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Dólar chega a R$ 5,50 e Ibovespa registra sexta queda consecutiva

Pressão sobre o real reflete cautela do mercado após eleições - Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Na manhã desta terça‑feira (3), o mercado financeiro brasileiro registrou nova pressão: o dólar comercial subiu 0,74%, fechando em R$ 5,486, e o Ibovespa recuou 1,42%, encerrando em 165.528,92 pontos, marcando a sexta sessão de queda seguida desde a apuração dos resultados eleitorais em 25 de outubro.

Mercado cambial

Durante o pregão, a moeda norte‑americana chegou a tocar a máxima intradiária de R$ 5,509 por volta das 13h50, reforçando a tendência de alta que acompanha a cautela dos investidores quanto à condução das contas públicas no novo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No âmbito internacional, o índice DXY – que mede a força do dólar frente a uma cesta de moedas globais – avançou 0,13%, atingindo 101,850 pontos.

O movimento cambial refletiu ainda a apreensão com a iminente decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para quarta‑feira (4), sobre a taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 13,75% ao ano. A expectativa de manutenção ou elevação da taxa tem pressionado a liquidez e alimentado a volatilidade nos mercados de renda variável.

Na bolsa, a queda do Ibovespa foi liderada pelos papéis da Vale e da Petrobras, que têm maior peso no índice. Ambos os ativos sofreram desvalorização em razão da correção nas cotações internacionais das commodities, que também influenciam o desempenho das ações brasileiras.

Expectativas de juros

O clima de desconfiança foi intensificado por declarações do economista André Lara Resende, que sugeriu possíveis modificações no regime monetário vigente. Em resposta, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que as propostas de Lara Resende apresentam deficiências técnicas e não estão em discussão no governo, reforçando a defesa de um ajuste fiscal gradual.

O relatório Focus, divulgado pelo Banco Central, elevou a projeção da inflação para 2027 de 4,34% para 4,76%, ultrapassando o teto da meta de 4,5%. Essa revisão fez subir a expectativa mediana de que a Selic termine o próximo ano em 12,50%, acima dos 11,75% anteriormente previstos, indicando a possibilidade de um período mais prolongado de juros restritivos.

Além do cenário interno, as atenções do mercado também se voltaram para as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos (midterms), que tendem a manter a liquidez global mais restrita. Todos esses fatores convergem para um ambiente de maior cautela, que deve permear as decisões de investidores e gestores de fundos nas próximas semanas.