Search

Clima favorável nos EUA baixa preço da soja em Chicago e no Brasil, diz analista

Especialista afirma que a melhora das condições da safra americana reduziu o risco climático e pressionou as cotações em Chicago - Foto: Arquivo RCN67

Em entrevista ao programa O Agro é Massa, da Rádio Massa FM Campo Grande, o analista de mercado Gilberto Leal afirmou que a melhora das condições climáticas nos Estados Unidos retirou parte do prêmio de risco da safra americana, provocando queda nas cotações da soja na Bolsa de Chicago e reduzindo o preço do grão no Brasil.

Leal explicou que, quando as chuvas voltaram ao Meio-Oeste americano, os contratos de soja ultrapassaram US$ 12 por bushel, mas o mercado reagiu rapidamente, com fundos de investimento realizando lucros e puxando o preço de Chicago para baixo.

“O produtor deveria ter aproveitado mais aquele momento positivo da Bolsa de Chicago. Os fundos realizaram posições e isso trouxe Chicago abaixo dos US$ 12 por bushel”, destacou o analista.

No Brasil, a soja na região da BR-163 recuou de aproximadamente US$ 22 para cerca de US$ 20,50, o que diminuiu as margens de comercialização para os produtores.

Apesar da queda internacional, o mercado físico brasileiro manteve-se quase estável porque os prêmios pagos nos portos subiram, chegando a mais de 165 pontos sobre Chicago, sustentando os preços internos.

Leal apontou que a oferta reduzida elevou a concorrência pelo grão, sobretudo em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, mantendo as cotações em patamares elevados mesmo com a desvalorização externa.

Segundo o analista, agosto é o mês mais decisivo para definir a produtividade da soja nos EUA; modelos meteorológicos americanos e europeus indicam chuvas regulares, reduzindo a preocupação com perdas na safra.

“Vai ficando cada vez mais claro que a safra americana está caminhando dentro da normalidade. Isso retira o prêmio de risco climático e pressiona os preços em Chicago”, afirmou Leal.

Ele ainda mencionou que um possível acordo envolvendo o Estreito de Ormuz pode influenciar o mercado internacional, ao reduzir tensões e pressionar o petróleo, o que afeta o óleo de soja.

Quanto à demanda interna, Leal alertou que as indústrias brasileiras estão concluindo seus programas de compra para os próximos meses e que o país está redirecionando parte da logística para o milho.

“A indústria já está finalizando seus programas para outubro e novembro. Se o produtor esperar demais, pode encontrar um mercado com menos compradores e menor necessidade de originar soja”, concluiu.

Isso vai fechar em 35 segundos