Mato Grosso do Sul encerrou 2023 com avanço de 13,4% no Produto Interno Bruto (PIB), um dos maiores índices do país. O desempenho, impulsionado por investimentos privados superiores a R$ 130 bilhões, coloca o Estado diante do desafio de transformar crescimento em desenvolvimento duradouro. A avaliação é do presidente do LIDE Mato Grosso do Sul, Aurélio Rocha, que detalhou o cenário em entrevista à Massa FM Campo Grande.
Segundo Rocha, o fluxo de capital tem origem, sobretudo, na indústria de celulose, na diversificação das culturas agrícolas e na expansão da bioenergia. A combinação desses fatores, afirma, reposiciona o Estado no mapa econômico nacional. “Deixamos de ser apenas celeiro; hoje entregamos produtos prontos para a gôndola”, declarou durante a conversa.
Dados apresentados por ele mostram que novas culturas, como laranja e amendoim, ampliam o portfólio agroindustrial. Paralelamente, projetos de etanol de milho, biometano e outras fontes renováveis reforçam a meta estadual de neutralizar emissões de carbono até 2030. Para o dirigente, aliar volume de produção, qualidade e sustentabilidade tornou-se condição de acesso aos mercados internacionais.
Rocha observa que a ampliação do mercado externo exige não apenas capacidade produtiva, mas também liderança empresarial adaptada a um ambiente competitivo e globalizado. Nesse contexto, o LIDE atua como plataforma de aproximação entre empresas, governos e investidores, organizando fóruns, missões internacionais e debates técnicos. “O cavalo está passando arreado; nosso papel é ajudar o empresário a montar”, resumiu.
Entre as iniciativas recentes, ele citou o Fórum Agro RCN, realizado durante a Expogrande, que reuniu representantes de diferentes cadeias produtivas para discutir incertezas do cenário internacional e apresentar o Estado como polo multiproteico. No mesmo sentido, o Fórum LIDE Cop 30, em Bonito, concentrou cerca de 150 empresários de várias regiões do Brasil e do exterior para tratar de sustentabilidade corporativa.
Na visão do executivo, práticas ambientais deixaram de ser diferencial e passaram a ser requisito básico. Qualidade, rastreabilidade e baixo impacto ambiental são hoje, segundo ele, variáveis decisivas na escolha do consumidor global. “Um produto originário de Mato Grosso do Sul precisa atender a esses três critérios para permanecer competitivo”, enfatizou.
Além dos eventos locais, o LIDE tem conduzido missões a mercados considerados estratégicos. Rocha participou, como diretor de Relações Internacionais da Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (FIEMS), de agendas na Índia, no Japão e em Singapura. Os destinos foram selecionados por critérios de dimensão de mercado, complementaridade econômica e possibilidade de atração de capitais. A Índia chama atenção pelo tamanho do consumo, o Japão pela realização da Expo Mundial e investimentos já instalados no Estado, e Singapura por funcionar como porta de entrada para a região da ASEAN, que reúne mais de 700 milhões de habitantes. “Não podemos depender apenas de destinos tradicionais; diversificar é questão de sobrevivência”, afirmou.
Rocha também analisou desafios internos das companhias locais, com destaque para a sucessão familiar e a adoção de boas práticas de governança. Para ele, parte do empresariado ainda demonstra resistência, principalmente de ordem geracional, mas o avanço para a segunda e terceira geração de gestores torna indispensável separar funções de acionistas e executivos, além de preparar jovens para cargos estratégicos.
No campo político, o presidente do LIDE prevê forte polarização nas eleições de 2026 e defende equilíbrio no debate. A organização, acrescenta, busca posicionar-se como espaço neutro para discussão de projetos de Estado e de país. “O diálogo se impõe como ferramenta para manter o ciclo de crescimento”, avaliou.
Mesmo reconhecendo incertezas internas e externas, Rocha mantém visão que definiu como “realismo esperançoso”. Ele sustenta que o conjunto de condições — disponibilidade de terra, vocação agroindustrial, busca por sustentabilidade e abertura de novos mercados — confere a Mato Grosso do Sul perspectiva singular de continuidade da expansão econômica. “Escolhi morar aqui porque vejo oportunidades concretas”, concluiu.
Para o empresariado local, o próximo passo envolve alinhar estratégia, investimento e qualificação de lideranças aos requisitos de um mercado global em rápida transformação. A meta é converter o atual ritmo de crescimento em desenvolvimento capaz de gerar valor agregado, emprego e competitividade de longo prazo.









