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Avanço do Corredor Bioceânico aumenta tráfego e desafia segurança viária em rodovias federais de MS

O crescimento do Corredor Bioceânico, aliado à instalação de novas indústrias em Mato Grosso do Sul, tem provocado mudanças significativas no volume e no perfil do trânsito nas rodovias federais que cortam o estado. A avaliação é do superintendente da Polícia Rodoviária Federal em MS, inspetor João Paulo Pinheiro Bueno, que aponta expansão do fluxo de veículos, incremento de cargas pesadas e maior circulação de condutores estrangeiros como fatores que exigem adaptação constante das ações de fiscalização e segurança viária.

Segundo o dirigente, a PRF é a única corporação policial de caráter ostensivo da União com competência para atuar em todo o sistema rodoviário federal. Em Mato Grosso do Sul são mais de 4 mil quilômetros de estradas sob responsabilidade do efetivo de aproximadamente 615 policiais. Nesse cenário, o avanço econômico do estado, impulsionado pelo corredor logístico que conectará portos brasileiros no Atlântico a terminais chilenos no Pacífico, já resulta em tráfego mais intenso tanto de veículos de carga quanto de passeio.

Aumento de veículos estrangeiros

Historicamente, a condição fronteiriça faz com que automóveis da Bolívia e do Paraguai cruzem as BRs sul-matogrossenses. Com a consolidação do Corredor Bioceânico, espera-se presença mais frequente também de caminhões e automóveis da Argentina e do Chile. Para reduzir barreiras de comunicação e padronizar orientações, a PRF elaborou uma cartilha do Mercosul, que traz a legislação de trânsito brasileira traduzida para o espanhol e a outros idiomas regionais, disponível em site e aplicativo oficiais.

Crime organizado muda perfil

Na área criminal, o trânsito permanece instrumento-chave para o tráfico de entorpecentes. Bueno relata que, embora a maconha continue entre as drogas mais apreendidas, o transporte de cocaína ganhou relevância nos últimos anos. Há cerca de cinco anos, a apreensão anual girava em torno de duas toneladas. Em 2025, o volume chegou a 14 toneladas, indicando intensificação do uso de Mato Grosso do Sul como rota por organizações criminosas.

Também há registros de caminhões furtados ou roubados em outros estados que são encaminhados à fronteira para posterior envio a países vizinhos. A PRF trabalha de forma integrada com Polícia Civil, Polícia Militar e Polícia Federal para interceptar esses veículos antes que alcancem regiões transfronteiriças, empregando intercâmbio de informações de inteligência e ações conjuntas de bloqueio.

Infraestrutura sob pressão

O adensamento do tráfego pesado impacta rodovias como a BR-262, corredor que liga Corumbá a Três Lagoas e concentra caminhões carregados de minério, celulose e biocombustíveis. Muitos trechos ainda são de pista simples e apresentam ausência de acostamento, sobretudo no sul do estado, fator que agrava a gravidade dos acidentes. O superintendente destaca que, embora a infraestrutura rodoviária não seja responsabilidade direta da PRF, a corporação mantém diálogo permanente com o governo estadual, prefeituras e concessionárias para indicar pontos críticos e sugerir adequações.

Dentro dos perímetros urbanos, áreas de Campo Grande e Dourados são consideradas mais suscetíveis a sinistros, pois concentram o encontro entre veículos leves e carretas de grande porte. Os registros mostram que excesso de velocidade, ultrapassagens irregulares e desatenção ocupam as primeiras posições entre as causas de acidentes, superando até mesmo defeitos na via.

Tecnologia compensa efetivo reduzido

Para cobrir longas extensões com quadro de servidores limitado, a Polícia Rodoviária Federal investe em soluções tecnológicas. Drones, sistemas de monitoramento à distância e viaturas equipadas com internet via satélite ampliam a capacidade de fiscalização em áreas sem cobertura de telefonia móvel. Esses recursos permitem emitir alertas em tempo real e direcionar equipes para ocorrências de maior gravidade.

Orientações ao motorista

A corporação reforça que a prevenção continua sendo o principal instrumento para reduzir fatalidades. Entre as recomendações aos usuários das BRs do estado, destacam-se:

  • Planejar a viagem considerando tempo de trajeto, paradas e condições climáticas;
  • Respeitar a sinalização, limites de velocidade e locais permitidos para ultrapassagem;
  • Manter distância segura de caminhões e carretas, sobretudo em trechos de pista simples;
  • Usar cinto de segurança em todos os assentos e evitar o manuseio de celular ao volante;
  • Verificar condições mecânicas do veículo antes de iniciar o percurso.

Bueno ressalta que a integração de esforços entre poder público, iniciativa privada e condutores é essencial para que o desenvolvimento logístico promovido pelo Corredor Bioceânico ocorra sem comprometer a segurança viária. Com tráfego em expansão e perfil de circulação cada vez mais diversificado, as medidas de fiscalização, infraestrutura e educação no trânsito tornam-se centrais para prevenir acidentes e coibir o avanço da criminalidade nas rodovias federais de Mato Grosso do Sul.

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