Relatório epidemiológico divulgado pela Prefeitura de Dourados neste domingo, 12 de abril, indica que 2,6 mil ocorrências de chikungunya permanecem em investigação no município. O documento também contabiliza 4,9 mil notificações desde o início da epidemia, com 1,5 mil confirmações e 713 descartes. Esses números resultam em taxa de positividade de 69,1%, evidenciando alta probabilidade de confirmação entre pacientes atendidos com febre alta e dores nas articulações.
A atualização demonstra alteração no perfil da transmissão. Nas duas últimas semanas, os registros agudos passaram a se concentrar majoritariamente na área urbana, entre moradores não indígenas. Até então, a maior parte dos casos se mantinha nas aldeias Jaguapiru e Bororó. Esse deslocamento geográfico amplia o grau de atenção da vigilância epidemiológica sobre bairros com grande circulação de pessoas em unidades básicas de saúde (UBSs).
O levantamento destaca quatro UBSs com maior procura desde o início da epidemia. A unidade do Joquei Clube registrou 571 atendimentos relacionados à febre chikungunya, seguida pelas unidades Seleta, com 389, Parque do Lago 2, com 207, e Santo André, com 186. O fluxo crescente levou a Administração Municipal a manter, neste domingo, as UBSs Seleta, no Jardim Flórida, e Santo André, na região do Grande Água Boa, abertas até 22h para pacientes com sintomas da doença e demais situações de urgência.
A medida tem objetivo de aliviar a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) 24h, que enfrenta aumento expressivo de demanda. Antes da expansão da chikungunya, a UPA recebia média diária de 300 pacientes. Agora, a média alcança 457 atendimentos, segundo o relatório. Embora o balanço se refira ao total de casos gerais, a análise municipal reconhece a relação desse acréscimo com a evolução da epidemia.
Mesmo com o avanço no perímetro urbano, a Reserva Indígena segue com indicadores elevados. Entre moradores das aldeias Jaguapiru e Bororó, foram notificadas 2,4 mil ocorrências de chikungunya. Desse subconjunto, 1,2 mil casos foram confirmados, 455 descartados e 677 permanecem em investigação. Esse cenário mantém a pressão sobre os serviços de saúde que atuam na região.
Até o momento, seis óbitos foram confirmados como decorrentes da febre chikungunya, todos entre indígenas. As vítimas incluem duas mulheres de 60 e 69 anos, dois homens de 55 e 73 anos e dois bebês de um e três meses. Além dessas mortes, dois óbitos seguem sob análise do Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen), em Campo Grande. Os casos investigados envolvem um menino indígena de 12 anos e uma menina não indígena de 10 anos, residente no bairro Jardim Novo Horizonte.
A Secretaria Municipal de Saúde ressalta que a sintomatologia predominante continua sendo febre súbita acompanhada de dores intensas nas articulações, quadro que motiva a procura por atendimento. A orientação é buscar a UBS mais próxima logo nos primeiros sinais, a fim de reduzir a evolução para formas mais graves e evitar superlotação de unidades de emergência.
O governo local mantém ações de controle vetorial, com visitas domiciliares para eliminação de criadouros do Aedes aegypti, responsável pela transmissão da chikungunya. Paralelamente, equipes de educação em saúde realizam orientações em bairros e aldeias, reforçando a importância de recipientes fechados, descarte adequado de lixo e limpeza de quintais.
Segundo o relatório, a tendência urbana impõe reorganização dos serviços. A Vigilância Epidemiológica monitora bairros mais afetados, como Jardim Flórida, Grande Água Boa e Joquei Clube, para avaliar necessidade de ampliação de horários ou abertura de pontos de atendimento rápidos. A pasta também estuda utilizar escolas e centros comunitários como locais de triagem em eventuais picos de procura.
Os dados consolidados até 12 de abril servirão de base para atualização de planos de contingência. Entre as prioridades estão a garantia de insumos para alívio de dores articulares e a reserva de leitos hospitalares para casos que evoluam com complicações, embora a maioria dos pacientes se recupere em regime domiciliar.
Autoridades municipais reforçam que, mesmo com a maior parte dos casos concentrados recentemente na área urbana, a vigilância continua estendida às aldeias, que somam volume expressivo de notificações e óbitos confirmados. A avaliação conjunta desses territórios orientará decisões sobre novos mutirões de limpeza, aplicação de inseticida e reforço de equipes de atendimento.
Com cerca de 5 mil notificações acumuladas, Dourados apresenta um retrato de epidemia em franca expansão, que pressiona diferentes níveis da rede de saúde e requer medidas simultâneas de assistência e prevenção para conter o avanço da chikungunya no município.









