Manter as obrigações fiscais em dia é condição indispensável para que o Microempreendedor Individual (MEI) preserve o acesso à aposentadoria e a uma série de benefícios previdenciários. O alerta foi feito pela consultora do Sebrae em Aparecida do Taboado, Franciele Silveira, durante entrevista ao programa RCN Notícias, da Rádio Cultura FM. Segundo ela, o cumprimento do pagamento mensal da guia DAS e da declaração anual determina se o trabalhador formalizado continuará coberto pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Direitos garantidos ao contribuinte
Criado em 2008 e implantado em 2009, o regime do MEI foi concebido para formalizar profissionais autônomos e permitir que eles passassem a recolher para a Previdência Social. Quando as guias são quitadas dentro do prazo, o empreendedor tem direito à aposentadoria por idade, auxílio por incapacidade temporária, aposentadoria por invalidez, salário-maternidade, pensão por morte e auxílio-reclusão, desde que sejam atendidos os requisitos gerais exigidos a qualquer segurado.
O período de contribuição como MEI pode ser somado ao tempo de trabalho registrado em carteira para efeito de aposentadoria. Hoje, a idade mínima segue as normas vigentes: 65 anos para homens e 62 anos para mulheres, respeitando também o tempo mínimo de recolhimento. Caso o segurado deseje renda superior ao salário mínimo na aposentadoria, é possível complementar a contribuição com guias específicas vinculadas ao mesmo número de PIS.
Consequências do atraso nas guias
Franciele Silveira destacou que a inadimplência acarreta mais do que a perda temporária de proteção previdenciária. Com o não pagamento da guia DAS, o microempreendedor fica impedido de emitir certidões negativas, requisito frequente para obter crédito em bancos ou participar de licitações. Dívidas antigas podem evoluir para inscrição em Dívida Ativa da União, gerando multa, juros e, em situações extremas, o cancelamento do CNPJ.
Outro compromisso obrigatório é a Declaração Anual do Simples Nacional para o MEI. A entrega deve ocorrer mesmo que não tenha havido faturamento no período. O descumprimento sujeita o contribuinte a multa automática e, se persistir, à suspensão das atividades empresariais.
Acesso a linhas de crédito
Com a situação cadastral regular, o MEI tem a possibilidade de recorrer a programas como Pronampe, FAMP ou financiamentos convencionais oferecidos por instituições financeiras. Para aprimorar a organização, a consultora recomenda contas bancárias distintas para pessoa física e jurídica e a adesão ao débito automático da guia DAS, reduzindo o risco de atrasos.
Impacto sobre benefícios sociais
A formalização, entretanto, pode interferir em políticas sociais. De acordo com Franciele, programas como Bolsa Família, BPC/Loas, Fies, ProUni, seguro-desemprego e aposentadoria por invalidez podem ser revistos quando o titular abre um CNPJ. Por isso, antes da inscrição como MEI, o cidadão deve consultar os órgãos responsáveis para verificar eventuais repercussões em sua renda declarada e nos critérios de permanência nos programas.

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Limite de faturamento e atividade permitida
O microempreendedor deve observar o teto anual de R$ 81 mil em receita bruta para empresas que operam durante todo o ano-calendário. Quando o CNPJ é constituído a partir de qualquer mês que não seja janeiro, o limite é proporcional ao período de funcionamento. Exceder esse valor provoca desenquadramento automático, passando a empresa a recolher como microempresa ou empresa de pequeno porte, com tributação diferente.
Nem todas as ocupações podem aderir ao modelo simplificado. Profissões reguladas por conselhos, como medicina, advocacia e contabilidade, não estão contempladas na lista de atividades permitidas. O empreendedor deve checar se o CNAE pretendido está habilitado antes de solicitar o registro.
Onde buscar orientação gratuita
Para evitar equívocos, Silveira recomenda que o empresário procure apoio técnico. Em Aparecida do Taboado, a Sala do Empreendedor, instalada na Casa do Trabalhador, oferece atendimento sem custo para abertura de empresas, emissão de guias, parcelamentos e esclarecimento de dúvidas. O Sebrae também mantém cursos, consultorias e materiais online que auxiliam desde o planejamento até a gestão financeira e tributária do pequeno negócio.
Na avaliação da consultora, informação e disciplina financeira são as melhores ferramentas para que o MEI continue beneficiado pela legislação. A quitação pontual da guia DAS, a entrega da declaração anual e o controle do faturamento formam o tripé que sustenta não apenas a manutenção dos benefícios previdenciários, mas também a credibilidade da empresa diante de clientes, fornecedores e instituições financeiras.








