Campo Grande (MS) – O ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, de 60 anos, foi detido em flagrante na terça-feira, 24, suspeito de ter matado a tiros um homem de 61 anos. O homicídio ocorreu dentro de uma residência localizada na Rua Antônio Maria Coelho, no bairro Jardim dos Estados, região central da capital sul-mato-grossense.
Segundo as primeiras informações obtidas pelas autoridades, o imóvel onde o crime aconteceu pertence a Bernal, mas se encontrava em processo de leilão judicial. A vítima teria comparecido ao local acompanhada de um chaveiro com a finalidade de tomar posse do bem. Durante essa visita, houve um confronto que resultou nos disparos fatais. Até o momento, não foram divulgados detalhes que expliquem o motivo da discussão nem a dinâmica exata que antecedeu os tiros.
Após o ocorrido, Bernal dirigiu-se à Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) Centro, onde se apresentou espontaneamente. Na unidade policial, ele foi autuado em flagrante por homicídio. O procedimento de praxe incluiu a tomada de depoimento e o registro do auto de prisão. O ex-prefeito permanece sob custódia, à disposição da Justiça, enquanto a Polícia Civil dá sequência às investigações.
Equipes da Polícia Militar foram acionadas e isolaram a residência para a realização dos levantamentos iniciais. Peritos criminais examinaram o interior do imóvel, recolhendo indícios balísticos e outros vestígios que possam esclarecer quantos disparos foram efetuados, a distância entre atirador e vítima e o trajeto percorrido pelos projéteis. As informações colhidas no local serão anexadas ao inquérito que apura o homicídio.
Até a publicação desta reportagem, a identidade da vítima não havia sido divulgada. Sabe-se apenas que se trata de um homem de 61 anos que, de acordo com a versão preliminar, buscava assumir a posse do imóvel arrematado em leilão. O chaveiro que o acompanhava deverá prestar depoimento como testemunha ocular dos fatos.
O delegado responsável pelo caso avaliará se haverá pedido de conversão da prisão em flagrante para preventiva. Caso isso ocorra, o pedido será analisado pelo Poder Judiciário em audiência de custódia. Se a conversão não for requerida ou não for aceita, Bernal poderá responder em liberdade, mediante medidas cautelares, conforme decisão judicial.
Alcides de Almeida Bernal tem trajetória conhecida na política de Mato Grosso do Sul. Foi vereador por dois mandatos em Campo Grande e, posteriormente, elegeu-se deputado estadual. Em 2012, conquistou a prefeitura da capital, mas enfrentou forte crise política durante a gestão. Em 2014, perdeu o mandato após processo de cassação conduzido pela Câmara Municipal, porém conseguiu retornar ao cargo por decisão judicial. No pleito de 2016, concorreu à reeleição, mas não avançou para o segundo turno.
O imóvel envolvido no caso está situado em uma das regiões mais valorizadas da cidade. A Rua Antônio Maria Coelho concentra residências de alto padrão, sedes empresariais e escritórios de serviços. Por conta disso, o tiroteio mobilizou moradores e comerciantes, que acionaram rapidamente as forças de segurança ao ouvirem os disparos.
Em nota preliminar, a Secretaria de Justiça e Segurança Pública informou que todas as circunstâncias do crime serão apuradas pela Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). A corporação pretende ouvir testemunhas, analisar imagens de câmeras de segurança próximas ao imóvel e aguardar laudos periciais para definir a tipificação exata do delito e concluir se houve legítima defesa ou outra excludente de ilicitude.
Enquanto o inquérito tramita, a defesa do ex-prefeito poderá apresentar versões ou provas que considere pertinentes. O Ministério Público Estadual acompanhará o caso para avaliar se oferece denúncia por homicídio doloso, previsto no artigo 121 do Código Penal, cuja pena pode chegar a 20 anos de reclusão em caso de condenação.
A investigação permanece em fase inicial. Autoridades ressaltam que a divulgação de informações será feita conforme o avanço dos trabalhos periciais e dos depoimentos, de modo a não comprometer o sigilo necessário para esclarecer por completo o ato que resultou na morte do idoso.








