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Diretor de trânsito de Três Lagoas aponta imprudência como principal causa de acidentes e cobra mudança de atitude

Três Lagoas, no leste de Mato Grosso do Sul, registrou 14 mortes no trânsito em 2025, sendo 12 envolvendo motociclistas, segundo dados do Departamento Municipal de Trânsito (Deptran). O balanço foi apresentado pelo diretor da pasta, José Aparecido de Moraes, durante entrevista ao programa RCN Notícias, da TVC HD. Para o gestor, o número evidencia um problema de comportamento: a maior parte dos sinistros decorre da falta de responsabilidade de condutores que descumprem regras básicas de segurança.

Ao avaliar o cenário local, Moraes afirmou que a fiscalização, embora necessária, não tem capacidade de eliminar o risco quando motoristas e motociclistas ignoram a legislação. O diretor considera que somente a conscientização da população pode reverter a série de ocorrências fatais registrada nos últimos anos. Ele defende que 2026 seja marcado por uma mudança de postura, pois, nas suas palavras, a redução de acidentes depende mais dos cidadãos do que do poder público.

As infrações mais frequentes identificadas pelos agentes municipais reforçam a análise do Deptran. Aproximadamente 35% das autuações aplicadas em 2025 foram motivadas pelo não uso do cinto de segurança. Em seguida aparecem dirigir segurando telefone celular, avançar sinal vermelho e conduzir veículo sem habilitação. Moraes lembra que a simples ação de manusear o aparelho ao volante já configura infração de trânsito, independentemente de o condutor estar ou não em chamada.

Outro comportamento recorrente citado pelo diretor é o transporte irregular de crianças em motocicletas. Informe técnico do órgão municipal destaca que a legislação brasileira proíbe levar menores de 10 anos nesse tipo de veículo, mas a prática continua comum nas vias da cidade. Para o gestor, a negligência coloca em risco não apenas os pequenos passageiros, mas também terceiros, já que aumenta a chance de desequilíbrio e agrava consequências em caso de queda ou colisão.

Os próprios motociclistas, público que concentra a maioria das vítimas fatais em Três Lagoas, também foram foco da entrevista. Moraes observou que parte significativa desse grupo é formada por entregadores que circulam durante todo o dia, muitas vezes sob pressão de tempo. Na avaliação do Deptran, o uso do corpo como única proteção obriga esses condutores a redobrar cuidados, o que nem sempre acontece. Por isso, campanhas educativas específicas para motociclistas devem ser intensificadas ao longo de 2026.

Com o objetivo de ampliar a fiscalização, o município implantou em dezembro um esquema de atuação ininterrupta. Desde então, os agentes de trânsito trabalham 24 horas por dia, sete dias por semana. A medida, comparada pelo diretor ao funcionamento de serviços essenciais como a saúde, busca coibir infrações fora do horário comercial, quando a incidência de acidentes costuma aumentar.

Mesmo com a ampliação do período de trabalho, Três Lagoas dispõe hoje de apenas 23 agentes de trânsito. De acordo com Moraes, o contingente está aquém do necessário para cobrir todas as regiões da cidade, que tem cerca de 130 mil habitantes. O cálculo interno aponta que pelo menos 50 servidores seriam necessários para garantir fiscalização adequada e presença visível em pontos críticos, sobretudo nos horários de maior fluxo.

A entrevista também trouxe esclarecimentos sobre as regras que envolvem ciclomotores e bicicletas elétricas. Segundo o Deptran, qualquer veículo equipado com acelerador e capaz de ultrapassar 32 quilômetros por hora deve ser registrado no Departamento Estadual de Trânsito (Detran). Nessas condições, o condutor precisa usar capacete e possuir Carteira Nacional de Habilitação ou Autorização para Conduzir Ciclomotor, categoria ACC. O mesmo vale para modelos que tenham potência suficiente para atingir velocidades superiores ao limite estabelecido para bicicletas convencionais.

O município estuda ainda a elaboração de legislação específica para disciplinar o uso de ciclomotores e bicicletas elétricas em vias públicas. A intenção é definir rotas, faixas exclusivas e critérios de segurança, evitando colisões entre esses veículos, automóveis e pedestres. Até que a norma seja aprovada, vale o enquadramento previsto no Código de Trânsito Brasileiro e em resoluções do Conselho Nacional de Trânsito (Contran).

Apesar das medidas de fiscalização e das futuras adequações legais, Moraes reforçou que o resultado efetivo virá apenas com a mudança de comportamento dos usuários das vias. O diretor afirma que, se a cidade conseguir evitar uma única morte no trânsito em 2026, o esforço já terá valido a pena. Para ele, o compromisso de cada condutor com as regras básicas, como uso do cinto, respeito aos semáforos e obediência aos limites de velocidade, é o caminho mais curto para reduzir o número de vítimas e tornar o trânsito de Três Lagoas mais seguro.