A Academia Sul-Mato-Grossense de Letras (ASL) promove, nesta quinta-feira, 9 de maio, às 19h30, a segunda sessão anual do projeto “Leituras & Conversas na ASL”. A atividade ocorrerá no auditório da instituição, em Campo Grande, com entrada franca, e será dedicada à obra do escritor norte-americano Ernest Hemingway. O formato adotado segue o modelo de clube de leitura, permitindo que os participantes debatam aspectos centrais da produção literária do autor. A iniciativa integra a programação mensal da academia, que se estende de março a novembro e faz pausa apenas em julho.
Coordenado pelas acadêmicas Lenilde Ramos, Maria Adélia Menegazzo e Sylvia Cesco, todas integrantes do quadro permanente da ASL, o projeto busca estimular a troca de impressões e ampliar o acesso à literatura. A cada encontro, um escritor convidado conduz o diálogo com o público. Nesta edição, o responsável pela mediação será o campo-grandense André Alvez, autor de títulos como “A Bruxa da Sapolândia”, “Todo Bicho Alado Sente Medo do Vento” e “A Mão Esquerda”. Alvez irá contextualizar a trajetória de Hemingway, apresentar recortes de sua bibliografia e destacar influências que ainda se projetam na literatura contemporânea.
Segundo o presidente da ASL, Henrique de Medeiros, a realização de eventos gratuitos e presenciais reforça o compromisso da entidade com a formação de leitores. A academia tem expandido a oferta de projetos culturais para aproximar a população de diferentes tradições literárias, ao mesmo tempo em que incentiva o debate sobre técnicas narrativas e temas universais. No caso específico de Hemingway, Medeiros sublinha que o escritor norte-americano permanece referência na construção de textos concisos, marcados por subtexto e economia de palavras, características que se consolidaram como escola de escrita no século XX.
Vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 1954, Ernest Hemingway construiu carreira em jornais, coberturas de guerra e romances de grande repercussão crítica. Entre suas obras mais conhecidas estão “O Sol Também se Levanta”, publicado em 1926, “Adeus às Armas”, de 1929, “Por Quem os Sinos Dobram”, de 1940, e “O Velho e o Mar”, de 1952, livro que lhe garantiu o Prêmio Pulitzer no ano seguinte. A prosa direta, a atenção a detalhes cotidianos e o uso deliberado do que o próprio autor denominou “teoria do iceberg” tornaram-se marcas registradas e seguem influenciando escritores em diversos idiomas.
Além de analisar o estilo literário, o encontro na ASL pretende discutir o contexto histórico que moldou a produção de Hemingway. Experiências como motorista de ambulância na Primeira Guerra Mundial, correspondente na Guerra Civil Espanhola e repórter durante a Segunda Guerra Mundial alimentaram narrativas que examinam coragem, perda, amor e desilusão. A exposição de André Alvez deve destacar como esses elementos se refletem nos personagens do autor, bem como a maneira pela qual a concisão se alia a diálogos secos para sugerir conflitos internos sem descrevê-los de forma explícita.
A dinâmica do clube de leitura reservado à obra de Hemingway seguirá a metodologia já consolidada pelo projeto: o mediador abre a sessão com breve panorama da vida do escritor, apresenta trechos selecionados de seus livros e, em seguida, libera a palavra ao público. Perguntas, comentários e contrapontos são incentivados para que a discussão avance além da abordagem puramente biográfica. Ao final, os participantes recebem indicação de bibliografia complementar e calendário das próximas reuniões.
A agenda de “Leituras & Conversas na ASL” prevê, ao longo de 2026, a análise de autores como Charles Bukowski, Conceição Evaristo, João Cabral de Melo Neto e Milton Hatoum, mantendo a proposta de mesclar vozes brasileiras e estrangeiras que influenciam diferentes gerações de leitores. Com essa programação, a Academia Sul-Mato-Grossense de Letras consolida-se como espaço de difusão cultural e de formação de público para a literatura, reforçando o papel das instituições locais no estímulo à leitura e na preservação do diálogo entre clássicos e novos autores.








