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Cursinho criado durante a pandemia dobra vagas e projeta polos no interior de Mato Grosso do Sul

O Cursinho Popular De Olho no Futuro, fundado em 2020 por alunos da rede pública de Campo Grande, prepara a quarta edição de suas atividades com uma meta ambiciosa: sair das 560 matrículas registradas em 2025 para 1.250 vagas em 2026, além de levar o projeto para três cidades do interior de Mato Grosso do Sul.

Idealizada em meio às aulas remotas da pandemia de covid-19, a iniciativa nasceu do receio de estudantes da Escola Estadual Joaquim Murtinho de não possuírem preparo suficiente para competir com colegas da rede privada no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A diferença de carga horária entre os sistemas de ensino durante o período de isolamento social motivou o grupo a criar um espaço de reforço acadêmico gratuito.

Segundo o cofundador Varnuz Arthur Barbosa Costa, tudo começou com encontros de estudos organizados pelos próprios alunos. Com o avanço das reuniões, eles procuraram professores da rede estadual e universitários dispostos a colaborar de forma voluntária. O movimento resultou num cursinho estruturado, com diretoria, grade curricular definida e aplicação periódica de simulados.

Expansão prevista para 2026

Depois de atender 560 estudantes em 2025, a coordenação trabalha para mais que dobrar o número de beneficiados no próximo ciclo letivo. O plano inclui a criação de polos presenciais em Dourados, Três Lagoas e Nova Andradina, mantendo Campo Grande como base principal. As conversas com parceiros locais já estão em andamento, e a expectativa é iniciar as atividades simultaneamente nos quatro municípios.

O cursinho é direcionado a quem concluiu ou está concluindo o ensino médio. Alunos de escolas públicas e inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico) terão prioridade nas vagas isentas de taxa. A intenção é garantir que o fator financeiro não impeça a participação de candidatos que dependem exclusivamente do Enem para ingressar no ensino superior.

Critérios de inscrição

As orientações sobre prazos, documentos exigidos e processo seletivo serão divulgadas por edital no perfil oficial do projeto no Instagram. Interessados deverão acompanhar as publicações para acessar formulários de inscrição e eventuais etapas de classificação. A estrutura online continuará sendo canal principal de comunicação, enquanto as aulas ocorrerão em formato presencial, seguindo a disponibilidade de cada polo.

Apoio voluntário e organização interna

O funcionamento do cursinho depende do trabalho colaborativo de professores da rede pública, universitários e ex-alunos. Eles atuam como monitores, elaboram materiais didáticos e aplicam simulados periódicos alinhados ao conteúdo do Enem. A diretoria, composta majoritariamente por ex-estudantes beneficiados, coordena logística, captação de recursos e divulgação.

Para assegurar qualidade pedagógica, o projeto mantém um cronograma anual com divisão de disciplinas, metas de aprendizagem e avaliações mensais. O resultado dos simulados serve de parâmetro para ajustes na metodologia e identificação de temas que exigem revisão.

Impacto social

De acordo com Varnuz Arthur Barbosa Costa, a proposta ultrapassa a simples preparação para provas. O objetivo central é oferecer oportunidade de acesso ao ensino superior a jovens que, muitas vezes, não dispõem de recursos para cursinhos particulares. Ao ampliar vagas e interiorizar o serviço, a organização espera reduzir desigualdades regionais de desempenho no Enem dentro do estado.

O cofundador reforça que capacidade intelectual não é obstáculo para os estudantes da rede pública, e sim a falta de condições equivalentes de preparação. Ao proporcionar material didático, orientação especializada e ambiente de estudo, o cursinho busca nivelar o ponto de partida entre candidatos de diferentes contextos socioeconômicos.

Próximos passos

Enquanto fecha parcerias para abertura dos novos polos, a equipe concentra esforços na captação de voluntários e na atualização do conteúdo programático que será utilizado em 2026. Professores interessados em colaborar podem se inscrever por meio de formulário eletrônico disponibilizado nas redes sociais do projeto.

Com o cronograma ajustado e a meta de 1.250 vagas definida, o De Olho no Futuro se prepara para iniciar mais um ciclo de aulas, consolidando-se como alternativa de reforço educacional gratuito em Mato Grosso do Sul. A expansão para o interior representa o próximo passo na trajetória iniciada há quatro anos, quando um grupo de alunos decidiu transformar a própria inquietação em instrumento de acesso à universidade.

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