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Estoque de leite humano segue crítico em Mato Grosso do Sul apesar do aumento de doações

Os bancos de leite humano de Mato Grosso do Sul registraram crescimento na captação ao longo de 2025, mas a elevação das doações não foi suficiente para afastar o risco de desabastecimento. A situação mais delicada está no Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap-UFMS/Ebserh), em Campo Grande, onde o estoque atual cobre apenas três dias de demanda.

Rede estadual ultrapassa 7 mil litros coletados

O Estado mantém cinco bancos de leite integrados à rede nacional. Juntas, as unidades ultrapassaram a marca de 7 mil litros coletados desde janeiro, volume superior ao acumulado no mesmo período de 2024. O aumento decorre de campanhas de conscientização, ampliação das equipes de coleta domiciliar e reforço no trabalho das unidades de atenção primária.

Números por unidade confirmam tendência de alta

No Humap, principal referência para a capital, o volume arrecadado avançou de 1.036,1 litros em 2024 para 1.104,1 litros em 2025. A Santa Casa de Campo Grande, segundo maior captador local, passou de 1.609,6 para 1.771,2 litros no intervalo de um ano. Já o banco de leite da Maternidade Cândido Mariano atingiu 2.350,2 litros, além de registrar crescimento no cadastro de novas doadoras.

Na região sul do Estado, o Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) também reportou avanço, enquanto o Hospital Regional, mesmo coletando volume inferior, aumentou o número de recém-nascidos atendidos. Esse movimento amplia a pressão sobre os estoques, pois a quantidade de bebês que dependem do leite humano pasteurizado segue em trajetória de alta.

Processo rigoroso até chegar às UTIs neonatais

Todo o leite doado passa por coleta, triagem, análise de qualidade e pasteurização antes de ser distribuído, predominantemente, às Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) neonatais da rede pública. O produto final contribui para reduzir infecções, acelerar o ganho de peso e encurtar o tempo de internação dos recém-nascidos de alto risco, fatores decisivos para a sobrevida dos bebês prematuros ou com baixo peso.

Aumento da demanda mantém sistema no limite

Embora o avanço nas doações seja considerado expressivo pelas equipes técnicas, a procura cresceu no mesmo ritmo. Em determinados períodos, a necessidade superou a oferta, obrigando os bancos de leite a operar no limite operacional. O caso do Humap, com apenas três dias de reserva, exemplifica o cenário: qualquer interrupção na cadeia de doações coloca em risco imediato o fornecimento às UTIs.

Política pública abrange da gestação ao pós-parto

Segundo a gestão estadual, os números refletem o fortalecimento de uma política pública que conecta pré-natal, parto, pós-parto e atenção primária. O incentivo à amamentação e à doação de leite faz parte da estratégia de reduzir a mortalidade infantil e melhorar indicadores de saúde na primeira infância. As ações incluem formação de profissionais, visitas domiciliares e campanhas educativas direcionadas às gestantes e puérperas.

Bancos de leite também são centros de orientação

Além de processar e armazenar o leite, as unidades funcionam como espaços de acolhimento, onde mães recebem orientação sobre técnicas de extração, conservação e amamentação. Esse atendimento busca garantir a continuidade da lactação, ampliar o número de doadoras e evitar problemas como mastite e ingurgitamento mamário, que podem desestimular a produção.

Doação contínua é condição para estabilidade

A sustentabilidade da rede depende exclusivamente de um insumo que não pode ser produzido de forma sintética: o leite materno. Mesmo com a elevação dos volumes em 2025, a manutenção do atendimento seguro exige fluxo contínuo de doações. Sem reposição diária, a margem de segurança desaparece rapidamente, sobretudo em hospitais que concentram leitos de UTI neonatal.

Com a reserva do Humap no nível mais baixo desde o início do ano, a preocupação deixou o campo estatístico e passou a ser prática. As coordenações dos bancos de leite reforçam o apelo para que lactantes saudáveis, em fase de amamentação e com excedente de produção, procurem as unidades mais próximas para realizar cadastro e coleta. Apenas a regularidade das doações permitirá transformar o crescimento recente em abastecimento estável e adequado à demanda dos recém-nascidos sul-mato-grossenses.

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