A colheita da soja em Mato Grosso do Sul atingiu 27% da área cultivada, o equivalente a aproximadamente 1,3 milhão de hectares, segundo dados da Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja-MS). O ritmo de trabalho cresceu 12 pontos percentuais na comparação semanal, e a expectativa é de intensificação das atividades até o fim de março.
A região sul do Estado concentra o maior avanço. Municípios como Sete Quedas, Aral Moreira, Rio Brilhante e Amambai já retiraram entre 50% e 60% das lavouras. Nas demais áreas, o andamento é mais lento, mas técnicos da entidade projetam aceleração conforme melhoram as condições de umidade do solo e de disponibilidade de máquinas.
Produtividade varia entre 35 e 109 sacas por hectare
Apesar da expansão da colheita, a produtividade apresenta grandes diferenças entre propriedades. Levantamentos de campo indicam resultados que vão de 35 a 109 sacas por hectare. O assessor técnico da Aprosoja-MS, Flávio Agüena, atribui a disparidade principalmente ao período de implantação das lavouras e à estiagem registrada em janeiro.
Áreas semeadas mais cedo passaram pela fase de enchimento de grãos antes do pico de falta de chuvas, o que favoreceu o acúmulo de massa e o enchimento pleno das vagens. Já talhões plantados após essa janela ficaram expostos à seca em estágio crítico de desenvolvimento, comprometendo o rendimento. Entre os registros de menor produtividade, Cidrolândia aparece com números próximos de 35 sacas por hectare.
Estimativa de 15 milhões de toneladas permanece, mas pode mudar
Até o momento, a Aprosoja-MS mantém a projeção inicial de cerca de 15 milhões de toneladas de soja para a safra 2023/2024. No entanto, a entidade sinaliza que o volume pode ser revisado conforme os resultados consolidados da colheita. Caso o desempenho dos talhões mais afetados pela seca se confirme, é possível que a produção final fique abaixo do estimado no início do ciclo.
A área total plantada com soja no Estado não sofreu alterações significativas em relação ao ciclo anterior, permanecendo em aproximadamente 4,8 milhões de hectares. A produtividade média necessária para atingir as 15 milhões de toneladas é superior a 52 sacas por hectare, patamar ainda considerado alcançável diante dos números mais altos observados em parte das propriedades.
Plantio do milho de segunda safra apresenta atraso
Paralelamente à colheita da soja, o plantio do milho safrinha avança, mas com atraso de 4% em relação à temporada passada. Até o momento, o cereal ocupa parte dos talhões liberados mais cedo, mas a área global prevista, de 2,2 milhões de hectares, só deverá ser alcançada se as condições climáticas favorecerem a operação em março.
A Aprosoja-MS trabalha com expectativa média de produtividade de 84 sacas por hectare para o milho de segunda safra. Se confirmada, essa média poderá resultar em produção próxima de 11 milhões de toneladas. Produtores que não conseguirem semear dentro da janela ideal devem optar por culturas de menor risco climático, como o sorgo, para reduzir perdas ligadas a chuvas tardias ou geadas no fim do ciclo.
Impactos da janela de plantio e da umidade
O atraso no milho está relacionado principalmente à necessidade de aguardar a retirada completa da soja, especialmente nas áreas onde a colheita se concentrou nas últimas semanas. A umidade excessiva em alguns momentos e a indisponibilidade de máquinas dedicadas à operação de semeadura também influenciaram o ritmo.
Nas regiões onde a soja foi implantada no início da temporada, a colheita adiantada permite o plantio do milho dentro dos limites considerados seguros para minimizar o risco de estiagem na fase reprodutiva. Já em áreas com colheita mais tardia, o cultivo de sorgo surge como alternativa para manter a rentabilidade e reduzir a exposição a eventos climáticos adversos.
Perspectivas para as próximas semanas
Com a previsão de tempo firme alternado com chuvas regulares, a Aprosoja-MS estima que a colheita de soja possa superar 50% da área até a primeira quinzena de março. O resultado final da produção dependerá da estabilidade das condições meteorológicas e do comportamento de talhões semeados fora do período ideal.
Para o milho safrinha, o período entre o fim de fevereiro e o início de março será decisivo. Se o plantio avançar a ponto de concluir o maior volume possível dentro da janela recomendada, a produtividade média de 84 sacas por hectare se mantém viável. Caso contrário, a produção do Estado poderá ficar aquém das 11 milhões de toneladas previstas ou depender de culturas substitutas.
A Aprosoja-MS continuará monitorando a evolução das operações de campo e atualizando as estimativas à medida que novos dados forem consolidados. Os números finais da soja e do milho deverão ser divulgados após o encerramento de ambas as etapas, previsto para o segundo semestre.









