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Exportações de carne bovina colaboram para recorde de US$ 10,7 bilhões em vendas externas de Mato Grosso do Sul em 2025

As vendas externas de carne bovina produzida em Mato Grosso do Sul avançaram de forma expressiva em 2025 e contribuíram para o melhor resultado da história do comércio exterior do Estado. No acumulado de janeiro a dezembro, o faturamento do segmento atingiu US$ 1,907 bilhão, montante 56% superior ao registrado em 2024, quando somou US$ 1,223 bilhão. O volume embarcado também cresceu: passou de 256,9 mil toneladas para 346,7 mil toneladas, incremento de quase 35% em doze meses.

Os números constam na Carta de Conjuntura do Comércio Exterior de janeiro de 2026, documento elaborado pela Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação de Mato Grosso do Sul (Semadesc-MS). O levantamento confirma que a carne bovina permaneceu entre os principais produtos da pauta exportadora estadual em 2025, ao lado de celulose, soja em grão, açúcares e melaços e farelos de soja.

O desempenho do complexo pecuário teve peso decisivo no resultado global das exportações sul-mato-grossenses. Ao final de 2025, a receita total obtida pelas empresas instaladas no Estado alcançou US$ 10,7 bilhões, superando o recorde anterior, de 2023, que fora de US$ 10,6 bilhões. Em relação a 2024, o crescimento foi de 7,51%, consolidando Mato Grosso do Sul entre as unidades da Federação de maior participação no comércio exterior brasileiro.

Além da carne bovina, outros itens que compõem a carteira de vendas externas também registraram aumento nas quantidades embarcadas. Celulose, milho, minério de ferro e ferro-gusa apareceram com variações positivas na comparação anual, fator que reforça a relevância desses setores para a economia estadual. Juntos, esses produtos formam o núcleo de commodities agrícolas e de base industrial responsável por sustentar, há vários anos, o saldo positivo da balança comercial sul-mato-grossense.

A análise da Semadesc-MS mostra que, desde 2015, o Estado exporta valores superiores aos importados, o que garante superávits consecutivos na balança comercial. Esse comportamento tem origem principalmente na capacidade de produção e processamento de insumos agropecuários, em particular soja, milho, carnes e derivados da cana-de-açúcar, além do avanço da indústria de celulose e de segmentos ligados à mineração e metalurgia.

No caso específico da carne bovina, o avanço de 56% na receita em 2025 reflete não apenas o aumento do volume enviado ao exterior, mas também a elevação do preço médio obtido pelos exportadores. O embarque adicional de quase 90 mil toneladas no período coloca o Estado entre os principais fornecedores de proteína animal do país e amplia sua participação em mercados tradicionais e emergentes. No ranking interno, a pecuária de corte se consolidou como uma das cadeias produtivas de maior peso econômico, tanto pelo impacto direto na geração de divisas quanto pelo efeito multiplicador sobre logística, serviços de apoio e insumos vinculados à atividade.

A Carta de Conjuntura também destaca que, ao longo de 2025, a composição da pauta exportadora manteve perfil concentrado em produtos primários e semielaborados, característica predominante na economia sul-mato-grossense. Celulose se manteve como líder em valor absoluto, seguida pela carne bovina in natura. Na sequência aparecem soja não triturada, açúcares e melaços e farelos de soja, reforçando a dependência dos segmentos ligados ao agronegócio.

Com o novo recorde anual de US$ 10,7 bilhões em vendas externas, Mato Grosso do Sul entra em 2026 com base reforçada para a manutenção de superávits comerciais, ainda que a evolução dependa de fatores como demanda internacional, câmbio e condições sanitárias nos países de destino. A expectativa da Semadesc-MS, segundo o relatório, é de continuidade na boa performance dos principais complexos exportadores, entre eles o de carne bovina, que apresenta expansão consistente nas últimas safras e alto nível de integração com frigoríficos certificados para diferentes mercados.