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Brasil registra desaparecimento de criança ou adolescente a cada 22 minutos em 2025

Um levantamento nacional baseado nos boletins de ocorrência encaminhados pelos estados aponta que, em 2025, o Brasil contabilizou 23.919 registros de crianças e adolescentes com paradeiro desconhecido. O número equivale a uma média de 66 desaparecimentos por dia ou, na prática, a um caso a cada 22 minutos em todo o território nacional.

Dimensão do problema

Os dados de 2025 representam acréscimo de 8 % em relação ao total verificado em 2024, reforçando a tendência de crescimento dos desaparecimentos de menores de 18 anos. Especialistas consultados pelos órgãos responsáveis pela pesquisa destacam que esse tipo de ocorrência permanece, em grande parte, invisível para a sociedade, embora atinja milhares de famílias e mobilize diferentes segmentos do poder público.

A legislação brasileira define como desaparecida qualquer pessoa cujo paradeiro seja desconhecido, independentemente das circunstâncias. Por essa razão, o registro deve ser feito pelas famílias assim que a ausência é percebida, sem a necessidade de aguardar prazos. A comunicação imediata às autoridades amplia as chances de localização e contribui para direcionar recursos de busca de forma mais eficiente.

Perfil das vítimas

Entre os casos relatados em 2025, meninas foram maioria: mais de seis em cada dez crianças ou adolescentes que desapareceram eram do sexo feminino. Meninos representaram pouco menos de 40 % dos registros, e uma fração mínima não teve o sexo informado. Pesquisadores apontam correlação entre esse dado e outras formas de violência de gênero que afetam meninas desde a infância, tornando-as mais vulneráveis a situações como exploração, aliciamento e tráfico.

A multiplicidade de fatores associados ao desaparecimento infantil inclui conflitos familiares, abandono, violência doméstica, abuso sexual, exploração econômica e tentativas de fuga de ambientes hostis. Em áreas rurais ou periferias urbanas, a ausência de serviços públicos estruturados para proteção da infância agrava o risco e dificulta intervenções rápidas.

Impacto nas comunidades

O desaparecimento de uma criança ou adolescente altera a rotina de bairros, povoados e cidades inteiras. Em localidades de menor porte, a mobilização costuma envolver não apenas forças de segurança, mas também moradores, lideranças comunitárias e voluntários. Esses grupos organizam buscas em matas, rios, terrenos baldios e estradas vicinais, muitas vezes por períodos prolongados, até que surjam pistas concretas.

A prolongada incerteza impõe desgaste emocional às famílias e demanda suporte psicossocial. Organizações da sociedade civil relatam que parentes de crianças desaparecidas enfrentam ansiedade, depressão e dificuldades financeiras, sobretudo quando precisam se deslocar para outros municípios em busca de informações.

Ferramentas de resposta rápida

Desde 2023, o país utiliza o protocolo Amber Alert para situações consideradas de alto risco envolvendo menores de 18 anos. O sistema dispara notificações emergenciais por redes sociais, aplicativos de mensagens e painéis eletrônicos em rodovias, divulgando fotos, características físicas e últimas informações sobre a vítima. Ao ampliar o alcance dos avisos em tempo real, o mecanismo visa mobilizar moradores de áreas próximas, reduzir o tempo de resposta e, consequentemente, elevar a probabilidade de localização.

Autoridades policiais reforçam que o sucesso do protocolo depende da precisão dos dados fornecidos no momento do registro. Informações como vestimenta, local onde a criança foi vista pela última vez e possíveis rotas de fuga são consideradas determinantes para agilizar as buscas.

Desafios e medidas preventivas

Especialistas sublinham que reencontrar a criança é apenas parte da solução. O enfrentamento do desaparecimento infantil requer políticas públicas de prevenção, fortalecimento dos vínculos familiares e acompanhamento continuado após o retorno da vítima ao convívio comunitário. Programas de orientação em escolas, capacitação de profissionais da saúde e assistência social, além de campanhas permanentes de conscientização, são apontados como estratégias para reduzir a incidência de novos casos.

Outra medida defendida por estudiosos da área é a integração de sistemas de informação estaduais em uma base nacional unificada. A padronização dos dados permitiria cruzar ocorrências em tempo real, evitar duplicidades e facilitar a cooperação entre forças de segurança de diferentes unidades federativas.

Enquanto soluções estruturais não avançam de forma homogênea, números como os de 2025 mantêm o tema na agenda de órgãos públicos e entidades de defesa dos direitos da criança. A cada 22 minutos, um novo registro reforça a urgência de ações coordenadas para proteger aqueles que ainda não completaram 18 anos e garantir respostas efetivas às famílias que aguardam notícias.

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