Dourados, no sul de Mato Grosso do Sul, analisa decretar situação de emergência em saúde pública após o crescimento acelerado dos casos de chikungunya tanto na área urbana quanto na Reserva Indígena local. A recomendação foi feita por Rodrigo Stabeli, integrante do comando-geral da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (FN-SUS), que chegou ao município para reforçar as ações de combate ao vetor da doença.
Segundo Stabeli, o decreto amplia a capacidade de resposta da administração municipal, pois facilita o acesso a recursos federais destinados ao atendimento de pacientes e às atividades de eliminação de criadouros do Aedes aegypti. A prefeitura confirmou que o assunto está em análise em conjunto com outros entes federativos, mas ainda não há decisão final. O secretário municipal de Saúde, Marcio Grei, informou que a gestão local não mede esforços para reduzir os focos do mosquito e ressaltou a necessidade de colaboração da população na remoção de água parada.
A FN-SUS iniciou reuniões com autoridades locais para traçar a estratégia de atuação. A equipe federal definiu que as primeiras atividades de campo ocorrerão nas aldeias Jaguapiru e Bororó a partir desta quinta-feira, 19 de outubro. O grupo se junta às equipes municipais e estaduais que já atuam na região, com foco no controle vetorial e na assistência direta aos pacientes.
Na área indígena, a chikungunya provocou quatro mortes: uma mulher de 69 anos, um homem de 73 anos, um bebê de 3 meses e outra mulher de 60 anos. Na zona urbana de Dourados, o último boletim contabiliza 912 notificações, das quais 379 tiveram confirmação laboratorial, sem registro de óbitos até o momento. A combinação de alta incidência e letalidade entre indígenas foi um dos fatores que motivaram o pedido de apoio federal.
Para ampliar a capacidade de atendimento, a Escola Municipal Indígena Tengatui Marangatu, localizada na Aldeia Jaguapiru, foi transformada em hospital de campanha. A estrutura temporária ocupa a quadra da unidade escolar e começou a funcionar na terça-feira, 17 de outubro. Hospitais de campanha são unidades móveis preparadas para oferecer assistência médica de forma rápida em situações emergenciais.
No primeiro dia de funcionamento, aproximadamente 80 pessoas procuraram o serviço com sintomas como dores intensas no corpo, inflamação nas articulações e náuseas. Na quarta-feira, 18 de outubro, a procura diminuiu em razão da chuva, mas as equipes de saúde intensificaram a busca ativa nas residências da aldeia para identificar pacientes que apresentassem sinais da doença. Segundo relatos colhidos pelos profissionais, há domicílios onde todos os integrantes da família apresentam sintomas simultaneamente.
A implantação do hospital de campanha contou com a participação da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) e do Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (HU-UFGD). Profissionais de saúde de Campo Grande e do município vizinho de Caarapó também foram mobilizados para reforçar o atendimento. O objetivo é garantir avaliação médica rápida, coleta de exames e encaminhamento de casos graves para unidades de maior complexidade, reduzindo o tempo de espera e a sobrecarga dos serviços convencionais.
Além do atendimento clínico, as equipes federais, estaduais e municipais executam ações de bloqueio do Aedes aegypti nas localidades mais afetadas. O trabalho inclui eliminação de recipientes com água parada, aplicação de larvicidas e orientação direta aos moradores sobre prevenção. Caso a situação de emergência seja de fato decretada, o município terá acesso facilitado a insumos, equipes adicionais e suporte logístico, permitindo ampliar esse conjunto de medidas nas áreas urbana e indígena.
A prefeitura segue monitorando a evolução dos indicadores epidemiológicos para definir os próximos passos. Enquanto aguarda a avaliação final sobre o decreto, o Executivo local mantém a recomendação de que a população participe ativamente do combate ao mosquito, mantendo quintais limpos, caixas-d’água fechadas e objetos que possam acumular água sempre secos ou descartados adequadamente.









