O fechamento do Hospital Indígena Porta da Esperança, localizado em Dourados, está previsto para ocorrer em outubro devido a uma grave crise financeira. A dívida acumulada de aproximadamente R$ 4 milhões e um déficit mensal superior a R$ 200 mil têm gerado preocupações entre a comunidade indígena e a população carente da região. A situação foi alertada pela direção do hospital, que destaca a omissão das autoridades em relação ao problema.
Crise Financeira no Hospital Indígena
O Hospital Indígena Porta da Esperança, mantido pela Missão Evangélica Caiuá, é reconhecido pelo atendimento humanizado a povos Guarani, Kaiowá e Terena. A crise financeira enfrentada pela instituição é atribuída ao descompasso entre os repasses do Sistema Único de Saúde (SUS) e os custos reais para manter o funcionamento do hospital. O presidente da Missão, Paulo César de Souza, informou que, embora estejam contratualizados 2.500 atendimentos mensais, o hospital realiza mais de 8.000 atendimentos, o que gera um déficit acumulado mês a mês.
“Atendemos 100% SUS e o repasse é insuficiente”, afirmou Souza. A falta de recursos tem levado a instituição a solicitar um aumento no financiamento de custeio e a habilitação da sala de emergência na Rede de Urgência e Emergência. Atualmente, o hospital recebe R$ 35 mil por mês da Prefeitura de Dourados e o mesmo valor do Governo do Estado, quantia considerada insuficiente pela administração do hospital.
Impacto e Próximos Passos
O fechamento do hospital representaria uma perda significativa para a comunidade indígena e para a população carente de Dourados, que depende desse atendimento especializado. A alternativa seria buscar atendimento em unidades urbanas que não estão preparadas para lidar com as especificidades culturais dessas populações. “Fechar um hospital é fácil. Reabrir é quase impossível”, alertou Souza, enfatizando que a omissão do poder público não afeta apenas a instituição, mas também o direito à saúde de milhares de cidadãos.
Apesar da inauguração do SAMU Indígena na Reserva de Dourados, que está marcada para este sábado, a situação do hospital permanece crítica. A ausência do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, no evento foi notada, mas a iniciativa foi reconhecida como um avanço no atendimento pré-hospitalar. Contudo, a falta de um hospital especializado continua a ser uma lacuna no sistema de saúde.
Em resposta à situação, a Prefeitura de Dourados não se manifestou sobre a carta aberta da Missão Evangélica Caiuá, alegando que a responsabilidade pelo fomento das despesas do hospital é do Governo Federal. Até o fechamento desta reportagem, não houve resposta do Governo do Estado.
Em conclusão, a situação do Hospital Indígena Porta da Esperança em Dourados é alarmante. A crise financeira, somada à falta de apoio das autoridades, coloca em risco o atendimento a milhares de pessoas. A continuidade do hospital é essencial para garantir o direito à saúde e à dignidade da população indígena e carente da região.