A Eldorado Brasil Celulose iniciou a operação de uma planta dedicada à secagem de lodo biológico em sua unidade industrial de Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul. O empreendimento marca mais um passo da companhia na adoção de práticas de economia circular, ao transformar resíduos gerados no processo fabril em insumo energético.
O novo equipamento, projetado para lidar com até 22 toneladas de sólidos secos por dia, utiliza tecnologia fornecida pelo grupo internacional Andritz. O sistema foi concebido para tratar o lodo resultante do processo de tratamento de efluentes da fábrica e convertê-lo em combustível para a caldeira de força localizada na mesma instalação. Dessa forma, a companhia reduz o envio de resíduos a aterros sanitários e, simultaneamente, obtém ganhos de eficiência na geração de energia interna.
Responsável pela engenharia industrial da Eldorado Brasil, Franco Picinalli Pereira afirma que sustentabilidade e inovação orientam a estratégia corporativa. Segundo ele, a planta reforça o compromisso da empresa com a redução de impactos ambientais e com o uso responsável dos recursos naturais. A adoção desse modelo amplia a integração entre as etapas produtivas, característica defendida pela companhia desde o início de suas operações.
O núcleo do processo de secagem é um secador de pás, equipamento que, de acordo com informações técnicas fornecidas pela empresa, oferece desempenho superior e estabilidade. O projeto inclui ainda sistemas completos de manuseio de material, aspiração de ar, condensação de gases e automação. A combinação desses recursos foi elaborada para assegurar um processo limpo, controlado e com baixos custos de manutenção.
A secagem do lodo biológico modifica as propriedades físicas do resíduo, reduzindo sua umidade e facilitando a utilização como combustível. Depois de processado, o material apresenta maior poder calorífico, condição necessária para sua queima eficiente na caldeira de força. O reaproveitamento interno elimina a necessidade de transporte para destinação externa, diminuindo emissões associadas a essa logística e contribuindo para a melhoria do desempenho ambiental da unidade.
Com a integração do novo sistema, a Eldorado Brasil amplia o portfólio de iniciativas voltadas ao aproveitamento energético de subprodutos da fabricação de celulose. A companhia já emprega outros resíduos, como a biomassa resultante do processamento de madeira, para alimentar caldeiras que geram vapor e eletricidade. A utilização combinada dessas fontes busca aumentar a autossuficiência energética da planta e reduzir a dependência de combustíveis fósseis.
Em termos operacionais, a capacidade de processar 22 toneladas de sólidos secos diariamente permite à empresa manter o fluxo contínuo de tratamento de efluentes, evitando acúmulos que possam comprometer a eficiência do sistema. Além disso, a estabilidade fornecida pelo secador de pás reduz variações de temperatura e umidade, fatores que poderiam afetar a qualidade do combustível final e o desempenho da caldeira.
O projeto foi desenvolvido para operar em regime de alta confiabilidade, com foco na segurança dos colaboradores e na proteção do meio ambiente. Sensores e dispositivos de automação monitoram parâmetros críticos, como temperatura, pressão e vazão de ar, e acionam algoritmos de controle que ajustam as condições do processo em tempo real. A condensação de gases e a aspiração de ar foram dimensionadas para minimizar emissões atmosféricas e garantir conformidade com padrões regulatórios.
A adoção do secador de lodo biológico também traz impactos positivos na gestão de custos. A conversão do resíduo em combustível diminui despesas relacionadas à disposição em aterros e reduz a necessidade de aquisição de fontes energéticas externas. Com isso, a companhia espera obter retorno econômico ao mesmo tempo em que fortalece suas metas de sustentabilidade.
O investimento na planta de Três Lagoas se insere em um contexto mais amplo de modernização industrial do setor de celulose no Brasil, que tem buscado soluções para aumentar a eficiência dos processos e atender a exigências ambientais cada vez mais rigorosas. Em paralelo, a utilização de tecnologias de economia circular vem se consolidando como estratégia para elevar a competitividade e reduzir a pegada ambiental das operações.
Com a entrada em funcionamento do sistema de secagem, a Eldorado Brasil reforça a integração entre tratamento de efluentes, gestão de resíduos e geração de energia. A empresa afirma que continuará avaliando novas oportunidades para expandir o modelo, buscando soluções que permitam aproveitar ao máximo os subprodutos de sua cadeia produtiva e contribuir para o desenvolvimento sustentável da região onde atua.









