Localizar um endereço em Três Lagoas, no interior de Mato Grosso do Sul, tem se mostrado um exercício de paciência para moradores, trabalhadores e visitantes. A cidade convive com placas de ruas que exibem denominações diferentes ao longo do mesmo trajeto, falta de identificação em diversas vias e até repetição de nomes em bairros distintos, o que compromete a precisão de entregas, serviços e sistemas de navegação.
O problema se evidencia no bairro Nova Americana. Em uma única via, o trajeto começa sinalizado como rua Visconde de Tamandaré, muda para rua Manoel Mendes alguns metros adiante e, mais à frente, passa a ser denominado rua Romeu de Campos Júnior. Em meio à sequência de placas divergentes, surge ainda o equívoco na indicação do bairro, que em certos pontos aparece como Paranapungá. Essa multiplicidade de informações contraditórias confunde quem mora ou transita pela região e compromete a organização urbana.
As consequências se manifestam na rotina diária. Correspondências retornam por “endereço inexistente”, visitas médicas se atrasam porque motoristas não conseguem encontrar a residência correta e pedidos de serviços técnicos são remarcados porque o prestador não localiza o imóvel. A população relata dificuldade contínua em explicar o caminho exato ou em receber encomendas sem intercorrências, especialmente quando utiliza aplicativos de comércio eletrônico que dependem de dados de geolocalização para definir rotas.
Ferramentas de navegação, desenvolvidas para agilizar deslocamentos, também enfrentam contratempos. Ao inserir o nome da rua, usuários são direcionados para bairros diferentes, pois o sistema reconhece mais de uma possibilidade para o mesmo logradouro. Em consequência, entregadores percorrem trajetos maiores, elevam custos operacionais e, muitas vezes, precisam recorrer a chamadas telefônicas para confirmar referências visuais ou pontos de apoio próximos ao destino final.
A dificuldade atinge com intensidade profissionais que dependem de deslocamento rápido, como motoristas de aplicativo e entregadores de mercadorias. Um desses trabalhadores, Joelson Gonçalves, afirma que mesmo utilizando GPS permanece o risco de não encontrar o local solicitado. Ele recorda que várias ruas da cidade sofreram mudanças de nomenclatura sem aviso formal aos usuários frequentes das vias, o que prolonga o tempo de serviço e ocasiona atrasos acumulados ao longo do dia.
Sem orientação oficial uniforme, a troca de nomes de ruas acaba replicada em diferentes materiais de sinalização e se espalha por bancos de dados de empresas de logística. Dessa forma, antigos e novos registros convivem simultaneamente, criando divergência de informações entre plaquetas de esquina, cadastros municipais, guias impressos e sistemas digitais. O resultado prático é um mosaico de referências que nem sempre convergem para o mesmo ponto geográfico.
A falta de padronização interfere na mobilidade urbana. Motoristas se veem obrigados a reduzir a velocidade para confirmar se estão no endereço correto, o que impacta o fluxo de veículos. Quando o erro só é percebido depois da passagem pelo quarteirão, torna-se necessário realizar retornos ou percorrer trajetos alternativos para retomar o caminho, contribuindo para o aumento do trânsito em horários de pico e do consumo de combustível.
Para enfrentar a confusão, a Câmara Municipal de Três Lagoas aprovou, nos últimos anos, projetos de lei que visam regularizar logradouros com nomes duplicados ou repetidos em regiões diferentes. As propostas incluem a definição de uma única nomenclatura oficial, além da atualização dos registros cadastrais em órgãos públicos e privados. Embora algumas ruas já tenham passado por readequação, moradores apontam que há vários casos pendentes de revisão e sinalização compatível.
As iniciativas legislativas também preveem a comunicação formal das mudanças a empresas de tecnologia responsáveis por mapas e aplicativos de navegação, para que as alterações se reflitam simultaneamente nos bancos de dados digitais. A expectativa é que, com a atualização integrada, o índice de falhas na localização seja gradualmente reduzido, trazendo mais previsibilidade aos deslocamentos urbanos.
Enquanto o processo de correção não avança de forma abrangente, moradores continuam recorrendo a referências informais, como pontos comerciais, escolas ou igrejas, para indicar caminhos. Entregadores, por sua vez, mantêm listas próprias com anotações que relacionam antigos e novos nomes de ruas, estratégia que reduz a margem de erro, mas não elimina a necessidade de ajustes estruturais na sinalização da cidade.
A padronização das vias permanece tema recorrente em audiências públicas e em reuniões de bairro. Representantes comunitários reivindicam celeridade na substituição das placas divergentes, alegando que a uniformização trará benefícios diretos ao comércio local, aos serviços de saúde e à segurança pública. Embora reconheçam as iniciativas em andamento, destacam que a convivência prolongada com múltiplas denominações dificulta o cotidiano e reforça a urgência de ações coordenadas entre poder público, empresas de tecnologia e moradores.









