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Especialista alerta para papel coletivo no combate ao assédio em espaços públicos

Uma reflexão sobre segurança pública divulgada neste sábado (7) pelo Jornal do Povo reforça a necessidade de vigilância permanente contra o assédio a mulheres e crianças em ruas e praças. No artigo, o médico pediatra e membro da Academia Maçônica de Letras de Mato Grosso do Sul, José Augusto Morila Guerra, argumenta que a omissão de transeuntes diante de situações de risco contribui para a repetição de abusos e transforma ambientes de convivência em locais de medo.

Guerra parte de indicadores de criminalidade que apontam a persistência de agressões em plena luz do dia para sustentar que a exposição feminina e infantil não resulta de atos individuais, mas da ação de agressores que se aproveitam da ausência de obstáculos ou da distração geral. O autor afirma que, embora a responsabilidade pelo crime pertença exclusivamente ao agressor, a realidade atual obriga possíveis vítimas a manter estado de alerta constante, prática descrita como “consciência situacional”.

Com base nesse cenário, o pediatra direciona o alerta principalmente aos homens, a quem atribui papel imprescindível na prevenção de episódios de assédio. Para ele, a postura esperada vai além de não praticar violência; inclui intervir imediatamente quando uma mulher ou criança demonstra desconforto, está cercada ou é seguida. Guerra defende que o simples olhar vigilante de terceiros pode inibir o agressor e evitar episódios mais graves.

O autor sustenta que o combate ao assédio não depende apenas de policiamento ostensivo. Na avaliação apresentada, a segurança pública também se apoia na reprovação social instantânea de comportamentos predatórios. Nesse sentido, o médico defende a formação de uma “rede de olhares protetores” capaz de evidenciar ao agressor que sua conduta está sendo observada e desaprovada por quem circula nas proximidades.

O artigo entende a omissão como conduta que favorece o agressor e, por consequência, coloca em risco a integridade física e emocional das vítimas. Segundo Guerra, a indiferença de testemunhas, muitas vezes justificada pelo receio de envolvimento ou pela certeza de que “não é problema meu”, alimenta a sensação de impunidade. Ele argumenta que substituir o medo pelo compromisso cívico é condição básica para restaurar a tranquilidade em espaços públicos.

A análise publicada pelo Jornal do Povo destaca ainda que grande parte dos abusos acontece em locais onde o acesso é livre, como terminais de transporte, calçadas movimentadas e praças frequentadas por famílias. De acordo com o autor, esses pontos deveriam simbolizar liberdade de circulação, mas se convertem em ambientes de vulnerabilidade quando a comunidade ignora sinais de perigo.

Para Guerra, a sociedade falha em seu dever primordial de garantir o direito de ir e vir sem medo quando se mantém passiva diante desses episódios. O texto propõe, portanto, a adoção de postura ativa de todos os cidadãos, independentemente de vínculo familiar com as possíveis vítimas. A expectativa é de que a mobilização coletiva funcione como escudo diante de quem busca se aproveitar do anonimato ou da distração alheia.

O pediatra afirma que a proteção de mulheres e crianças deve ser considerada um imperativo ético e civilizatório, não um gesto de cortesia. Ele frisa que intervenções rápidas—desde perguntar se a pessoa está bem até acionar imediatamente a polícia—podem definir a diferença entre um susto e uma tragédia. Além disso, ressalta a importância de atenção redobrada à infância, etapa de maior vulnerabilidade física e emocional.

Na parte final do texto, Guerra convoca todos os segmentos sociais a transformar o medo em ação concreta. Segundo ele, ruas e praças devem recuperar seu propósito original como espaços de convivência segura, processo que exige tanto políticas públicas de segurança quanto envolvimento direto da população. O especialista afirma que a “ferida aberta” provocada pelo assédio só poderá ser curada quando a cidadania se traduzir em atitudes diárias de proteção mútua.

A publicação integra a seção de opinião do Jornal do Povo e circula em Três Lagoas e região por meio da Rede RCN 67. Embora se trate de um artigo autoral, o conteúdo chama atenção para estatísticas de criminalidade que sustentam a preocupação exposta e reforça discussões sobre políticas de prevenção, atuação policial e responsabilidade social compartilhada.

Ao apresentar a discussão, o texto se soma a iniciativas de entidades de direitos humanos e órgãos de segurança que defendem a construção de ambientes urbanos mais seguros. A ênfase no papel do cidadão comum, segundo Guerra, não dispensa a atuação do poder público, mas complementa o aparato estatal ao ampliar a vigilância e a reprovação imediata de condutas agressivas.

Com o posicionamento, o artigo busca estimular reflexão sobre como cada indivíduo pode contribuir para reduzir índices de assédio, protegendo quem se encontra em situação de vulnerabilidade. A proposta central é transformar cada olhar atento em barreira ao abuso, recuperando a confiança em espaços que devem pertencer a todos.

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