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Dourados registra quase 4 mil notificações de chikungunya e confirma cinco mortes, aponta boletim municipal

O mais recente boletim epidemiológico sobre chikungunya divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde de Dourados nesta terça-feira (7) indica a continuidade da expansão da doença no município. Até a 10ª semana epidemiológica foram contabilizadas 3.971 notificações, das quais 2.859 se enquadram como casos prováveis e 1.442 já receberam confirmação laboratorial ou clínica. Outras 1.973 ocorrências permanecem em investigação, enquanto 556 foram descartadas.

A taxa de positividade alcançou 72%, percentual considerado muito alto e que sugere circulação viral intensa. O órgão de saúde observa que, embora se perceba sinal de redução nas semanas mais recentes, esse quadro ainda pode ser influenciado por atrasos no registro de novos casos. Dessa forma, a avaliação é de que a epidemia permanece ativa e exige monitoramento constante.

O levantamento confirma cinco óbitos decorrentes da infecção, todos na Reserva Indígena de Dourados. Há, ainda, três mortes em análise, sendo duas entre moradores indígenas. A população indígena continua como a mais afetada pelos efeitos da doença. Entre os residentes nas aldeias, o relatório aponta 1.697 casos prováveis, 1.153 confirmados, 2.088 notificações gerais e 237 internações hospitalares relacionadas à febre chikungunya.

A distribuição geográfica dos registros evidencia concentração em determinadas áreas. A Unidade Básica de Saúde (UBS) da Aldeia Bororó I lidera com 582 notificações. Na zona urbana, destacam-se o posto do Jóquei Clube, com 256 registros, e a UBS Seleta, com 189. Também apresentam números expressivos as unidades do Parque das Nações II (72), Parque do Lago II (75) e Maracanã (66), sinalizando maior incidência em bairros densamente povoados e em regiões específicas do município.

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, a doença, inicialmente restrita às aldeias, já avança sobre toda a área urbana. O cenário motivou o reconhecimento de situação de emergência em saúde pública, status que permite mobilizar recursos, intensificar a vigilância e ampliar ações de combate ao mosquito Aedes aegypti, vetor do vírus.

O impacto da transmissão reflete-se na rede de assistência. A Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Dourados registra média diária de 451 atendimentos desde 23 de março, volume superior ao habitual e atribuído, em grande parte, à procura por pacientes com sintomas compatíveis. No momento do relatório, 40 pessoas estavam internadas em hospitais do município com suspeita ou confirmação da infecção.

Profissionais de saúde avaliam que o elevado índice de positividade aponta para transmissão sustentada. A recomendação é de intensificar medidas de prevenção, como a eliminação de locais com água parada, uso de repelentes, telas em janelas e busca precoce por atendimento em caso de febre, dor articular ou outros sintomas característicos.

O relatório reforça, ainda, a necessidade de apoio da população para conter a proliferação do mosquito. Entre as ações prioritárias estão vistorias domiciliares, limpeza de quintais, descarte adequado de resíduos e atenção especial a recipientes que possam acumular água, a exemplo de caixas d’água destampadas, pneus, garrafas e calhas obstruídas.

Enquanto o município concentra esforços no controle vetorial, o monitoramento de indicadores epidemiológicos permanecerá semanal. A Secretaria de Saúde ressalta que novas atualizações poderão alterar o número de casos confirmados, prováveis e em investigação, devido à chegada de resultados laboratoriais e à conclusão de análises clínicas.

Com os dados atuais, Dourados mantém a maior incidência de chikungunya entre as cidades da região. A mobilização conjunta de equipes de saúde, órgãos públicos e moradores é apontada como chave para frear o avanço da doença e reduzir a pressão sobre unidades básicas, pronto-atendimentos e hospitais.

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