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Exército incorpora 99 jovens na primeira turma feminina de serviço militar em Mato Grosso do Sul

O Comando Militar do Oeste (CMO) realizou, nesta segunda-feira (2), a incorporação de 99 recrutas que integram a primeira turma do Serviço Militar Inicial Feminino (SMIF) em Mato Grosso do Sul. A formatura ocorreu em Campo Grande, no mesmo ato que marcou a entrada dos conscritos do contingente masculino, oficializando a presença feminina entre os soldados que iniciarão a carreira nas fileiras do Exército Brasileiro na região.

No pátio de formatura, as jovens vestiram pela primeira vez o uniforme camuflado, símbolo do início da trajetória militar. Logo após a solenidade, o grupo seguiu para o período de internato, etapa obrigatória que promove a transição da rotina civil para as exigências da caserna. Durante esse ciclo inicial, as novas militares terão contato direto com normas de conduta, instruções básicas de ordem unida, preparo físico, regulamentos disciplinares e valores institucionais.

Entre as incorporadas, muitas destacaram a concretização de um objetivo cultivado ainda na infância. Aos 18 anos, Aniele Camyle relatou que sempre se sentiu atraída pela farda e pela postura dos militares, enxergando na oportunidade oferecida pelo SMIF a chance de romper barreiras. Relatos semelhantes foram ouvidos de outras voluntárias, que associam a entrada no serviço armado a perspectivas de crescimento profissional, estabilidade e realização pessoal.

A adaptação das recrutas é conduzida por uma equipe de instrução específica. A tenente Amanda Rodrigues, responsável pelo grupamento feminino, explicou que o internato funciona como imersão na cultura militar, com atividades diárias que começam antes do amanhecer e se estendem até o período noturno. Segundo a oficial, concluída essa fase, as soldados continuam em treinamento até estarem aptas a cumprir funções administrativas, operacionais ou de apoio, conforme as necessidades do CMO.

Ao término do ciclo formativo, previsto para os próximos meses, as militares poderão ser designadas para três organizações: o Colégio Militar de Campo Grande, o Hospital Militar de Área e a Base de Administração e Apoio do comando regional. Nessas unidades, as atividades incluem desde atendimento ao público interno até serviços logísticos, instrução de cadetes e apoio de saúde. A legislação permite que a permanência chegue a oito anos, mediante avaliações anuais e interesse da corporação e da própria soldado.

O processo de seleção que resultou na incorporação das 99 sul-matogrossenses ocorreu simultaneamente em 14 cidades brasileiras. De acordo com informações do Exército, mais de 30 mil candidatas manifestaram interesse em participar. A triagem envolveu exames de saúde, testes físicos, avaliações psicológicas e verificação de documentação. As aprovadas assumem direitos, deveres e remuneração idênticos aos dos homens que prestam o serviço militar obrigatório.

Durante entrevista coletiva concedida após a formatura, o chefe do Centro de Coordenação de Operações do CMO, general de brigada Marcelo Zanon, afirmou que a presença feminina amplia a capacidade operacional da Força Terrestre. O oficial ressaltou que a igualdade de oportunidades reflete diretrizes recentes do Ministério da Defesa e que a experiência da turma pioneira servirá de base para novas incorporações em todo o país.

Na mesma ocasião, o general abordou a situação da ponte sobre o rio do Peixe, na rodovia MS-080, que desabou na semana anterior. Segundo ele, equipes de engenharia do Exército já concluíram o reconhecimento técnico do local e estão prontas para apoiar as autoridades estaduais e o município de Rio Negro na definição da solução emergencial. A participação da tropa, contudo, depende de solicitação formal dos órgãos competentes para que seja definida a linha de ação a ser adotada.

Com a incorporação desta segunda-feira, o CMO passa a contar com efetivo feminino em postos que antes eram ocupados exclusivamente por homens em Mato Grosso do Sul. A medida segue tendência observada nas demais regiões militares, que gradualmente ampliam o número de vagas para mulheres tanto no serviço voluntário quanto em concursos de carreira. A expectativa do comando é que a presença das novas soldados estimule futuras candidatas e consolide a integração de gêneros nas Forças Armadas.

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