Em meio a juros elevados e cenário econômico instável, a busca por eficiência no campo precisa ir além do corte de despesas, avalia o CEO da Geração Agrícola, Gilmar Meneghini. O executivo participa em 5 de março do Amcham CEO Dinner, em Campo Grande, encontro que reunirá lideranças empresariais para discutir caminhos de competitividade no setor.
Meneghini sustenta que enxugar custos é apenas um dos componentes da gestão. Segundo ele, eficiência envolve extrair maior retorno por hectare cultivado, por colaborador empregado e por real destinado a cada atividade. Para alcançar esses resultados, o dirigente defende disciplina administrativa, métricas claras de desempenho e equipes alinhadas com metas de produtividade.
A adoção de tecnologia aparece como ponto central nessa estratégia. Ferramentas de inteligência artificial, observa o CEO, fornecem subsídios para a tomada de decisões, sem pretensão de substituir a mão de obra humana. Ao processar dados históricos das lavouras, algoritmos indicam combinações de cultivares, insumos e práticas agronômicas que já demonstraram melhor desempenho em anos anteriores, permitindo ajustes precisos no manejo.
O ambiente financeiro, entretanto, impõe restrições. Com a taxa básica de juros ao redor de 15% ao ano, operações de crédito tornam-se mais onerosas, exigindo cautela na expansão e na alocação de capital. Meneghini argumenta que, nesse contexto, a capacidade de recusar investimentos pouco aderentes ao planejamento estratégico passa a ser sinal de maturidade gerencial. Ele pondera, por outro lado, que períodos de crise costumam abrir espaço para companhias bem estruturadas consolidarem posições ou ingressarem em novos nichos.
Em Mato Grosso do Sul, os desafios e oportunidades adquirem contornos específicos. O executivo recomenda entender o agronegócio local como um ecossistema que integra soja, algodão, pecuária e florestas plantadas. A dependência exclusiva de uma única commodity, avalia, aumenta a exposição a oscilações de preços e a fatores climáticos. Já a diversificação de culturas e atividades tende a diluir riscos e criar fontes adicionais de receita, favorecendo a resiliência dos empreendimentos rurais.
Nesse processo, a escolha de prioridades deve resultar de análises individualizadas de cada unidade de negócio. O dirigente orienta que decisões sobre expansão de área, aquisição de maquinário ou contratação de pessoal sejam sustentadas por projeções de longo prazo, em vez de respostas imediatistas a sinais de mercado. Planejamento de fluxo de caixa, mapeamento de custos variáveis e definição de indicadores operacionais integram o conjunto de práticas sugeridas.
O potencial de ganhos também passa pela gestão de pessoas. Meneghini defende a formação contínua de colaboradores, com ênfase em competências técnicas e em cultura organizacional voltada a resultados. Em sua avaliação, equipes treinadas para interpretar dados de campo, operar sistemas digitais e adotar processos padronizados conseguem reduzir perdas, antecipar problemas e aumentar a precisão no uso de insumos, fatores que se convertem em produtividade adicional.
Embora as condições macroeconômicas imponham limitações, o executivo mantém perspectiva de crescimento para empresas que combinam estrutura financeira sólida com flexibilidade operacional. Ele vê espaço para a ampliação de parcerias, fusões e aquisições em segmentos como armazenagem, logística e bioenergia, desde que as negociações respeitem critérios de viabilidade e preservem liquidez.
Ao destacar a convergência entre disciplina de gestão, tecnologia de ponta e diversificação de portfólio, Meneghini resume a orientação que levará ao evento da Amcham: aumentar competitividade no agronegócio exige decisões baseadas em dados, alinhamento cultural e visão de longo prazo, especialmente quando o custo do capital se encontra em patamar elevado. Para agentes do setor em Mato Grosso do Sul e em outras regiões, a mensagem reforça a necessidade de rigor estratégico diante de um cenário que combina incertezas econômicas e oportunidades emergentes.









