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Autoridade sanitária do Paraguai proíbe comercialização de fármaco com retatrutida anunciado por laboratório local

A Direção Nacional de Vigilância Sanitária do Paraguai (Dinavisa) emitiu um alerta após tomar conhecimento de anúncios públicos sobre o suposto lançamento de um medicamento para emagrecimento que teria a retatrutida como princípio ativo. Segundo comunicado divulgado pelo órgão, o produto não possui registro sanitário vigente nem autorização para ser importado, fabricado, distribuído, promovido ou comercializado em território paraguaio.

De acordo com a Dinavisa, não há comprovação de qualidade, segurança ou eficácia do composto apresentado, e nenhuma autoridade regulatória internacional reconhecida aprovou o uso de retatrutida. Dessa forma, qualquer forma de divulgação, publicidade ou oferta relacionada a esse item é considerada irregular e não conta com respaldo sanitário oficial.

O posicionamento da agência paraguaia ganhou repercussão no Brasil após o laboratório local Eticos ter realizado um evento no qual apresentou o protótipo de uma embalagem de produto batizado de ReduFast. O encontro, divulgado nas redes sociais, contou com a presença de influenciadores e artistas brasileiros, entre eles o professor de educação física Renato Cariani e a atriz Deborah Secco. Nos materiais de divulgação, o laboratório indicava que o lançamento ocorreria em breve.

A retatrutida pertence à farmacêutica norte-americana Eli Lilly, encontra-se em fase de estudos clínicos e é protegida por patente. Não há, até o momento, autorização de comercialização emitida por nenhuma agência regulatória no mundo, incluindo a Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos e a Agência Europeia de Medicamentos (EMA). Em nota, a própria Eli Lilly afirmou que qualquer ação promocional envolvendo um composto ainda experimental não segue os padrões de responsabilidade adotados pela indústria farmacêutica.

Depois da repercussão negativa, o Eticos divulgou esclarecimento no qual reconheceu que a comunicação sobre o evento poderia ter gerado expectativas no público. A empresa informou que pretendia apenas apresentar seus esforços de pesquisa e desenvolvimento e assegurou que não introduzirá nenhum produto farmacêutico sem a aprovação prévia das autoridades sanitárias competentes.

O episódio reacende o debate sobre a circulação de produtos para emagrecimento que não possuem registro. No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já realizou operações de fiscalização contra a venda e a propaganda de canetas injetáveis contendo tirzepatida ou retatrutida. O órgão brasileiro orienta que medicamentos de origem desconhecida não sejam utilizados e reforça que a importação, a divulgação e a distribuição desses itens sem autorização configuram infração sanitária.

No alerta mais recente, a Dinavisa recomendou que consumidores paraguaios e de países vizinhos não comprem nem utilizem produtos sem licença sanitária. A agência aconselhou ainda que todos verifiquem a existência de registro oficial antes de adquirir medicamentos e que denunciem ofertas irregulares por meio dos canais oficiais de fiscalização.

A preocupação das autoridades se apoia no crescimento do mercado de fármacos para controle de peso, frequentemente impulsionado por influenciadores digitais e campanhas nas redes sociais. Sem a devida regulamentação, consumidores se expõem a riscos como reações adversas desconhecidas, falta de eficácia e problemas relacionados à procedência e às condições de armazenamento.

Até o momento, não há previsão de avaliação regulatória da retatrutida no Paraguai ou no Brasil. A substância segue em fase de estudos que buscam comprovar seu perfil de segurança e eficácia em diferentes dosagens e indicações. Somente após a conclusão desses ensaios e a submissão dos dados às agências competentes é que um eventual pedido de registro poderá ser analisado.

A Dinavisa ressaltou que continuará monitorando promoções e eventos que envolvam compostos farmacêuticos sem autorização. A agência declarou que adotará medidas administrativas e, se necessário, acionará outras instâncias governamentais para impedir a entrada e a circulação desses produtos no país.

Por fim, o órgão paraguaio reforçou que profissionais de saúde e a população devem manter atenção a informações oficiais sobre medicamentos e evitar adquirir itens divulgados como “lançamento” sem a devida certificação. A recomendação é que qualquer suspeita de oferta irregular seja comunicada imediatamente às autoridades de vigilância sanitária.

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