Em reunião realizada nesta quarta‑feira (9) em Paranaíba, Marcelo Bertoni, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul), ressaltou que a Costa Leste do estado vive um processo de transformação econômica que exige a qualificação da mão de obra para sustentar o ritmo de expansão.
O encontro contou com a presença de lideranças dos Sindicatos Rurais, entre eles o presidente Gilmar Macedo, o vice‑presidente Egmar Dutra e representantes de Aparecida do Taboado, Cassilândia, Inocência, Água Clara, Chapadão do Sul e Três Lagoas. Durante o bate‑papo, Bertoni ouviu demandas do setor produtivo e apresentou mudanças na Assistência Técnica e Gerencial (ATeG), serviço que leva acompanhamento técnico direto às propriedades rurais.
Segundo o dirigente da Famasul, a economia regional tem sido impulsionada por quatro pilares: pecuária, agricultura, florestas plantadas e a chegada de novos empreendimentos industriais. Nos últimos meses, a citricultura também entrou nesse cenário, com a implantação de novos pomares que ampliam a diversidade da produção agropecuária.
Para Bertoni, a inserção da citricultura representa uma oportunidade de geração de empregos, mas também cria a necessidade de trabalhadores preparados para as novas atividades. Ele destacou a atuação do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), que oferece cursos voltados à floresta plantada, à bovinocultura de corte e leite, e agora à citricultura.
Desafios da qualificação
“Vaga de emprego tem, serviço tem, e a gente precisa só qualificar essa mão de obra nova que está aprendendo esses novos cenários”, afirmou Bertoni, enfatizando que a oferta de cursos ainda não acompanha a velocidade da demanda. O presidente apontou que a falta de profissionais qualificados pode limitar o potencial de crescimento da região, sobretudo nas áreas de manejo de citros e manejo sustentável de florestas.
A expansão da citricultura, segundo Bertoni, pode abrir novas oportunidades de trabalho e diversificar ainda mais a produção agropecuária de Mato Grosso do Sul, desde a implantação de pomares até a cadeia de beneficiamento e comercialização.
Tecnologia e assistência
Outro ponto abordado foi o programa Agrotec, desenvolvido em parceria com a Embrapa, a Fundação MS e a Fundação Chapadão. O objetivo, segundo o presidente da Famasul, é aproximar novas tecnologias dos produtores, transformando conhecimentos técnicos em orientações práticas aplicáveis nas propriedades.
“O objetivo final é que ele feche o ano com lucro, não no prejuízo”, explicou Bertoni, descrevendo que a assistência começa com um levantamento técnico da propriedade e busca melhorar a gestão e os resultados da atividade agrícola.
Além da assistência técnica e da qualificação, a Famasul, em conjunto com o Senar, mantém programas sociais no interior, como Saúde do Homem, Saúde da Mulher e Sorrindo no Campo, que oferecem ações preventivas e atendimento odontológico a agricultores e suas famílias.
Na esfera institucional, a entidade acompanha proposições no Senado e na Câmara, bem como ações no Supremo Tribunal Federal que podem impactar o setor. Entre as prioridades estão a segurança jurídica no campo, o marco temporal, a regularização fundiária e a discussão sobre o Funrural.
As demandas colhidas em Paranaíba – principalmente nas áreas de infraestrutura, energia e qualificação profissional – serão reunidas em um documento que a Famasul pretende entregar aos candidatos ao Governo de Mato Grosso do Sul. Bertoni ressaltou que muitas dessas reivindicações se repetem em outras regiões do estado, o que reforça a necessidade de transformar os problemas apontados em compromissos para os próximos governos.
Atualmente, a Famasul reúne 69 sindicatos e atua em 75 municípios de Mato Grosso do Sul por meio de extensões de base, mantendo ainda parcerias com prefeituras para a realização de cursos e ações de qualificação profissional.








