Brasília (DF) – A Prefeitura de Corumbá detalhou, nos dias 26 e 27 de fevereiro, as principais ações de prevenção e combate a incêndios florestais desenvolvidas no Pantanal durante uma capacitação promovida pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). O encontro ocorreu na sede do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), na capital federal, e reuniu representantes de municípios considerados prioritários nas regiões da Amazônia e do Pantanal.
Plano Integrado e comitê municipal
No evento, o município sul-matogrossense apresentou o Plano de Ação Integrado para Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais no Pantanal e expôs a criação do Comitê Municipal de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais. Essas iniciativas, segundo a administração local, são estruturadas para coordenar órgãos públicos, sociedade civil e iniciativa privada na resposta a focos de queimada, bem como na preparação durante o período de maior risco.
A secretária municipal de Governo e Gestão Estratégica, Josileia Rigo Marques, representou o prefeito Dr. Gabriel Alves de Oliveira na capacitação. A participação de Corumbá foi formalizada a partir de convite do secretário extraordinário de Controle do Desmatamento e Ordenamento Ambiental Territorial, André Lima, que enfatizou a necessidade de compartilhar experiências bem-sucedidas para aperfeiçoar políticas públicas ambientais em todo o país.
Objetivos do encontro
A capacitação reuniu coordenadores dos convênios contemplados pelo Edital FNMA nº 1/2025, além de técnicos e responsáveis financeiros dos projetos financiados pelo Fundo Nacional do Meio Ambiente. Equipes do MMA, do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) apresentaram orientações sobre planejamento, execução e monitoramento de ações voltadas ao enfrentamento de incêndios florestais em áreas sensíveis.
Durante as exposições, foram abordados procedimentos para uso eficiente de recursos federais, critérios de prestação de contas, estratégias de comunicação com comunidades locais e integração entre União, estados e municípios. Os participantes também discutiram a padronização de protocolos operacionais e a necessidade de fortalecer brigadas regionais diante do avanço do fogo em biomas como Amazônia e Pantanal.
Experiência de Corumbá
Representantes corumbaenses detalharam medidas adotadas para ampliar a capacidade de resposta a focos de incêndio e intensificar a articulação com órgãos federais. Entre os pontos destacados estão o mapeamento de áreas críticas, a instalação de pontos de abastecimento de água em zonas de difícil acesso e a capacitação contínua de brigadistas.
O coordenador de Brigadas da Defesa Civil de Corumbá, Gilson Gonçalves, apresentou uma palestra sobre a estruturação do Plano Operativo Municipal, documento que define responsabilidades e fluxos de atuação ao longo da temporada crítica. O plano estabelece diretrizes para mobilização de equipes, logística de equipamentos, monitoramento por satélite e uso de aeronaves de apoio quando necessário. Segundo Gonçalves, o objetivo é otimizar o tempo de resposta, reduzir a área queimada e mitigar impactos ambientais e sociais.
Integração regional
Além de compartilhar suas práticas, Corumbá buscou fortalecer parcerias com outras administrações municipais presentes no evento. A troca de informações incluiu temas como o engajamento de comunidades ribeirinhas na detecção precoce de focos de calor, ações educativas em escolas e campanhas de conscientização sobre queimadas ilegais.
A delegação municipal salientou também a importância da cooperação com o Estado de Mato Grosso do Sul para viabilizar recursos adicionais e garantir a permanência de brigadas especializadas durante todo o ano, não apenas no período de seca. Essa articulação visa consolidar uma estratégia integrada em territórios vulneráveis, alinhada às políticas federais de prevenção ao desmatamento e à degradação ambiental.
Próximos passos
Com o encerramento da capacitação, o Ministério do Meio Ambiente deve compilar as experiências apresentadas para desenvolver diretrizes voltadas a municípios que enfrentam riscos semelhantes. A expectativa é que as boas práticas de Corumbá, especialmente a atuação conjunta do Plano Integrado, do comitê municipal e do Plano Operativo, sirvam de referência para outras localidades do Pantanal.
A prefeitura informou que continuará monitorando indicadores de risco de incêndio e promoverá novas rodadas de treinamento para voluntários e agentes públicos. As ações integram o calendário oficial de preparação para a temporada de queimadas de 2024, período que historicamente concentra a maior quantidade de focos no bioma pantaneiro.
O encontro em Brasília reforçou a necessidade de alinhamento entre diferentes esferas de governo e trouxe recomendações técnicas para aprimorar a execução de convênios. Para Corumbá, a participação permitiu validar estratégias já em curso e buscar apoio institucional na expansão de iniciativas que visam proteger o Pantanal, reduzir prejuízos econômicos e salvaguardar a saúde das populações afetadas pela fumaça.








