A forma como a atrofia geográfica (GA) vem sendo acompanhada em pesquisas clínicas pode estar perto de ganhar reforços importantes. Em um estudo publicado em Ophthalmology Science (2025), pesquisadores propuseram dois novos biomarcadores. Os biomarcadores são o Macular Tissue Integrity Index (MTII) e o Ellipsoid Zone Integrity Index (EZII). Eles servem para medir, com mais precisão, a integridade do tecido na região central da mácula. Esta área é considerada crítica para a função visual.
Atualmente, a taxa de aumento da área total de GA é usada com frequência como desfecho em ensaios clínicos. No entanto, segundo os autores, essa medida costuma ter pouca especificidade para indicar o que está ocorrendo na mácula central. Além disso, ela nem sempre esclarece a relação entre estrutura da retina e desempenho visual. Por esse motivo, analisar casos de atrofia com perfil geográfico se torna fundamental nessas avaliações.
Por isso, um monitoramento mais direcionado ao centro do campo visual foi defendido. Sobretudo ao analisar o quanto essa preservação se conecta com a visão do paciente, considerando especialmente quadros de atrofia em padrão geográfico.
Por que “crescimento da lesão” pode não explicar a visão
A degeneração macular relacionada à idade (AMD) foi descrita no estudo como uma doença relevante em escala global. Nos estágios tardios, a GA foi apresentada como um processo marcado pela perda progressiva do epitélio pigmentar da retina. Além disso, ocorre perda dos fotorreceptores e da coriocapilar, sendo um quadro típico da atrofia do tipo geográfica. Isso pode levar a perda visual irreversível.
Ainda assim, foi ressaltado que medir somente o crescimento global da GA pode falhar quando a lesão se expande sem avançar na direção da mácula. Justamente essa é a região mais ligada à visão funcional. Ou seja, enquanto a área total pode aumentar, a visão central pode ser impactada de forma variável. E isso nem sempre é captado por uma métrica única quando se trata de casos de atrofia geográfica.

O que são MTII e EZII, em linguagem simples
Para aproximar os números do que realmente importa no dia a dia, dois índices foram propostos, sobretudo em estudos de atrofia geográfica:
O MTII, calculado em imagens de autofluorescência do fundo (FAF), foi usado para estimar a porcentagem de tecido preservado (não-GA) na mácula. Isso foi feito dentro de círculos centrados na fóvea. Assim, a integridade do tecido na área central foi quantificada com foco em duas zonas: 1 mm e 3 mm ao redor da fóvea. Esse enfoque tornou-se especialmente relevante em quadros de atrofia do tipo geográfica.
Já o EZII, calculado em OCT, foi definido como a porcentagem de zona elipsoide (EZ) intacta nas mesmas áreas. Como a EZ foi tratada como um indicador importante de integridade ligada aos fotorreceptores, esse índice buscou traduzir, de forma objetiva, o quanto essa estrutura permanece contínua nas regiões analisadas. Desse modo, mostrou como isso se relaciona com a evolução da atrofia geográfica.
Como o estudo avaliou as imagens e a função visual
Uma análise retrospectiva e longitudinal foi realizada com participantes de ensaios clínicos de GA. Foram comparados MTII e EZII ao longo do tempo, com o crescimento de GA. Eles também foram comparados com medidas de visão, como BCVA (acuidade visual melhor corrigida) e LLVA (acuidade visual em baixa luminância). Esses índices avaliaram o impacto em contextos de atrofia geográfica.
Além disso, a área total de GA foi medida tanto em FAF quanto em OCT. Entretanto, o foco foi direcionado para a região central. Isso ocorreu porque, conforme argumentado pelos autores, ganhos na avaliação do centro poderiam tornar as conclusões mais próximas do que realmente afeta a função visual. Especialmente isso se destaca em pacientes com atrofia do perfil geográfico.
O que os resultados sugerem sobre visão e “zona medida”
Nos achados descritos, MTII e EZII dentro da região central de 1 mm apresentaram correlação significativa com BCVA. Enquanto, na área de 3 mm, o EZII manteve correlação com BCVA e também com LLVA. Isso sugere que a avaliação clínica da atrofia geográfica pode ser aprimorada adotando esses índices.
Em contraste, a área total de GA não mostrou correlação significativa com BCVA e LLVA na análise de baseline apresentada. Com esse resultado, reforça-se a busca contínua por métricas mais precisas para monitorar a atrofia geográfica.
Além disso, um ponto que chama atenção foi a falta de associação entre a mudança de MTII/EZII ao longo do tempo e o crescimento total da GA. Com isso, padrões diferentes de progressão foram descritos. Eles incluem olhos com crescimento global rápido de GA, mas com perda central menor. Por outro lado, observou-se o oposto: crescimento global menor, mas perda central relevante. Tudo isso ilustra a heterogeneidade da atrofia geográfica nos pacientes.
Portanto, a progressão da GA foi tratada como heterogênea, o que reforça a necessidade de métricas adicionais para acompanhar o que acontece na mácula. De fato, isso é importante principalmente diante dos desafios da atrofia do padrão geográfico.
Por que isso importa para acompanhamento e pesquisa?
Na prática, a proposta do estudo sustenta que MTII e EZII podem ajudar a medir preservação macular de forma mais direcionada. Isso pode esclarecer a relação entre estrutura e visão em diferentes zonas, fornecendo dados ainda mais precisos em casos de atrofia geográfica.
Ainda assim, foi apontado que os achados exigem validação em estudos maiores e com acompanhamento mais longo. Só assim as conclusões serão aplicáveis a toda a população com atrofia geográfica.
Por fim, a utilidade do MTII foi destacada como potencialmente mais escalável por depender de FAF. Enquanto o EZII, embora mais diretamente ligado à avaliação da zona elipsoide em OCT, foi descrito como mais dependente de ferramentas específicas de análise. Sobretudo essa dependência aparece em avaliações de atrofia que apresentam configuração geográfica.









