A 26ª Reunião Ordinária do Conselho Deliberativo do Desenvolvimento do Centro-Oeste (Condel) foi realizada na quarta-feira (11), em Brasília, com a participação de representantes do Governo Federal, dos quatro estados da região e de instituições financeiras. No encontro, foram definidas novas estratégias para ampliar o acesso ao crédito, fortalecer o desenvolvimento econômico nos municípios e aumentar a capilaridade das linhas de financiamento operadas pelo Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO) e pelo Fundo de Desenvolvimento do Centro-Oeste (FDCO).
Mato Grosso do Sul esteve representado pelo vice-governador José Carlos Barbosa, conhecido como Barbosinha. Ele ressaltou que os instrumentos de crédito federais têm papel decisivo na expansão das atividades produtivas locais. De acordo com o vice-governador, a oferta de financiamentos por meio do FCO beneficiou diversos segmentos – da agricultura familiar ao agronegócio de grande escala – e contribuiu para o avanço de 13,4 % do Produto Interno Bruto sul-mato-grossense em 2023.
O principal resultado da reunião foi a aprovação da nova linha FCO Jovens Empreendedores, voltada a pessoas de até 29 anos interessadas em abrir ou expandir negócios nos setores industrial, comercial, de serviços ou agropecuário. O produto financeiro permitirá o financiamento de até 100 % do valor dos projetos, incluindo investimento fixo, capital de giro associado e despesas de implantação. Também foram fixados prazos ampliados de carência e pagamento, facilitando o fluxo de caixa nas fases iniciais dos empreendimentos. A expectativa do Condel é que a medida estimule a geração de renda, crie empregos e reduza a migração de jovens para outras regiões ao possibilitar que permaneçam em suas localidades de origem.
Além da linha dedicada aos novos empreendedores, o colegiado aprovou o FCO Turismo Rural e Agroecológico. Essa modalidade financiará obras de infraestrutura, aquisição de equipamentos, capacitação técnica e projetos de preservação ambiental em propriedades que desejem integrar atividades turísticas à produção agropecuária. A iniciativa busca valorizar o patrimônio natural e cultural do campo, diversificar as fontes de receita das famílias rurais e ampliar a oferta de serviços turísticos sustentáveis no Centro-Oeste.
A superintendente da Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco), Luciana de Sousa Barros, informou que os avanços nas linhas do FCO decorrem da articulação entre Sudeco, Banco do Brasil — agente financeiro do fundo — e governos estaduais. Segundo a gestora, mesmo com estrutura administrativa reduzida, a autarquia tem ampliado sua presença territorial e ajustado os instrumentos de crédito para atender diferentes perfis de tomadores, estimulando a inclusão produtiva e a competitividade das economias locais.
Durante a reunião, os conselheiros também tomaram conhecimento do Relatório Anual de Gestão da Ouvidoria do FCO referente a 2025. O documento trouxe indicadores de desempenho, manifestações recebidas e recomendações de melhorias na execução das políticas de financiamento. No mesmo painel, foram apresentados os dados consolidados das operações contratadas entre novembro de 2025 e janeiro de 2026. No período, houve a liberação de operações individuais superiores a R$ 10 milhões, somando mais de R$ 600 milhões em investimentos produtivos distribuídos entre Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal e os municípios da faixa de integração interestadual.
Barbosinha destacou que as linhas voltadas a mulheres, produtores rurais e microempreendedores continuarão recebendo atenção especial nas próximas deliberações do Condel. De acordo com o vice-governador, a combinação de crédito facilitado, assistência técnica e planejamento de longo prazo é essencial para manter o ritmo de expansão observado nas cadeias agrícola, pecuária e de serviços de Mato Grosso do Sul.
O Condel, instância formada por representantes dos ministérios setoriais, governadores, bancos públicos e sociedade civil, reúne-se periodicamente para definir as diretrizes de aplicação dos recursos do FCO e do FDCO. As decisões aprovadas em Brasília serão agora regulamentadas pelo Banco do Brasil, responsável pela operacionalização dos financiamentos, e pelos órgãos de fomento estaduais, que atuarão na divulgação das novas condições ao público-alvo e no acompanhamento dos projetos financiados.
Com as medidas anunciadas, o colegiado pretende ampliar a participação de micro e pequenos negócios no portfólio de operações do FCO, incentivar práticas de turismo sustentável no meio rural e oferecer condições diferenciadas para que jovens tenham protagonismo na economia regional. As primeiras contratações das linhas recém-criadas devem ocorrer após a publicação dos normativos internos e a conclusão dos ajustes operacionais exigidos pelo agente financeiro.








