Um morcego foi encontrado morto no quarto de um adolescente de 15 anos na região central de Campo Grande, durante a madrugada. Após o episódio, a família procurou atendimento médico por suspeita de exposição ao vírus da raiva, mas afirma ter enfrentado obstáculos para conseguir a vacina antirrábica na rede pública municipal.
A mãe do jovem relatou que percorreu diversas unidades de saúde em busca do imunizante. Segundo ela, servidores de diferentes postos forneceram informações divergentes sobre a disponibilidade da vacina e orientaram que fosse feito contato telefônico para verificar o estoque em tempo real. Em determinado momento, a família foi informada de que o imunobiológico estava disponível apenas no Centro Regional de Saúde (CRS) Nova Bahia, enquanto na Unidade do Coronel Antonino não haveria nenhum tipo de vacina.
Diante da queixa, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) apresentou esclarecimentos sobre o fluxo de atendimento antirrábico. Em nota, a pasta destacou que a profilaxia pré e pós-exposição é ofertada em unidades específicas, mas que a avaliação médica preliminar é essencial para determinar a real necessidade da aplicação.
Unidades com vacinas disponíveis
De acordo com a Sesau, os imunizantes destinados aos protocolos pré e pós-exposição estão alocados nas seguintes unidades de urgência e emergência:
- UPA Universitário
- UPA Santa Mônica
- UPA Moreninha
- UPA Leblon
- CRS Tiradentes
- CRS Nova Bahia
- CRS Coophavilla 2
O órgão explicou ainda que o soro antirrábico, utilizado em situações específicas definidas pelos protocolos do Ministério da Saúde, é concentrado no CRS Nova Bahia. A justificativa é o baixo volume de frascos repassado pela esfera federal, o que exige centralizar a administração para otimizar o controle do estoque.
Protocolo de atendimento
Conforme as diretrizes oficiais, a aplicação da vacina ou do soro acontece somente após avaliação clínica. A indicação depende do tipo de contato com o animal, da condição do agressor e do histórico vacinal da pessoa exposta. Para a maior parte dos casos, a observação do animal e o acompanhamento ambulatorial já são suficientes. Quando a espécie envolvida é o morcego, a conduta costuma ser mais cautelosa, pois não há protocolo de observação do animal, o que aumenta a probabilidade de recomendação do imunizante.
Além da vacinação, o serviço de saúde municipal oferece assistência 24 horas para possíveis exposições ao vírus da raiva. Entre as ações previstas estão:
- Observação clínica de cães e gatos agressores por até dez dias;
- Recolhimento de morcegos pelo Centro de Controle de Zoonoses (CCZ);
- Bloqueio de foco com vacinação de cães e gatos em locais onde há confirmação de raiva;
- Orientação à população sobre medidas de prevenção e busca de atendimento imediato.
Grupos de risco e vacinação pré-exposição
A Sesau reforçou que existe ainda a modalidade de vacinação pré-exposição, destinada a pessoas com risco ocupacional elevado, como médicos veterinários, profissionais de centros de zoonoses, biólogos, espeleólogos e trabalhadores diretamente envolvidos no manejo de animais silvestres. Esse esquema preventivo é elaborado conforme normas do Ministério da Saúde e exige monitoramento periódico do título de anticorpos.
Procedimento após contato com morcego
Em casos de contato direto com morcegos, a orientação é lavar imediatamente o local da mordedura ou arranhão com água corrente e sabão. Em seguida, a pessoa deve procurar uma unidade de saúde para avaliação. Mesmo na ausência de lesões aparentes, recomenda-se atendimento médico, pois o vírus pode ser transmitido por arranhões imperceptíveis ou mucosas.
O vírus da raiva é letal em quase 100% dos casos sintomáticos, mas a profilaxia pós-exposição é eficaz quando iniciada rapidamente. Por esse motivo, a agilidade na busca por atendimento e a disponibilidade de vacinas e soros são consideradas estratégicas para a saúde pública.
No episódio envolvendo o adolescente de Campo Grande, a família conseguiu orientação médica após percorrer diferentes serviços. A Secretaria Municipal de Saúde declarou manter vigilância sobre estoques e destacou que eventuais ajustes de distribuição podem ocorrer conforme a demanda.
O morcego encontrado no quarto do jovem foi recolhido pelo Centro de Controle de Zoonoses para análise laboratorial. O resultado do exame definirá se haverá necessidade de reforços adicionais no protocolo de tratamento do adolescente.
Enquanto aguarda o laudo, a família segue as recomendações médicas e permanece alerta a qualquer sintoma. A Sesau reforçou que a população deve notificar imediatamente os serviços de saúde ou o CCZ sempre que houver presença de morcegos em ambientes internos ou contato suspeito com animais potencialmente transmissores da raiva.








