A Coamo, reconhecida como a maior cooperativa agrícola do país, mantém um programa de crescimento em Mato Grosso do Sul mesmo diante de uma safra de soja pressionada por custos elevados e margens mais enxutas para o produtor rural. Com presença consolidada em 13 municípios sul-matogrossenses, a organização acelera a chegada a novas áreas, especialmente na região Norte do estado, em cidades como São Gabriel do Oeste, Sonora e Bandeirantes.
A estratégia de expansão foi adotada para ampliar a cobertura de serviços aos associados e, ao mesmo tempo, diminuir a dependência logística de polos tradicionais, caso de Dourados. Ao pulverizar as operações, a cooperativa busca encurtar distâncias entre propriedades e unidades de recebimento, reduzindo gastos com transporte e tempo de deslocamento da produção.
De acordo com Renato Dziubate, gerente do entreposto da Coamo em Dourados, aproximadamente 55% da área de soja vinculada à cooperativa na região já foi colhida. As chuvas registradas nas últimas semanas, embora favoreçam o desenvolvimento do milho safrinha, retardam o avanço das colheitadeiras e ampliam o risco de avarias que podem comprometer a qualidade do grão. “O produto só está assegurado depois que entra no armazém”, afirma o executivo, ressaltando a importância da estrutura de armazenagem em um cenário climático instável.
No campo econômico, produtores enfrentam a persistência de custos elevados. Após a valorização da soja no período pós-pandemia, insumos agrícolas, peças e maquinário subiram de preço e não recuaram na mesma proporção quando as cotações internacionais passaram a oscilar. A margem de lucro mais estreita aumenta a necessidade de gestão eficiente dentro da porteira, condição que impulsiona a procura por soluções integradas oferecidas pela cooperativa.
Nesse contexto, a Coamo aposta em três frentes de suporte ao associado. A primeira é a assistência técnica, que engloba orientações agronômicas, indicação de cultivares e manejo de pragas. A segunda é o acesso a crédito próprio, viabilizado pela Credicoamo, que oferece financiamentos ajustados às particularidades do sistema cooperativista. O terceiro pilar é a comercialização, realizada com base em referências da Bolsa de Chicago, permitindo que o produtor acompanhe o mercado e defina o melhor momento para travar preços.
Além da atuação no fornecimento de serviços, a cooperativa reforça sua presença industrial para agregar valor à matéria-prima produzida pelos cooperados. Em Dourados, opera uma planta de esmagamento de soja com capacidade de processar cerca de 4 mil toneladas diárias. O complexo transforma o grão em farelo e óleo, ampliando as possibilidades de comercialização e participação da cooperativa em diferentes elos da cadeia.
A verticalização, presente desde a fundação da Coamo no Paraná há 55 anos, permanece como peça central do modelo de negócio. Conforme dados divulgados pela própria entidade, em 2025 a cooperativa registrou receita de R$ 28,7 bilhões e distribuiu mais de R$ 716 milhões em sobras aos cooperados, reforçando o compromisso de retorno financeiro aos associados.
O avanço em Mato Grosso do Sul acompanha a evolução da produção de grãos no estado, que se consolida como uma das principais fronteiras agrícolas do país. O crescimento da área cultivada, aliado aos investimentos em infraestrutura de armazenagem e processamento, cria condições para que a cooperativa amplie sua participação no mercado regional.
Com as novas unidades em implantação, a Coamo pretende otimizar a logística de escoamento, reduzir perdas na movimentação de grãos e oferecer atendimento mais próximo aos produtores. A chegada a municípios do norte sul-matogrossense também visa capturar parte da produção que, historicamente, era encaminhada a polos de outros estados ou a armazéns distantes, encarecendo a operação.
Embora o momento exija cautela devido ao aumento de custos e à flutuação das cotações internacionais da soja, a direção da cooperativa mantém projeções de continuidade dos investimentos. A diversificação geográfica e a ampliação do parque industrial são vistas como medidas essenciais para sustentar a competitividade dos associados, criando alternativas de renda e fortalecendo a cadeia produtiva regional.
Combinando expansão territorial, oferta de crédito, assistência técnica e verticalização, a Coamo busca consolidar sua posição em Mato Grosso do Sul, fornecendo aos cooperados ferramentas para enfrentar desafios de mercado e, simultaneamente, capturar oportunidades na crescente fronteira agrícola do Centro-Oeste.








