O Estádio Jacques da Luz, principal arena de Campo Grande, passa por uma ampla revitalização para receber os jogos do Campeonato Sul-Mato-Grossense de 2026. As obras, conduzidas pela Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul (FFMS) em parceria com a Prefeitura e os clubes da Capital, já estão próximas da conclusão e abrangem gramado, vestiários, iluminação, acessibilidade, arquibancadas e cabine de imprensa.
Único local habilitado na cidade para competições oficiais, o estádio tornou-se prioridade para a federação. A entidade considera indispensável manter a Capital no roteiro das partidas decisivas do calendário estadual e de torneios nacionais. A estratégia inclui não apenas a recuperação da estrutura existente, mas também a adequação a exigências futuras, como as previstas no regulamento da Copa do Brasil de 2026.
Entre as intervenções concluídas, destacam-se a recuperação do gramado, a troca completa dos bancos de reservas e a reforma dos vestiários. Operário FC SAF e Pantanal SAF assumiram de forma fixa os dois vestiários principais, cada um personalizando o espaço com escudo, cores e itens de identidade visual. Para a FFMS, a medida profissionaliza a rotina dos atletas e valoriza o ambiente esportivo dentro da arena.
A área destinada à imprensa também recebeu atenção. A antiga cabine foi climatizada, ganhou novos sanitários e passou por reforços estruturais, criando condições mais adequadas para jornalistas, radialistas e fotógrafos. O mesmo padrão de modernização foi adotado nos bancos de reservas, agora em modelo fechado e padronizado com competições nacionais.
O gramado passou por substituição de áreas danificadas, correção de desníveis e tratamento especial de fertilização. Apesar de a troca total ainda não ter sido viabilizada por questões burocráticas, a FFMS elabora um projeto de médio prazo para implantar um sistema profissional de irrigação. A novidade deverá reduzir problemas recorrentes no período de estiagem, quando o sistema provisório atual não atende à demanda de umidade.
A percepção dos clubes é positiva. O presidente do Pantanal, Gilmar Ribeiro Mazinho, avalia que a qualidade da grama já permite a realização de partidas em bom nível. No Operário, o dirigente Nelson Antônio da Silva aponta evolução significativa em relação ao ano anterior e confirma que as condições atuais possibilitam futebol competitivo, mesmo sem a troca completa do piso.
Além do campo de jogo, o complexo recebeu nova pintura nas arquibancadas e áreas internas. Reparos no sistema de drenagem eliminam o acúmulo de água em dias chuvosos, enquanto ajustes de acessibilidade facilitam o deslocamento entre os vestiários e o gramado. No sistema de iluminação, técnicos da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) e da Fundação Municipal de Esportes (Funesp) finalizam a substituição de refletores, medida que permitirá ampliar a programação noturna do estádio.
Com a reforma quase concluída, surge o desafio da capacidade exigida pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para a Copa do Brasil de 2026. O regulamento determina mínimo de 4 mil lugares até a quarta fase e proíbe arquibancadas provisórias, solução usada pelo Operário em 2025. Hoje, nenhum estádio sul-mato-grossense atinge esse patamar: o Jacques da Luz comporta 3.216 pessoas, o Saraivão 2.800, o Ninho da Águia 2.400 após nova vistoria e o Douradão 3.500, este último sem sistema de iluminação em funcionamento.
Diante do cenário, a FFMS iniciou tratativas com a CBF para buscar alternativas que evitem a transferência dos mandos de campo. Entre as opções, a federação discute um projeto técnico de ampliação definitiva do Jacques da Luz, com apresentação de Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) e laudos de segurança. O objetivo é preservar partidas em Campo Grande e minimizar impactos financeiros e logísticos para clubes e torcedores.
Os dirigentes das agremiações mantêm posições distintas. O Operário defende a manutenção dos jogos na Capital e lembra que a arquibancada temporária instalada em 2025 obteve todos os laudos necessários. Já o Pantanal adota postura mais cautelosa e analisa a possibilidade de atuar fora do estado caso as adequações não ocorram a tempo. Ambos consideram a conclusão das obras no Jacques da Luz fundamental para fortalecer o futebol local.
Enquanto o impasse sobre a capacidade não é resolvido, as reformas avançam. A FFMS considera que as melhorias elevam o padrão do estádio, reduzem a dependência de arenas de outras praças esportivas e aumentam o potencial de Campo Grande para receber eventos de maior porte.
O primeiro teste do novo cenário ocorrerá no próximo domingo, 18, às 16h, quando Operário e Pantanal se enfrentam no Jacques da Luz em partida antecipada da sétima rodada do Estadual. A expectativa dos organizadores é que o gramado recuperado, os vestiários modernizados e a estrutura renovada ofereçam condições adequadas para atletas, comissões técnicas, imprensa e torcida.









