Internos da Penitenciária Estadual Masculina de Regime Fechado da Gameleira II, em Campo Grande, estão envolvidos na confecção de cobertores, enxovais e outros materiais hospitalares destinados ao Hospital São Julião. Nos cinco primeiros meses de 2026, a oficina de costura instalada dentro da unidade penal produziu 2.632 peças, todas incorporadas à rotina da instituição de saúde.
Produção variada atende pacientes e equipes de saúde
Entre os artigos confeccionados, 200 cobertores foram encaminhados para uso direto dos pacientes, sobretudo durante o período de inverno. Além dos cobertores, a oficina fabricou campos cirúrgicos, panos fenestrados, aventais, jalecos, calças, toalhas e sacolas, compondo o enxoval hospitalar utilizado em procedimentos, internações e atividades de apoio.
Os materiais chegam ao Hospital São Julião, referência regional no atendimento a pessoas em situação de vulnerabilidade e em processos de reabilitação. Segundo a coordenadora do setor de Conservadoria da unidade de saúde, Fabiana Farias, os itens recebidos são imediatamente incorporados ao estoque hospitalar, reduzindo a necessidade de compras externas e reforçando o conforto dos pacientes.
Oficina de costura integra política de trabalho prisional
A atividade de costura compõe o leque de ações laborais promovidas pela Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) em Mato Grosso do Sul. Os apenados selecionados para a oficina recebem treinamento específico, aprendem a manusear máquinas industriais, cortar tecidos, montar peças e finalizar produtos de acordo com padrões técnicos exigidos pela área da saúde.
Além da qualificação profissional, o trabalho oferece a possibilidade de remição de pena, mecanismo previsto na legislação que desconta tempo de cumprimento da sentença para internos que trabalham ou estudam. Para a administração penitenciária, a oficina também funciona como estratégia de ocupação produtiva, evitando ociosidade e preparando os participantes para o retorno ao mercado formal após o término da pena.
Parceria une sistema penitenciário e rede pública de saúde
O acordo entre a Penitenciária da Gameleira II e o Hospital São Julião exemplifica a interação de dois segmentos distintos da administração pública: segurança e saúde. Enquanto o hospital recebe artigos essenciais a baixo custo, o sistema prisional amplia oportunidades de capacitação e de reinserção social para as pessoas em privação de liberdade.
De acordo com a direção da Gameleira II, o objetivo é ampliar o número de internos beneficiados e diversificar a linha de produtos confeccionados. A meta inclui a expansão de turmas na oficina, a aquisição de novos equipamentos de costura e a adoção de técnicas que permitam aumentar a produtividade sem comprometer os padrões de qualidade exigidos pelo setor hospitalar.
Resultados parciais de 2026
Dados divulgados pela unidade prisional indicam que, de janeiro a maio de 2026, foram produzidos:
- 200 cobertores;
- Campos cirúrgicos em diversas dimensões;
- Panos fenestrados para procedimentos específicos;
- Aventais, jalecos e calças usados por profissionais de saúde;
- Toalhas de banho e de rosto para acompanhamento de pacientes;
- Sacolas destinadas ao transporte interno de materiais hospitalares.
Todo o processo é monitorado por servidores da Agepen e segue normas de higiene e segurança exigidas para produtos voltados ao uso clínico. As peças finalizadas passam por conferência de medidas, revisão de costura e embalagem adequada antes do envio ao destinatário.
Impacto social e econômico
Para o Hospital São Julião, o fornecimento regular dos itens fabricados na penitenciária representa economia de recursos e garantia de estoque constante, especialmente em períodos de maior demanda. Para os internos, a experiência prática em costura industrial pode ser convertida em oportunidade de emprego após o cumprimento da pena, colaborando para reduzir índices de reincidência criminal.
Além dos ganhos diretos, a parceria fortalece a perspectiva de ressocialização, princípio que norteia políticas públicas voltadas ao sistema prisional. A Agepen informa que iniciativas semelhantes vêm sendo implantadas em outras unidades penais do estado, envolvendo setores como marcenaria, agricultura e reciclagem, sempre com o objetivo de combinar qualificação profissional, produção de bens de interesse social e diminuição do tempo de permanência nos presídios.
Com a continuidade do programa, a expectativa da direção da Gameleira II é ultrapassar, até o fim de 2026, o volume de peças confeccionadas no ano anterior, consolidando a oficina de costura como um dos principais polos de trabalho interno da penitenciária e reforçando o abastecimento de materiais hospitalares para o Hospital São Julião.









