As rodovias estaduais MS-240, que conecta Paranaíba a Inocência, e MS-377, no trecho entre Inocência e Água Clara, deverão ser oferecidas à iniciativa privada em leilão na Bolsa de Valores de São Paulo (B3) até o fim de 2024. O anúncio foi feito pelo governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel, durante a cerimônia de lançamento da pedra fundamental da ferrovia da empresa Arauco, realizada em Inocência na sexta-feira (6).
De acordo com o chefe do Executivo estadual, a proposta é concluir o processo licitatório ainda neste ano para que, antes do término do mandato, concessionárias assumam a administração, manutenção e ampliação dos dois trechos situados no chamado Vale da Celulose. A região concentra investimentos expressivos do setor florestal e necessita de infraestrutura capaz de suportar o aumento do tráfego de veículos pesados.
A MS-377 é utilizada intensamente para o transporte de toras de eucalipto, maquinário, insumos e produtos acabados. Com cerca de 130 quilômetros de extensão, a via liga áreas de plantio à futura fábrica da Arauco, projetada para ser a maior unidade de celulose do mundo em linha única, às margens da rodovia. A interligação com a BR-262 permite acesso direto aos estados de Minas Gerais e São Paulo, ampliando a importância logística do corredor.
O crescimento da circulação de caminhões sobrecarregou o pavimento, gerando rachaduras, buracos e remendos. Diante desse cenário, o governo estadual programou intervenções emergenciais estimadas em R$ 30 milhões para reforçar dois acessos principais da MS-377. Essas obras serão realizadas enquanto se conclui o modelo definitivo de concessão.
Além da preparação para o leilão das duas vias, o evento em Inocência marcou a assinatura do contrato de concessão da Rota da Celulose entre o Estado e a XP Infra, líder do consórcio Caminhos da Celulose. O acordo abrange um sistema mais amplo de estradas, envolvendo as rodovias estaduais MS-040, MS-338 e MS-395, bem como as federais BR-262 e BR-267.
Conforme os termos assinados, o consórcio investirá R$ 10,1 bilhões ao longo de 30 anos. Desse montante, R$ 6,9 bilhões serão destinados a obras de expansão e modernização (despesas de capital), enquanto R$ 3,2 bilhões cobrirão custos operacionais, incluindo serviços de conservação e atendimento aos usuários.
O pacote prevê ações de recuperação estrutural, operação integral, conservação rotineira e ampliação de capacidade das rodovias sob concessão. Entre as metas técnicas definidas estão a implantação de acostamento em todo o sistema, duplicação de 115 quilômetros, construção de 245 quilômetros de terceiras faixas, abertura de 12 quilômetros de vias marginais e 38 quilômetros de contornos urbanos.
Também estão programadas a adequação de dispositivos de acesso em nível e em desnível, passagens de fauna, alargamento de pontes e a construção de novas obras de arte especiais, como viadutos e passarelas para pedestres. O objetivo, segundo o governo, é elevar o padrão de segurança e fluidez do tráfego nas regiões atendidas.
No campo da tecnologia, o contrato introduz sistemas de pedágio eletrônico em free flow, dispensando cabines fixas e permitindo cobrança automática por meio de pórticos. Haverá ainda balanças de pesagem eletrônica dinâmica e, no mínimo, 484 câmeras equipadas com reconhecimento óptico de caracteres, integradas a um centro de controle para monitoramento em tempo real.
As inovações incluem painéis de mensagem variável e canais de comunicação direta com os motoristas para informar condições de tráfego, obras ou situações de emergência. Segundo a Secretaria Estadual de Infraestrutura, a digitalização dos serviços deve reduzir tempo de viagem, aumentar a previsibilidade logística e contribuir para a diminuição de acidentes.
Com a concessão das rodovias MS-240 e MS-377, o governo pretende consolidar um corredor logístico robusto para atender à demanda crescente do setor de base florestal. A expectativa é de que a conclusão das obras na fábrica da Arauco, somada à entrada em operação das melhorias rodoviárias, fortaleça a competitividade do Estado no mercado internacional de celulose.
O cronograma oficial estabelece que os editais de leilão serão publicados nos próximos meses. Depois da seleção da concessionária, o contrato deverá estipular metas de curto, médio e longo prazos para restauração do pavimento, implantação de dispositivos de segurança e instalação dos sistemas tecnológicos previstos.
Segundo o governo, a modelagem financeira buscará tarifas de pedágio compatíveis com a manutenção dos investimentos e o poder aquisitivo dos usuários. O processo será acompanhado por órgãos de controle e pela Agência Estadual de Regulação (Agems), que fiscalizará o cumprimento das obrigações contratuais.
O Vale da Celulose concentra ainda operações da Suzano, que mantém estação intermodal em Inocência e utiliza as mesmas rotas para escoamento de produção. A presença de múltiplos empreendimentos reforça a necessidade de estradas em boas condições, capazes de sustentar o fluxo previsto para os próximos anos.
Com a confirmação do leilão na B3 e a assinatura do contrato da Rota da Celulose, Mato Grosso do Sul avança na estratégia de utilizar parcerias com o setor privado para modernizar sua malha viária. Os investimentos, segundo o Executivo, deverão reduzir custos logísticos, estimular novos projetos industriais e impulsionar a geração de empregos na região leste do Estado.








