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Filho agride pai com garrafa durante discussão familiar em Campo Grande

Um desentendimento familiar terminou com ferimentos e registro policial na manhã de domingo, 19 de maio, no Residencial Oliveira, em Campo Grande. Um homem de 42 anos precisou de atendimento médico depois de ser atingido na cabeça por uma garrafa arremessada pelo próprio filho, de 18 anos. A agressão ocorreu durante uma discussão que envolveu também a ex-esposa da vítima.

De acordo com o boletim de ocorrência, o conflito começou quando a mulher, com quem o homem foi casado por aproximadamente dez anos, chegou à residência e passou a questionar o consumo de bebida alcoólica pelo ex-marido na noite anterior. Além disso, ela cobrava que o filho do casal estivesse trabalhando. O debate elevou o tom rapidamente até que, pelas costas, o pai foi golpeado com uma garrafa de vidro.

Surpreso com o impacto, o homem relatou à polícia que, ao se virar, reconheceu o filho como autor do ataque. O estilhaço provocou um corte no couro cabeludo, causando sangramento imediato. Familiares que moram no mesmo terreno – a irmã da vítima e uma sobrinha – presenciaram toda a confusão, segundo consta no registro.

Após o golpe, a ex-esposa deixou o local acompanhada do jovem. O pai, ainda ferido, buscou ajuda na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Leblon. Lá recebeu avaliação médica, foi submetido a sutura e recebeu três pontos na cabeça antes de ser liberado.

O boletim detalha que o filho havia se mudado para a casa do pai três meses antes da ocorrência. Não há, até o momento, informação sobre histórico de desentendimentos anteriores entre os dois, mas o documento policial pontua que a convivência recente concentrava tensões em torno de trabalho e consumo de álcool.

Com base nas declarações, o caso foi classificado como lesão corporal praticada no âmbito da violência doméstica e encaminhado à Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac/Cepol), responsável pelos primeiros procedimentos investigativos. A polícia informou que, por se tratar de crime em ambiente familiar, a apuração seguirá normas específicas da Lei Maria da Penha.

Autoridades buscam agora localizar o jovem para prestar depoimento formal. Também devem ser ouvidas as testemunhas presentes na residência. Segundo a legislação, a vítima tem direito a solicitar medidas protetivas, caso julgue necessário, para impedir nova aproximação do agressor.

Especialistas em direito de família apontam que agressões entre parentes próximos se enquadram na categoria de violência doméstica independentemente de gênero, sempre que ocorrerem em ambiente familiar ou afetivo. Nessas situações, o Ministério Público pode prosseguir com a ação penal mesmo se houver retratação posterior da vítima.

A Secretaria Municipal de Saúde informou que o quadro clínico do homem é estável e que ele não precisou de internação. Não foram divulgados detalhes sobre acompanhamento psicológico ou social, mas as autoridades locais lembram que vítimas de violência doméstica podem buscar orientação em centros de referência especializados.

Até o fechamento desta reportagem, não havia registro de prisão ou entrega voluntária do suspeito. A Depac/Cepol mantém o inquérito em andamento e aguarda laudos médicos que respaldarão a avaliação da gravidade das lesões. O caso permanece sob investigação, e a Polícia Civil não descarta a adoção de novas medidas caso haja indícios de reincidência ou risco iminente à integridade da vítima.