A cerimônia que marcou o lançamento da pedra fundamental da ferrovia do Projeto Sucuriú, na sexta-feira (6), reuniu em Inocência (MS) representantes dos governos federal, estadual e municipal, além de dirigentes empresariais. O ramal, idealizado para escoar a produção da futura fábrica de celulose da Arauco, foi apresentado como peça central de uma estratégia que pretende fortalecer a integração logística de Mato Grosso do Sul com o restante do país e com mercados externos.
Durante o evento, o ministro dos Transportes, Renan Filho, afirmou que a iniciativa reintegra o estado à malha ferroviária nacional e cria uma nova rota para o agronegócio e a indústria florestal. Segundo ele, a ligação férrea garantirá redução de custos e maior eficiência no transporte de produtos até os portos, sobretudo o de Santos (SP), destino previsto para a celulose que será produzida pela companhia chilena.
A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, ressaltou que o momento é considerado histórico para a economia sul-mato-grossense. Ela citou o aumento dos investimentos públicos e privados em infraestrutura, destacando que a ampliação da rede ferroviária, aliada à modernização das rodovias, aproxima o estado dos principais corredores de exportação. Na avaliação da ministra, a diversificação dos modais logísticos contribui para reduzir gargalos e impulsionar o desenvolvimento regional.
O governador Eduardo Riedel atribuiu o avanço do projeto ao ambiente de negócios instalado no estado e à articulação entre União, governo estadual, prefeituras e iniciativa privada. Ele reiterou que a administração continuará a apoiar empreendimentos considerados estruturantes, capazes de gerar emprego, renda e desenvolvimento sustentável para a população.
Regulamentação e investimentos privados
A senadora Tereza Cristina apontou o novo marco regulatório das ferrovias como elemento decisivo para viabilizar projetos capitaneados por empresas do setor de base florestal. De acordo com a parlamentar, o modelo legal em vigor estimulou a Arauco a investir na construção do ramal que ligará Inocência a trilhos já existentes, encurtando distâncias até centros consumidores e portos.
Na mesma linha, o presidente do Instituto Brasileiro de Árvores (IBA) e ex-governador do Espírito Santo, Paulo Hartung, destacou o andamento das obras civis da fábrica de celulose da Arauco e o início efetivo do traçado ferroviário. Ele lembrou que a movimentação de grandes volumes de carga por ferrovia trará ganhos ambientais, ao substituir parte do transporte rodoviário, e logísticos, ao assegurar maior regularidade no fluxo de exportação.
O prefeito de Inocência, Antônio Ângelo Garcia dos Santos, enfatizou o papel do diálogo entre as esferas de governo e as empresas envolvidas para que o empreendimento avançasse. Segundo ele, a implantação da ferrovia deve gerar novos postos de trabalho durante as etapas de construção e operação, além de fomentar a cadeia de serviços no município.
Rota da Celulose
Além da pedra fundamental do Projeto Sucuriú, foram assinadas ordens de serviço e contratos de concessão relacionados à chamada Rota da Celulose. O conjunto de intervenções inclui melhoramentos viários e acordos para operação de trechos adicionais que conectarão o interior do estado a terminais portuários. A medida amplia a capacidade de escoamento de produtos florestais, consolidando Mato Grosso do Sul como um dos principais polos nacionais de florestas plantadas e de produção de celulose.
Conforme dados apresentados pelas autoridades, o estado responde atualmente por parcela significativa da celulose embarcada pelo Brasil. Com o novo ramal, estima-se que haverá aumento do volume transportado por ferrovia, diminuindo a circulação de caminhões em longas distâncias e, consequentemente, os custos logísticos. O Ministério dos Transportes também avalia que a integração ferroviária poderá atrair indústrias fornecedoras de insumos e prestadoras de serviços, ampliando o impacto econômico regional.
Integração logística e competitividade
O Projeto Sucuriú faz parte de um esforço mais amplo de expansão da infraestrutura de transportes no Centro-Oeste, região que concentra boa parte da produção agrícola e florestal do país. A expectativa oficial é que a obra forneça uma alternativa competitiva para o escoamento de commodities, reduzindo o tempo de viagem entre as fábricas e os portos e elevando a previsibilidade das entregas internacionais.
Responsável pela implantação da linha, a Arauco planeja utilizar trens de alta capacidade para transportar a celulose produzida em Inocência. O empreendimento prevê ainda terminais intermodais, por onde a carga seguirá em rotas marítimas para diferentes mercados. Os gestores públicos esperam que a nova conexão estimule investimentos em armazéns, pátios logísticos e centros de distribuição, gerando um efeito multiplicador na economia local.
Ao final do encontro, as autoridades reiteraram o compromisso de acompanhar a execução das obras e assegurar que os cronogramas sejam cumpridos. O Ministério dos Transportes informou que o projeto está alinhado ao Plano Nacional de Logística, que prioriza obras capazes de ampliar a eficiência dos corredores de exportação e reduzir a dependência do modal rodoviário.
Com a pedra fundamental lançada, as próximas etapas envolvem a conclusão dos estudos de engenharia, a obtenção de licenças ambientais complementares e o início efetivo da construção dos trilhos. A previsão divulgada pelos responsáveis é de que o ramal ferroviário comece a operar em sincronia com a entrada em funcionamento da fábrica de celulose, reforçando a posição de Mato Grosso do Sul no mercado global do setor.









