As vendas externas brasileiras registraram o melhor desempenho da série histórica para o mês de fevereiro em 2026, de acordo com dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O valor exportado alcançou US$ 26,3 bilhões, alta de 15,6 % em relação a fevereiro de 2025. No mesmo período, as importações totalizaram US$ 22,1 bilhões, recuo de 4,8 % na comparação anual, resultando em superávit de US$ 4,2 bilhões na balança comercial.
Com os resultados de fevereiro, a corrente de comércio – soma de exportações e importações – chegou a US$ 48,4 bilhões. O avanço nas vendas externas, combinado à retração das compras do exterior, consolidou o maior saldo positivo para o mês desde o início da série, reforçando a participação brasileira no comércio mundial.
O agronegócio foi o principal vetor de crescimento das exportações. O segmento agropecuário registrou embarques de aproximadamente US$ 5,14 bilhões, expansão de 6,1 % em relação a fevereiro do ano anterior. Esse montante corresponde a quase 20 % de tudo o que o país vendeu ao exterior no mês, evidenciando a relevância do setor para o desempenho geral da balança.
Entre os produtos agrícolas, soja em grão, carne bovina e milho permaneceram como destaques. A demanda continua forte em mercados asiáticos e na União Europeia, com a China mantendo-se como principal compradora. O apetite chinês por grãos e proteínas de origem animal foi determinante para o incremento das receitas, contribuindo para sustentar preços em patamares favoráveis e elevar o volume de embarques.
Na direção oposta, as importações diminuíram, influenciadas pela queda nas compras de máquinas, equipamentos e bens de capital. Esse movimento ajudou a ampliar o saldo positivo, embora também reflita eventual postergação de investimentos produtivos internos. Ainda assim, o alívio na conta importadora compensou pressões externas sobre a balança, assegurando resultado líquido favorável ao país.
No acumulado dos dois primeiros meses de 2026, as exportações somaram US$ 51 bilhões, enquanto as importações chegaram a US$ 42,9 bilhões. O superávit acumulado é de US$ 8 bilhões, e a corrente de comércio ultrapassa US$ 93,8 bilhões. O desempenho indica um início de ano robusto para o comércio exterior brasileiro e sugere que, mantidas as atuais condições, o saldo anual poderá superar as projeções iniciais de mercado.
Analistas consultados pelo MDIC observam que a performance do agronegócio segue sendo o principal sustentáculo da balança comercial. Mesmo diante de desafios logísticos, variações cambiais e ajustes na demanda de parceiros específicos, a capacidade de produção em larga escala e a competitividade dos produtos brasileiros garantem posição de destaque no mercado global. A avaliação é de que, sem a contribuição do setor agrícola e pecuário, o saldo comercial não alcançaria os níveis registrados nos últimos anos.
Além do agronegócio, outros segmentos industriais, como mineração e produtos químicos, também tiveram incremento nas exportações, ainda que em ritmo inferior. Esse crescimento setorial diversificado ajuda a reduzir a dependência de poucos produtos e mitiga riscos decorrentes de variações em preços internacionais ou eventuais barreiras comerciais.
O MDIC destacou, no relatório, que a expansão das vendas externas ocorreu num contexto de volatilidade internacional e disputas comerciais entre grandes economias. Segundo a pasta, o avanço reforça a importância de políticas de facilitação de comércio e de acordos que reduzam barreiras tarifárias e não tarifárias, especialmente para o setor agrícola, que enfrenta exigências sanitárias e ambientais cada vez mais rigorosas.
Para os próximos meses, o ministério projeta continuidade do cenário favorável ao agronegócio, mas alerta para possíveis impactos de condições climáticas sobre a oferta de grãos e proteínas. Também há monitoramento constante de eventuais mudanças na política de importação dos principais parceiros, como China e União Europeia, que podem alterar os fluxos comerciais.
Com o novo recorde, fevereiro de 2026 consolida a trajetória de crescimento das exportações brasileiras observada nos últimos anos, impulsionada pela competitividade agrícola, pela diversificação de mercados e pelo câmbio favorável aos exportadores. O saldo positivo acumulado reforça a posição do país como importante fornecedor global de alimentos e matérias-primas e sustenta parcela relevante das receitas externas, fundamentais para o equilíbrio das contas nacionais.








