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Instituto Homem Pantaneiro debate uso de créditos de carbono e biodiversidade para conservar a Serra do Amolar

Campo Grande (MS) – O Instituto Homem Pantaneiro (IHP) promove nesta quinta-feira (26) um painel dedicado ao potencial dos créditos de carbono e de biodiversidade como fonte de financiamento permanente para ações de conservação no Pantanal. O encontro ocorre pela manhã, na Casa do Homem Pantaneiro, instalada no Parque das Nações Indígenas, em Campo Grande.

O debate reúne representantes do IHP, da ISA Energia e da ERA Brazil com o objetivo de apresentar resultados obtidos na Serra do Amolar e discutir a viabilidade de ampliar o modelo para outras regiões. A iniciativa se insere nas estratégias de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) já implementadas em aproximadamente 300 mil hectares que compõem a Rede Amolar, considerado um corredor essencial para espécies migratórias e para a conectividade de ecossistemas dentro do bioma pantaneiro.

De acordo com o presidente do IHP, Angelo Rabelo, o evento pretende demonstrar soluções “replicáveis em larga escala” a partir da experiência local. A manutenção de áreas protegidas, aliada à geração de receita via mercados voluntários de créditos, é apontada como alternativa para reduzir a dependência exclusiva de recursos públicos e doações pontuais.

O painel destaca que o projeto de crédito de carbono da Serra do Amolar foi o primeiro do Pantanal a obter certificação. A iniciativa recebeu apoio do programa Conexão Jaguar, financiado pela ISA Energia, e estabeleceu metodologia própria para mensurar emissões evitadas e serviços ecossistêmicos decorrentes da conservação.

Além do carbono, ganha espaço a discussão sobre créditos de biodiversidade, cujo processo de certificação na Rede Amolar está previsto para 2025. Diferentemente de instrumentos de compensação ambiental, esses créditos destinam recursos diretamente à proteção de áreas que já apresentam alto grau de preservação, remunerando proprietários ou gestores pelo serviço de manutenção dos habitats intocados.

A metodologia aplicada foi desenvolvida pela ERA Brazil em cooperação com a plataforma internacional Regen Network. Entre os critérios de elegibilidade constam monitoramento científico contínuo, existência de planos de manejo e comprovação de benefícios mensuráveis para a fauna e a flora locais.

Localizada próxima ao Parque Nacional do Pantanal Matogrossense, a Serra do Amolar abriga mais de 200 espécies monitoradas regularmente há uma década, incluindo pelo menos nove classificadas como ameaçadas ou vulneráveis pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Os registros científicos existentes subsidiam tanto a validação dos créditos quanto o planejamento de ações de gestão.

Segundo os organizadores, a experiência demonstra que a conservação pode ser economicamente viável quando há remuneração pelos serviços ambientais prestados. O sistema integra recursos provenientes da venda de créditos de carbono, do futuro mercado de créditos de biodiversidade e de doações voluntárias, formando um fundo destinado a custear vigilância, pesquisa, combate a incêndios, manejo de espécies e infraestrutura mínima para apoio às equipes de campo.

Outro ponto discutido no painel é o envolvimento da sociedade civil. A proposta prevê mecanismos para que pessoas físicas possam adquirir frações de créditos ou contribuir financeiramente com projetos específicos, aumentando a participação direta da população nas estratégias de proteção do Pantanal.

Além do PSA, as áreas sob gestão do instituto desenvolvem atividades complementares como monitoramento ambiental em tempo real, programas de ciência cidadã, produção de dados para estudos acadêmicos e rotas de ecoturismo de baixo impacto. Essas frentes, segundo o IHP, reforçam a sustentabilidade financeira ao diversificar fontes de receita e ampliar a conscientização pública sobre a importância do bioma.

Os debates em Campo Grande integram a agenda nacional sobre mecanismos de mercado para conservação e servem de preparação para eventos internacionais ligados à temática climática e à proteção da biodiversidade. A expectativa dos organizadores é que a troca de experiências contribua para aperfeiçoar parâmetros de certificação, atrair novos investidores e consolidar o Pantanal como referência em modelos de financiamento ambiental baseados em resultados comprovados.

Ao final do encontro, representantes do IHP, da ISA Energia e da ERA Brazil devem apresentar um resumo dos avanços obtidos na Serra do Amolar, incluindo métricas de carbono evitado, indicadores de biodiversidade monitorados e projeções de expansão da iniciativa. As informações servirão de base para futuras rodadas de captação de recursos e para a construção de parcerias com governos, empresas e organizações não governamentais interessadas em apoiar a conservação do bioma.

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