O desmatamento no Pantanal registrou uma redução de 65,4% no período de 1º de agosto de 2024 a 31 de julho de 2025, de acordo com dados do Prodes Pantanal, sistema oficial de monitoramento por satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Foram mapeados 291,21 km² de vegetação nativa suprimida, o menor índice anual desde o início da série histórica, em 2001.
Queda histórica após alta em 2024
No ciclo imediatamente anterior, encerrado em julho de 2024, o Pantanal havia perdido 842,44 km² de vegetação, resultado que colocou aquele ano como o terceiro pior da série. A forte redução constatada agora reverte a tendência de alta observada em 2024 e estabelece um novo patamar de referência para o bioma.
Mato Grosso do Sul concentra a maior parte da supressão
Apesar da queda geral, a distribuição espacial da supressão mostra forte concentração em Mato Grosso do Sul. O estado respondeu por 237,69 km² da área desmatada, o equivalente a 81,62% do total detectado no Pantanal. Mato Grosso, por sua vez, registrou 53,51 km², ou 18,38% do montante anual.
Corumbá lidera ranking de municípios
Entre os municípios sul-mato-grossenses, Corumbá aparece como o principal foco de perda de vegetação nativa, com 166,01 km². Em seguida vem Porto Murtinho, com 38,00 km². Juntos, os dois municípios somam 70,06% de toda a área suprimida no bioma em 2025. Outros municípios de Mato Grosso do Sul também figuram no levantamento anual: Aquidauana (14,94 km²), Rio Verde de Mato Grosso (12,66 km²), Ladário (4,25 km²) e Miranda (1,47 km²).
Metodologia empregada pelo Prodes
O Prodes caracteriza supressão como a remoção da cobertura de vegetação nativa, independentemente do tipo de vegetação ou do uso posterior do solo. Para o ciclo 2025, o mapeamento utilizou principalmente imagens do satélite Sentinel-2, complementadas por outras fontes de observação remota para validar as interpretações. As áreas são analisadas em tempo quase real e, posteriormente, consolidadas no relatório anual.
Acumulado supera 31 mil quilômetros quadrados
Desde o início da série histórica, em 2001, o Prodes estima que o Pantanal perdeu 31.567,36 km² de cobertura vegetal nativa. Esse volume corresponde a 20,91% da extensão total do bioma, que abrange áreas de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e porções menores em países vizinhos.
Monitoramento e alertas contribuem para a queda
O relatório associa a diminuição verificada em 2025 ao aumento do monitoramento e ao uso de alertas de desmatamento para orientar forças de fiscalização em campo. Os sistemas de alerta, baseados em imagens de satélite de alta frequência, permitem identificar rapidamente a abertura de novas áreas e direcionar equipes de fiscalização a pontos críticos.
Exemplos de alterações detectadas
Entre os casos destacados no documento técnico, um está localizado na sub-região de Paiaguás, em Corumbá. Imagens de diferentes datas mostram a eliminação da vegetação nativa e a implantação subsequente de pastagem exótica, indicando mudança de uso do solo após a supressão.
Mesmo com a redução histórica em 2025, o Pantanal continua a enfrentar pressões associadas à expansão agropecuária, infraestrutura e eventos climáticos extremos. O mapeamento anual do Prodes segue como ferramenta central para quantificar a perda de vegetação nativa e subsidiar políticas públicas de conservação e controle de desmatamento no bioma.









