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Regras da CBF barram estádios de Mato Grosso do Sul e ameaçam mandos na Copa do Brasil

A atualização do regulamento da Copa do Brasil colocou os clubes de Mato Grosso do Sul diante de um novo obstáculo para disputar a competição em casa. O documento publicado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) determina que, da primeira até a quarta fase, os estádios devem oferecer capacidade mínima para 4 mil torcedores e veda o uso de arquibancadas temporárias. Nenhuma arena sul-mato-grossense cumpre ambas as exigências, o que inviabiliza, neste momento, a realização de partidas do torneio no estado.

O Estádio Jacques da Luz, principal palco de Campo Grande, exemplifica a dificuldade. Conforme laudo mais recente, o local está liberado para receber 3 216 pessoas, número inferior ao mínimo estabelecido pela CBF. Sem a possibilidade de instalar estruturas provisórias, solução adotada em anos anteriores, o estádio fica impedido de sediar confrontos da Copa do Brasil.

A restrição atinge diretamente Pantanal SAF e Ivinhema, representantes do futebol sul-mato-grossense na próxima edição do torneio. A Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul (FFMS) confirma que nenhum estádio no estado atende ao novo parâmetro de 4 mil lugares. Além do Jacques da Luz, o Ninho da Águia, em Rio Brilhante, teve a capacidade reduzida para 2 400 após vistoria do Corpo de Bombeiros; o Douradão, em Dourados, comporta 3 500 pessoas e ainda não conta com sistema de iluminação em funcionamento; o Saraivão, em Ivinhema, possui laudo para 2 800 torcedores. O Morenão, alternativa histórica em Campo Grande, permanece fechado sem previsão de reabertura.

O presidente da FFMS, Estevão Petrallas, classifica a situação como delicada. De acordo com ele, a entidade busca diálogo com a CBF para evitar que os clubes precisem transferir seus mandos de campo para outras cidades ou até para fora do estado. Petrallas afirma que continuará negociando até “o último instante”, mas reconhece que, pelas regras vigentes, o Jacques da Luz está fora dos padrões exigidos.

Nos bastidores do Operário-MS, clube que disputou a Copa do Brasil em 2025 com arquibancadas móveis, o clima é de incerteza. O presidente Coronel Nelson lembra que a solução temporária adotada naquele ano foi aprovada em todos os laudos e não registrou incidentes, mas agora está proibida pelo regulamento da CBF. Caso não haja flexibilização, o dirigente teme prejuízos esportivos e financeiros. Segundo ele, perder o mando de campo em Campo Grande significa custos de logística mais altos e distância do torcedor.

O Pantanal SAF, recém-criado e também inscrito na competição, trabalha com diferentes cenários. O presidente Gilmar Ribeiro, conhecido como Mazinho, admite que a diretoria já cogita mandar jogos fora de Mato Grosso do Sul se for sorteada com o mando de campo na primeira fase. Para Mazinho, apenas uma força-tarefa envolvendo federação, autoridades locais e CBF poderia adequar um estádio a tempo, hipótese considerada difícil diante do curto prazo e da necessidade de obras permanentes.

O impasse evidencia um problema estrutural que se arrasta há anos no futebol sul-mato-grossense. A ausência de arenas com capacidade compatível impede que grandes competições gerem receita e mobilização local, enquanto clubes de outros estados avançam em modernização. A vedação às arquibancadas provisórias, antes alternativa recorrente, agrava o cenário e pressiona por soluções definitivas, como reformas ou construções que ampliem os setores de público.

Sem reforma em andamento no Jacques da Luz e com o Morenão fechado, a FFMS aguarda possível revisão do regulamento ou liberação especial. Entretanto, a CBF mantém por enquanto a exigência de 4 mil lugares fixos e descarta exceções para a temporada. Caso nada mude, Pantanal SAF e Ivinhema terão de buscar estádios em estados vizinhos, prática que já ocorreu em anos anteriores com clubes sul-mato-grossenses.

A adoção de praças esportivas fora de Campo Grande pode impactar diretamente a presença de público e a arrecadação, além de alterar a dinâmica logística das equipes. Viagens mais longas, despesas adicionais e menor identificação do torcedor local são apontados pelos dirigentes como consequências imediatas. O problema também reduz a visibilidade do futebol regional em competições nacionais, diminuindo oportunidades de marketing e de desenvolvimento das categorias de base.

Enquanto federação e clubes tentam convencer a CBF a reavaliar as normas ou liberar soluções provisórias, não há, até o momento, cronograma de obras anunciado pelo poder público ou pela iniciativa privada para adequar qualquer estádio do estado às determinações da entidade. Dessa forma, Mato Grosso do Sul corre o risco de ficar novamente sem jogos da Copa do Brasil em 2026, repetindo um cenário que, segundo os dirigentes locais, prejudica não apenas o calendário das equipes, mas também o interesse do público e dos patrocinadores regionais.