A construção civil encerrou 2025 como principal geradora de empregos com carteira assinada em Mato Grosso do Sul. Dados do Novo Caged apontam saldo positivo de 5.873 vagas nesse segmento, número que colocou o setor à frente de serviços, indústria, comércio e agropecuária no Estado.
No total, a economia sul-mato-grossense registrou 19.756 novos postos formais no período, avanço de 61% em relação a 2024. O resultado marca retomada do ritmo de contratações após dois anos de desaceleração, embora ainda distante dos picos superiores a 40 mil empregos observados em 2021 e 2022.
Influência de grandes empreendimentos
O desempenho da construção civil foi impulsionado pela fase de implantação de projetos industriais de grande porte, especialmente no segmento de papel e celulose. Esse tipo de investimento exige obras de infraestrutura que se estendem além da planta principal, envolvendo estradas, redes de energia, alojamentos, ajustes urbanos e logística. A amplitude dessas frentes eleva a demanda por mão de obra e costuma colocar o setor na liderança quando a atividade econômica acelera.
Especialistas ressaltam, contudo, que o saldo positivo não se deve apenas às chamadas megafábricas. Obras públicas, expansões industriais de menor porte e o mercado imobiliário urbano também contribuíram para o aumento das contratações ao longo do ano.
Desempenho dos demais setores
Depois da construção civil, o segmento de serviços foi o segundo maior responsável pela geração de vagas em 2025, com 4.835 novos empregos. A indústria, excluindo obras de construção, somou 4.536 vagas. Comércio e agropecuária vieram na sequência, com 3.258 e 1.256 postos, respectivamente.
Esse perfil reflete a estrutura da economia estadual, que combina atividades ligadas ao agronegócio com polos industriais em expansão e crescente demanda por serviços de apoio.
Reinvestimento e circulação de renda
Mato Grosso do Sul se destaca pelo percentual de recursos públicos direcionados a obras estruturantes. O alto nível de reinvestimento reforça projetos de infraestrutura, melhora a logística interna e potencializa a circulação de renda. Esses fatores criam ambiente favorável para o avanço da construção civil e de setores complementarmente associados, como transporte e fornecimento de insumos.
Desafios de mão de obra
Apesar do resultado positivo, o Estado enfrenta dificuldade para preencher vagas já abertas. Agências de emprego e empresas relatam falta de profissionais qualificados e, em alguns casos, de trabalhadores dispostos a se deslocar para regiões onde os canteiros de obras se concentram. Para manter o ritmo de crescimento, a qualificação contínua da mão de obra local e a atração de profissionais de outras unidades da federação são apontadas como medidas prioritárias.
Caráter temporário das vagas
Outro ponto de atenção diz respeito à natureza dos postos gerados. Parte expressiva das contratações ocorre durante a fase de construção, que possui duração determinada. A continuidade do emprego no médio e longo prazo dependerá do fortalecimento de atividades permanentes, tais como operação industrial, logística, silvicultura e prestação de serviços. Uma vez concluídas as obras, esses segmentos tendem a absorver parte dos trabalhadores envolvidos, mas nem todas as vagas se convertem em posições estáveis.
Recuperação após desaceleração
O salto de 61% no saldo anual indica reversão de tendência após dois anos de perda de fôlego. Em 2023 e 2024, o Estado viu o número de contratações cair, movimento atribuído à conclusão de projetos anteriores e à instabilidade econômica nacional. O resultado de 2025 sugere novo ciclo de expansão, embora ainda inferior às marcas do início da década.
Para 2026, analistas acompanham a continuidade dos projetos industriais já anunciados e a execução de obras públicas em andamento como fatores que podem sustentar geração de empregos. A efetividade desses investimentos, no entanto, estará condicionada à capacidade de suprir demanda por mão de obra qualificada e à evolução de setores de atividade contínua que mantenham a base de empregos após a fase de construção.
Com o saldo de 19.756 vagas formais em 2025, Mato Grosso do Sul reforça a posição da construção civil como peça central da dinâmica econômica estadual, mas também evidencia a necessidade de estratégias de longo prazo para consolidar empregos permanentes e equilibrar o mercado de trabalho regional.









