas mais rígidas

A cascalheira localizada em Três Lagoas (MS) passará a operar com acesso controlado, fiscalização permanente e regras de uso revisadas ainda em 2024. A Prefeitura conclui o cercamento do perímetro e a instalação de uma guarita, medida que pretende conter descarte irregular de resíduos, queimadas, circulação de motocicletas e outras práticas que vêm pressionando o ecossistema da área.

Segundo a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, o controle de entrada responderá por um dos principais desafios observados no local: a visitação sem qualquer monitoramento. De acordo com o fiscal ambiental Flávio Fardin, a ausência de barreiras físicas permitia a entrada livre de pessoas e veículos, situação que resultava na deposição de lixo doméstico, realização de churrascos à beira da água e, eventualmente, em focos de incêndio. A nova estrutura concentrará a chegada de visitantes em um único ponto, onde equipes municipais orientarão sobre condutas aceitáveis e proibições vigentes.

A administração informa que a população não será afastada da cascalheira, mas deverá seguir normas específicas. Caminhadas, ciclismo recreativo e contemplação da paisagem continuam autorizados, desde que não envolvam intervenções no solo ou danos à vegetação. Já atividades como churrasco, descarte de detritos e uso de motocicletas estão vetadas. O motivo, segundo o órgão ambiental, é a erosão acelerada provocada pelo tráfego de motos, que abre trilhas em terreno acidentado, desloca sedimentos e favorece o carreamento de partículas para o rio próximo.

A Secretaria de Meio Ambiente reforça que, mesmo antes da construção da guarita, essas práticas já eram legalmente proibidas, mas a carência de fiscalização tornava a aplicação difícil. Com a conclusão das obras, o espaço passará a ser monitorado 24 horas por dia por agentes municipais, que poderão alertar, autuar ou remover quem desrespeitar as regras. O cercamento físico pretende reduzir entradas clandestinas e facilitar a identificação de possíveis infratores.

Questões de segurança também motivam as mudanças. A cascalheira apresenta relevo irregular, lagos formados por antigas escavações realizadas durante a construção da Usina Hidrelétrica Engenheiro Sousa Dias (Jupiá) e profundidades desconhecidas. Relatos de afogamentos no passado levaram o município a desaconselhar banhos em qualquer trecho aquático do local. Buracos submersos e quedas bruscas de profundidade compõem um cenário de risco, sobretudo para visitantes que desconhecem a geografia da área.

Após a primeira fase, que engloba cercamento, guarita e implantação completa da vigilância, a Prefeitura planeja avanços estruturais. Entre as possibilidades estão trilhas sinalizadas, áreas de convivência, torre de observação e espaços destinados a ações de educação ambiental. A ideia é transformar a cascalheira em um parque de visitação controlada, conciliando o uso público com a conservação do patrimônio natural. A maior parte do território, porém, seguirá destinada exclusivamente à preservação, sem ocupações fixas nem edificações que comprometam a vegetação nativa ou a permeabilidade do solo.

O conjunto de normas detalhado — abrangendo horários de funcionamento, quantidade máxima de visitantes simultâneos, regras para eventos e punições por infrações ambientais — ainda está em fase final de redação. A divulgação oficial ocorrerá logo após a entrega da guarita. Até lá, a recomendação do poder público é que frequentadores evitem churrascos, mantenham todo resíduo sob sua responsabilidade até o descarte adequado e respeitem a proibição de entrada de veículos motorizados fora das vias autorizadas.

O município destaca que o sucesso do novo modelo depende da cooperação da comunidade. A reestruturação da cascalheira busca não apenas reduzir impactos ambientais imediatos, mas também garantir que o espaço permaneça disponível para lazer de forma sustentável no longo prazo. A combinação de infraestrutura física, vigilância ininterrupta e participação popular é vista pela Secretaria de Meio Ambiente como a melhor estratégia para preservar o local e, simultaneamente, permitir o contato seguro entre moradores e a natureza.

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