O Consórcio Guaicurus, responsável pela operação do sistema de transporte coletivo urbano em Campo Grande, divulgou nesta sexta-feira (5) que a continuidade dos serviços corre risco imediato em razão do atraso nos repasses financeiros devidos pelo poder público municipal. Segundo a entidade, estão pendentes valores referentes ao vale-transporte, subsídios tarifários e demais componentes contratuais previstos para o equilíbrio econômico da concessão.
A ausência de regularização compromete, de forma direta, o caixa destinado a despesas consideradas essenciais para o funcionamento diário da frota. O consórcio afirma que a situação atingiu o limite da capacidade financeira, deixando em aberto pagamentos imprescindíveis à manutenção das operações. Entre os compromissos ameaçados estão a quitação da folha salarial dos motoristas, cobradores e demais funcionários, bem como o acerto do décimo terceiro salário, cuja primeira parcela costuma ser liberada no segundo semestre.
Além dos encargos trabalhistas, o atraso afeta itens operacionais básicos, como abastecimento de combustível, aquisição de peças, serviços de manutenção preventiva e corretiva dos veículos, tarifas de garagem e custos administrativos. De acordo com a operadora, a falta de fluxo de caixa impede inclusive o pagamento regular de fornecedores estratégicos, situação que eleva o risco de paralisação total ou parcial da frota.
Os impactos de uma eventual interrupção dos serviços alcançariam diretamente milhares de passageiros que utilizam diariamente as linhas urbanas para deslocamento em Campo Grande. O transporte coletivo integra a principal alternativa de mobilidade para grande parte da população, conectando bairros periféricos ao centro comercial e a polos de serviços públicos. A possibilidade de suspensão das operações pode, portanto, comprometer o funcionamento de escolas, unidades de saúde, comércio e repartições, além de aumentar a pressão sobre o trânsito de veículos particulares.
O Consórcio Guaicurus enfatiza que as obrigações financeiras vêm sendo acumuladas desde períodos anteriores e que, sem a entrada dos recursos devidos, não há margem para contrair novas linhas de crédito ou renegociar débitos em andamento. A entidade alega ter esgotado todas as alternativas internas para manter as viagens em operação regular, incluindo a adoção de medidas de contenção de gastos e ajustes em rotas.
Conforme previsto no contrato de concessão firmado com a Prefeitura de Campo Grande, o poder concedente é responsável por repassar valores referentes ao vale-transporte adquirido pelos servidores municipais, aos subsídios que equilibram o valor das passagens e aos componentes tarifários vinculados a variações de custos, como preço do óleo diesel. A operadora detalha que esses repasses são fundamentais para assegurar a sustentabilidade do sistema diante da receita obtida com a venda direta de bilhetes aos usuários.
Sem a regularização imediata, o consórcio considera inevitável a adoção de medidas drásticas, que podem incluir a redução do número de veículos em circulação, a supressão de horários de menor demanda e, no cenário mais extremo, a paralisação completa do serviço. Tal possibilidade é descrita pela empresa como último recurso para cumprir obrigações legais e trabalhistas em meio à indisponibilidade de caixa.
O alerta foi oficialmente encaminhado à administração municipal, acompanhado de demonstrativos contábeis que apresentam a defasagem financeira acumulada. Representantes do consórcio solicitaram reunião emergencial para definir um cronograma de quitação das pendências e evitar impacto direto sobre a população. Até o momento da divulgação da nota, a Prefeitura de Campo Grande não havia confirmado data para o pagamento dos valores em atraso nem apresentado proposta formal de negociação.
Em comunicado, o Consórcio Guaicurus reiterou que permanece disposto a manter o diálogo com o poder público, mas frisa que a operação depende do cumprimento integral das obrigações previstas em contrato. Segundo a empresa, a manutenção do serviço público essencial requer previsibilidade de receita, especialmente em períodos que antecedem o pagamento do décimo terceiro salário e elevam as despesas operacionais devido às festas de fim de ano.
A redação do veículo de imprensa responsável pela divulgação das informações informou que continua em contato com a Prefeitura de Campo Grande para obter posicionamento oficial sobre o cronograma de repasses, bem como eventuais medidas que venham a ser adotadas para garantir a continuidade do transporte coletivo na capital sul-mato-grossense.









